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Estupro na Delegacia-Geral: Defesa aponta falta de câmeras e levanta possível tentativa de feminicídio

A defesa da servidora estuprada e encontrada desacordada dentro da Delegacia-Geral de Teresina apontou, nesta segunda-feira (23), a ausência de câmeras no interior da unidade e a possibilidade de o caso ser investigado como tentativa de feminicídio. As informações foram confirmadas pela advogada da vítima, Nathália Freitas, que também detalhou o estado de saúde da mulher, considerado crítico.

O crime ocorreu na última quinta-feira (19), mas só veio à tona dois dias depois, no sábado (21), após denúncias.

André dos Santos/O Dia
Estupro na Delegacia-Geral: Defesa aponta falta de câmeras e levanta possível tentativa de feminicídio

Segundo a defesa, a vítima permanece internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após ter sido entubada e submetida a um coma induzido, ainda no atendimento inicial. “Ela está em estado crítico. Quando deu entrada, já foi entubada e permaneceu assim por cerca de dois a três dias”, afirmou.

a advogada relatou que, mesmo após apresentar sinais de consciência, a servidora demonstra abalo psicológico significativo. De acordo com Nathália Freitas, há episódios de agitação e pedidos constantes de ajuda. “Ela clama por socorro o tempo inteiro, pede proteção e ajuda. Isso tem causado grande preocupação na família”, disse.

Outro ponto destacado pela defesa é a inexistência de câmeras de monitoramento nas salas da Delegacia-Geral. Conforme a advogada, a informação foi repassada informalmente pela direção da instituição.

“O que nos foi informado é que, por se tratar de um prédio novo, o processo de licitação ainda está em andamento e, por isso, não há câmeras instaladas nas salas”, explicou.

A falta de registros por imagem pode impactar diretamente a apuração do caso, que segue em investigação. Até o momento, a perícia criminal trabalha com os elementos coletados no local e depoimentos de testemunhas para reconstruir a dinâmica dos fatos.

A defesa também levantou a hipótese de que o crime possa ser enquadrado como tentativa de feminicídio, além da suspeita inicial de estupro. Segundo Nathália Freitas, o estado clínico da vítima e os indícios de violência reforçam essa possibilidade. “Aos olhos da defesa, há elementos que abrem margem para essa linha de investigação, mas isso será confirmado ao longo do inquérito”, afirmou.

De acordo com o que consta no processo, a vítima foi encontrada desacordada em uma sala da delegacia, onde também estava o suspeito, um prestador de serviço terceirizado. Ele foi preso em flagrante após apresentar versões contraditórias, e a prisão preventiva foi posteriormente decretada.

A advogada também rebateu informações sobre um possível relacionamento entre vítima e suspeito, destacando que isso não altera a caracterização do crime. “Mesmo que houvesse qualquer relação, isso não justificaria o que aconteceu”, declarou.

O caso segue sob investigação. O inquérito deve reunir laudos periciais, depoimentos e outros elementos para esclarecer as circunstâncias e definir os possíveis enquadramentos criminais.


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