A audiência de instrução e julgamento de Maria dos Aflitos da Silva, acusada de envolvimento no envenenamento de membros da família e matar uma vizinha está marcada para esta quarta-feira, 30 de julho. A avó e matriarca está presa desde que as investigações da polícia apontaram que ela e o companheiro (Francisco de Assis) foram os principais responsáveis pelo envenenamento em série em uma residência na cidade de Parnaíba, litoral do Piauí, ocorridos entre agosto de 2024 e janeiro de 2025.
A audiência também contaria com a presença de Francisco de Assis, mas foi suspensa após a defesa alegar insanidade mental do acusado.
A sessão acontecerá às 11h, na 1ª Vara Criminal de Parnaíba. A audiência de instrução e julgamento é uma etapa fundamental em um processo judicial, especialmente no direito processual civil e penal brasileiro. É nela que o juiz colhe as provas orais do processo e, em muitos casos, julga a causa ao final da audiência.
Tanto Maria dos Aflitos quanto Francisco de Assis Pereira viraram réus na Justiça em março deste ano após o Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) aceitar a denúncia oferecida pelo Ministério Público (MPPI).
O inquérito que serviu de base para o oferecimento da denúncia foi conduzido pelo delegado Abimael Silva e o escopo da investigação comprovou, inclusive com confissões, que Maria dos Aflitos e Francisco premeditaram o envenenamento dos filhos, enteados e netos
A denúncia foi oferecida pelo promotor de Justiça Silas Sereno Lopes, da 5ª Promotoria de Parnaíba. Francisco de Assis e Maria dos Aflitos foram denunciados pela prática de oito homicídios qualificados e três tentativas de homicídio qualificados. As vítimas dos crimes foram:
- João Miguel da Silva – neto de Maria dos Aflitos
- Ulisses Gabriel da Silva – neto de Maria dos Aflitos
- Lauane Fontenele – neta de Maria dos Aflitos
- Maria Gabriela da Silva – neta de Maria dos Aflitos
- Igno Davi da Silva – neto de Maria dos Aflitos
- Francisca Maria da Silva – filha de Maria dos Aflitos e enteada de Francisco de Assis
- Manoel Leandro – filho de Maria dos Aflitos
- Maria Jocilene – vizinha da família
Indiciamento por 23 crimes
Ao todo, Maria dos Aflitos e Francisco de Assis foram indiciados por 23 crimes. A polícia concluiu o inquérito no último dia 06 de março e remeteu os autos à justiça. Os delitos dos quais eles foram acusados podem somar mais de 300 anos de prisão.
Veja abaixo as acusações que pesam contra Francisco e Maria dos Aflitos:
- Maria dos Aflitos: quatro homicídios triplamente qualificados, quatro feminicídios, duas tentativas de feminicídio, uma tentativa de homicídio triplamente qualificado e uma denunciação caluniosa.
- Francisco de Assis: quatro homicídios triplamente qualificados, três feminicídios, duas tentativas de feminicídio, uma tentativa de homicídio triplamente qualificado e um crime de fraude processual.
Relembre o crime
No dia 30 de dezembro, a família de Francisca Maria Silva recebeu doação de alimentos de um casal que costuma fazer ações filantrópicas no bairro onde eles moravam. O casal doou 30 Kg de manjubas entregues pela associação de pescadores da região.
Na noite de réveillon, 31 de dezembro, a família jantou arroz, feijão e farinha. A comida não foi toda consumida e as sobras ficaram sobre o fogão, nas panelas em que foram preparadas. Todos os membros da família foram se deitar por volta da meia-noite.
No entanto, Francisco de Assis permaneceu acordado e disse que se recolheria depois. Foi ele quem trancou a casa antes de ir dormir, por volta das 4h da madrugada do dia 1º de janeiro. A polícia acredita que o arroz tenha sido envenenado por volta deste horário. No almoço do dia 1º, a família comeu a mesma comida do jantar do Ano Novo. A comida foi requentada por uma das irmãs de Francisca. Segundo a polícia, Francisco insistiu para que ela esquentasse o mesmo arroz da noite anterior e não preparasse um novo.
Ela atendeu ao pedido e transferiu o alimento para outra panela com um pouco mais de água.
As crianças Maria Gabriele, Lauane e Igno Davi foram os primeiros a comer a comida junto com Manoel Leandro, seu tio. Os quatro apresentaram os sintomas de envenenamento cerca de meia hora depois e de forma mais grave do que os demais. A polícia acredita que ao ferver o arroz, o veneno subiu e se acumulou nas primeiras camadas do alimento na panela, sendo consumido em mais quantidade por quem se serviu primeiro.
Francisco de Assis foi o último a se servir. “Ele se serviu de uma pouca quantidade e, segundo os familiares, comeu sem vontade, andando pela casa e deixando muita comida no prato”, relata o delegado Abimael. Por volta de 12h, a família começou a apresentar os primeiros sintomas. Manoel Leandro faleceu antes mesmo do SAMU chegar. Os demais familiares foram conduzidos pela ambulância para o Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA). A polícia diz que somente Francisco apresentava lucidez e estado físico aparentemente normais para prestar esclarecimentos.
“Por volta de 16h40, dentro da viatura que o levaria para a delegacia, ele começou a passar mal e os policiais alteraram o trajeto e o levaram para o hospital”, explicou o delegado. O fato de Francisco ter apresentado sintomas de envenenamento só 4h30 depois dos demais levantou suspeitas. Os sinais de envenenamento por terbufós costumam aparecer de 30 minutos a uma hora depois da ingestão.
Foram internados:
- Lauane Fontenele, 3 anos; Maria Gabriele e Igno Davi, 1 ano e meio. Os três são filhos de Francisca Maria.
- Francisca Maria, Lívia Maria, Maria Jocilene e Manoel Leandro (enteados de Francisco). Francisca é mãe das crianças envenenadas e de João Miguel e Ulisses, envenenados em 2024.
- Jhonatas Albert Pereira da Silva, filho de Maria Jocilene.
Faleceram: Davi, Lauane, Francisca, Manoel e Maria Gabriele.
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