No Piauí, um dos casos que mais mobilizou a população foi o do estudante João Lucas Campelo, de 17 anos, que ficou tetraplégico após ser baleado dentro de uma escola particular de Teresina, em 2024.
A família buscou uma vaga para que o jovem pudesse integrar o estudo experimental com a polilaminina, mas ele não foi considerado apto para participar da pesquisa neste momento.
De acordo com a mãe de João, Cleytiana Campelo, após consulta recente com um dos médicos do laboratório responsável pela pesquisa, contudo, foram apresentados três principais impedimentos: o projétil permanece alojado no corpo do estudante; a idade, já que João ainda é menor de 18 anos; e o quadro neurológico atual, que não atende aos critérios exigidos pelo protocolo clínico.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, a mãe afirmou que, apesar das limitações apontadas em laudo, o filho permanece consciente no dia a dia. Ela pediu que continuem em oração pela recuperação neurológica e pulmonar do jovem. Segundo Cleytiana, a família segue confiante na evolução do quadro clínico.
“A gente sabe que ele está consciente, porque acompanhamos ele na diária, mas o laudo médico diz que João..., né, vocês já sabem. Então, eu peço a vocês que continuem firmes na fé comigo, orando, intercedendo pelo neurológico do João e pelos pulmões dele", diz a mãe.
Em outro trecho, ela declarou que mantém a confiança na recuperação do filho. “Não importa como vai ser, mas o Senhor está fazendo. A minha parte é crer, orar, confiar e declarar a palavra sobre a vida do meu filho”, disse.
Tratamento experimental
A polilaminina é uma proteína experimental desenvolvida pela cientista brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O estudo é resultado de quase três décadas de pesquisas voltadas à regeneração da medula espinhal.
A substância foi criada a partir de proteínas extraídas da placenta humana, que exercem papel importante na formação do sistema nervoso. Aplicada diretamente na área lesionada da medula por meio de injeção, a molécula atua como uma espécie de “cola biológica”, estimulando a reconexão de neurônios danificados e favorecendo o crescimento dos axônios.
Os testes clínicos iniciais apresentaram resultados considerados promissores: seis pacientes paraplégicos tiveram recuperação parcial de movimentos após o tratamento, reacendendo a esperança para pessoas com lesões medulares graves.
A pesquisa é desenvolvida em parceria com o laboratório farmacêutico brasileiro Cristália e já recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a realização da Fase 1 dos testes clínicos, etapa que avalia principalmente a segurança da substância e possíveis sinais iniciais de eficácia.
Relembre o caso
O estudante João Lucas Campelo foi baleado no dia 4 de dezembro de 2024, dentro de uma escola particular localizada no Centro de Teresina. O disparo ocorreu no refeitório da instituição. No momento, estavam no local apenas João, a então namorada e uma funcionária da cantina.
Após uma conversa entre os dois estudantes, houve o disparo. O tiro atingiu a boca do jovem e o projétil ficou alojado na coluna, provocando lesão medular grave. Depois do ocorrido, a adolescente deixou a arma sobre uma mesa e saiu correndo da escola. Ela se abrigou em um estabelecimento próximo, onde relatou o que havia feito, e foi apreendida pela Polícia Militar.
A arma utilizada no crime pertencia ao pai da jovem, que é policial militar. Uma faca do tipo peixeira também foi encontrada dentro da mochila da adolescente.
João continua recebendo tratamento em casa.
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