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Estupro na Delegacia-Geral: terceirizado que estuprou servidora perseguia a vítima

O terceirizado acusado de abusar sexualmente de uma servidora comissionada dentro da delegacia-geral do Piauí foi indiciado pelos crimes de stalking (perseguição) e estupro. O inquérito foi concluído e apresentado nesta sexta-feira (27) pelas delegadas Bruna Verena, da Diretora de Proteção à Mulher e aos Grupos Vulneráveis, Lucivânia Vidal, de Proteção à Mulher, e Nathalia Figueiredo, do Núcleo de Feminicídios.

De acordo com a investigação, o terceirizado costumava perseguir a vítima por meio de mensagens e abordagens pessoais. As informações foram obtidas após a quebra de sigilo telefônico do acusado e da perícia feita no celular dele e da servidora. No entanto, a vítima, achando que conseguiria resolver a situação sozinha, nunca denunciou para a polícia as perseguições, embora tenha contado da situação para a família.

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Estupro na Delegacia-Geral: terceirizado é indiciado por crime de perseguição e estupro

Quem deu mais detalhes foi a delegada Bruna Verena. “Fechamos o indiciamento com base em provas colhidas, depoimentos, perícia no local de crime, coleta de material genético e exame sexológico. Esgotamos todas as possibilidades periciais e analisamos o contexto. Finalizamos com o indiciamento de perseguição e estupro. A perseguição era aquela que geralmente se faz quando o acusado não deixa a vítima em paz, fica indo atrás dela. No caso, era tanto por mensagens, quanto pessoalmente”, disse.

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Delegada Bruna Verena, de Proteção à Mulher e aos Grupos Vulneráveis

A polícia reiterou que não tinha conhecimento da situação para evitar que o problema escalasse para algo mais grave ainda. De acordo com o delegado-geral, Luccy Keiko, o terceirizado havia sido remanejado para nova sede da delegacia há só três meses, mas as perseguições já aconteciam bem antes disso. Ele e a servidora já teriam trabalhado juntos numa unidade policial na zona Norte antes disso.

“Ele não a conhecia só há três meses. Era há mais tempo. Ele estava há três meses aqui na nova sede, porque o setor pessoal, onde ele trabalha, mudou para cá. Reforçamos que para a polícia não há registro de ocorrência. Ela narrou as perseguições para a família, mas evitava fazer alguma denúncia achando que ia resolver sozinha. Não resolve. Por isso estimulamos as mulheres a denunciarem qualquer ato abusivo de violência física ou psicológica”, explicou o delegado-geral.

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Luccy Keiko, delegado-geral de Polícia Civil do Piauí

O terceirizado começou a prestar serviço para a Polícia Civil em 2018, contratado por meio de uma empresa que fornece servidores para o Estado. Na ocasião, ele já respondia por um homicídio relacionado a um linchamento na zona Sul de Teresina, ocorrido em fevereiro de 2017.

Polícia descartou tentativa de feminicídio

O Núcleo de Feminicídios também participou da investigação. A polícia queria ter a certeza se houve ou não tentativa de acabar com a vida da vítima no momento do estupro. Esta hipótese foi afastada. Segundo a delegada Nathalia Figueiredo, inicialmente não há indícios de tentativa de feminicídio, embora esse crime possa vir a ser incluído posteriormente a depender do depoimento da vítima.

“Pela análise da dinâmica da situação, pelas oitivas que foram feitas inclusive com os policiais que estavam no local, inicialmente está descartada a possibilidade de tentativa de feminicídio. Temos que ouvir a servidora ainda. Pode ser que surjam novas situações e haja essa inclusão, mas, no momento, não”, disse a delegada.

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A delegada Nathalia Figueiredo é coordenadora do Núcleo de Feminicídios

A vítima ainda não foi ouvida devido ao seu estado de saúde. Ela encontra-se na UTI de um hospital em Teresina e, segundo familiares, apresenta estado de confusão mental quando não está sob o efeito da sedação. A polícia ainda aguarda a autorização da equipe médica para poder colher seu depoimento.

“A preocupação é que ela seja ouvida por um profissional especializado, em uma situação cautelosa. Temos que ter todo o cuidado para não revitimizá-la. Não é essa nossa intenção”, pontuou a delegada Lucivânia Vidal, de Proteção à Mulher.

No momento, o acusado encontra-se preso preventivamente na Cadeia Pública de Altos (CPA). Uma vez concluído o inquérito, a polícia vai remeter o relatório ao Ministério Público, que vai analisar seu teor e oferecer denúncia à justiça.

Relembre o caso

O caso aconteceu no último dia 19 numa sala localizada no segundo piso da nova sede da delegacia-geral da Polícia Civil. A servidora, uma senhora de mais de 60 anos, foi encontrada desacordada e com sangramento nas partes íntimas por funcionários do local. Na mesma sala, estava um servidor terceirizado, que se tornou o principal suspeito da violência sofrida por ela.

O homem foi interrogado pelos próprios delegados que estavam no prédio no momento e chegou a confessar que manteve relação sexual com a vítima. Mas, segundo ele, a relação teria sido consentida. Para o delegado-geral, Luccy Keiko, ficou claro que o suspeito mentia na versão dos fatos, sobretudo que ele apresentou declarações contraditórias nos depoimentos.

Ele foi conduzido para a Casa da Mulher Brasileira, onde foi autuado por crime de estupro e lesão corporal, e segue detido preventivamente na Cadeia Pública de Altos (CPA). A vítima ficou internada na UTI de um hospital de Teresina, em estado grave, com sinais de confusão mental.


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