A delegada Anamelka Albuquerque, diretora da Academia da Polícia Civil do Piauí (ACADEPOL-PI), ministrou, nesta quinta-feira (12), uma palestra para colaboradoras do Sistema O Dia de Comunicação, onde discorreu sobre direitos das mulheres, formas de violência e canais de proteção disponíveis no estado.
O encontro foi realizado em alusão ao Mês e Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, e abordou a importância do conhecimento dos direitos como instrumento de cidadania e segurança no cotidiano. O momento contou com um café da manhã especial e homenagens às mulheres.
Durante a apresentação, a delegada destacou que conhecer direitos e deveres é fundamental para que mulheres possam identificar situações de violência e buscar ajuda. Segundo ela, muitas vezes a falta de informação impede que vítimas utilizem mecanismos legais de proteção existentes.
“Saber seus direitos é fundamental para exercer a cidadania e garantir a segurança no cotidiano. Muitas mulheres passam por situações de violência e não sabem quais canais procurar”, afirmou.
A palestra trouxe um panorama histórico sobre a conquista de direitos femininos nos últimos dois séculos, destacando avanços importantes, mas também as desigualdades que ainda persistem.
Entre os exemplos citados, Anamelka lembrou que apenas no ano de 1827 meninas passaram a ter acesso à escola o Brasil, e que o direito ao voto feminino só foi conquistado em 1932. Ela citou, também, a criação da primeira Delegacia da Mulher, em 1985, e leis mais recentes, como a que tipificou o feminicídios.
Apesar das conquistas legais, a delegada ressaltou que ainda há desafios para garantir igualdade real entre homens e mulheres. “A Constituição prevê igualdade, mas precisamos de políticas públicas e ações afirmativas para equilibrar situações de vulnerabilidade”, explicou.
Durante o momento, a delegada ainda detalhou os diferentes tipos de violência que podem atingir mulheres, como a física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Anamelka ressaltou que muitas dessas agressões são sutis e acabam sendo naturalizadas dentro de relações afetivas.
“A violência não é apenas a agressão física. Ela pode aparecer como humilhação, controle excessivo, ameaças ou destruição de bens”, afirmou.
A delegada compartilhou ainda experiências acumuladas ao longo de mais uma década de atuação em delegacias especializadas, incluindo investigações de feminicídios. Ela explicou que, em muitos casos, a violência segue um ciclo que começa com tensões e evolui para agressões mais graves. Por isso, reforçou a importância de procurar ajuda desde os primeiros sinais.
Outro ponto destacado foi o papel de informação e da educação na prevenção da violência. Para a delegada, a sociedade precisa ampliar o debate sobre o tema para reduzir desigualdades estruturais e fortalecer a proteção às mulheres.
“A mudança também passa pela conscientização da sociedade e pela formação de novas gerações que naturalizem a igualdade entre homens e mulheres”, afirmou.
Anamelka também apresentou canais de denúncia e apoio disponíveis no estado, como o Disque 180 e serviços que permitem registrar ocorrências e denúncias sem necessidade de ir presencialmente a uma delegacia.
A rede de atendimento inclui ainda delegacias especializadas, serviços de saúde, assistência social e a Casa da Mulher Brasileira, em Teresina, além da Central de Atendimento à Mulher – através do Disque 180. Há, ainda, o telefone Ei, Mermã (disponível através do número 0800 000 1673), o B.O. Fácil (que pode ser registrado via 0800 086 0190) e o Aplicativo Salve Maria.
Ao final do encontro, a delegada reforçou que o combate à violência contra a mulher depende do envolvimento de toda a sociedade, incluindo imprensa, instituições públicas e cidadãos. “É fundamental multiplicar informação e fortalecer a rede de apoio. Muitas vezes, uma denúncia pode salvar uma vida”, concluiu.
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