Aprender vai muito além das disciplinas que aparecem no quadro, como matemática, física, português e tantas outras matérias. A escola é um espaço que promove experiências que ajudam os estudantes a compreender o mundo e a descobrir como podem transformá-lo. No dia do estudante, comemorado nesta terça-feira (11), cerca de 30 alunos do CETI Dr. Fontes Ibiapina, no bairro Renascença, zona Sudeste de Teresina, contam como encontraram no empreendedorismo uma oportunidade para aprender, criar e ajudar a quem precisa.
O projeto começou há apenas quatro meses, a partir de uma iniciativa da Junior Achievement Brasil (JA), organização internacional que desenvolve programas de educação empreendedora. Os estudantes receberam capacitação, aprenderam sobre empreendedorismo e, depois, colocaram a criatividade em prática. O resultado foi uma miniempresa que passou a produzir luminárias com materiais recicláveis.
Gabriel de Sousa (16) é estudante do 2º ano de Desenvolvimento de Sistemas e presidente da empresa. Ele conta que, para produzir as peças, os alunos arrecadaram tecidos e outros materiais que seriam descartados. A proposta era mostrar que aquilo que muitas vezes vai para o lixo pode ganhar uma nova utilidade.
Com esses materiais, surgiu a ideia do grupo produzir uma luminária em formato de rosa. O produto foi levado para uma feira de empreendedorismo realizada no Teresina Shopping, onde os estudantes tiveram contato direto com o público e aprenderam, na prática, sobre vendas e apresentação de um produto.
Mas o projeto acabou ganhando um significado maior. O dinheiro arrecadado com as vendas foi destinado a uma instituição que atende pessoas em situação de vulnerabilidade. Com o valor, foram comprados itens de cesta básica e kits de higiene pessoal.
Antes de começar a produção, os estudantes buscaram apoio financeiro de pessoas próximas, chamadas de “acionistas", que contribuíram com R$ 15. Ao final das vendas, o valor foi devolvido e o restante destinado à ação social.
A estudante Lorena de Sousa Araújo (16), uma das integrantes do projeto, conta que além de aprender, os alunos também puderam fazer bem ao próximo. “Eu acho isso muito bonito porque. As coisas que as pessoas jogam fora, descartam, se tornaram um material tão lindo que muitas pessoas amaram, compraram e, com o dinheiro que sobra, a gente poderia ter ficado para a gente. Mas a gente falou assim ‘não, tem muitas pessoas precisando disso’”, disse.
Adrielly Marques (16) complementa, destacando que a experiência vivenciada no projeto mostra que a escola pode preparar os estudantes para muito mais do que as provas e vestibular. Segundo a jovem, eles aprendem como progredir na vida acadêmica e também fora da escola, no social.
Para evitar que o projeto prejudicasse as aulas, a direção organizou horários e espaços para que os estudantes pudessem produzir dentro da própria escola. Além do empreendedorismo, os alunos já haviam participado de um curso de mídias sociais, que ajudou na divulgação da miniempresa. A experiência também serviu para aproximá-los de situações que encontrarão no mercado de trabalho.
Para ela, o projeto mostrou que criatividade e conhecimento podem ser usados para fazer a diferença na vida de outras pessoas. Além disso, ela destaca o empenho da direção pedagógica, que investe no futuro dos alunos. “A diretora realmente pensa muito no nosso futuro fora da escola, nessa questão de trabalho”, diz Adrielly.
Mas a iniciativa não terminou com a feira. Com o projeto concluído, os estudantes decidiram manter a empresa ativa e pretendem continuar produzindo luminárias, além de desenvolver novos produtos. O certificado de conclusão do curso será entregue em breve em uma cerimônia de encerramento.