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Casa da Cultura aguarda restauração e deve voltar a receber intervenções em 2027

Construída em 1870, a Casa Barão de Gurgueia faz parte da história de Teresina e está localizada em frente à Praça Saraiva, logradouro que leva o nome do fundador da capital e onde também está situada a Catedral de Nossa Senhora das Dores. O casarão pertencia a João do Rego Monteiro e foi entregue à sociedade em 1880, período em que Teresina começava a ser idealizada pelo Conselheiro Saraiva.

Tombada pelo Município e pelo Estado, a edificação passou a funcionar como Casa da Cultura em 12 de agosto de 1994. O espaço, que já havia sido utilizado como escola e também como local para seminário da Igreja, ganhou maior destaque como patrimônio histórico a partir da transformação em equipamento cultural. Em 2021, porém, o imóvel foi fechado após o fim do contrato entre a Prefeitura e a Arquidiocese de Teresina, proprietária do casarão. Desde então, o espaço permanece sem funcionamento regular.

As condições de conservação do imóvel têm mobilizado movimentos em defesa da preservação do patrimônio histórico da capital. No último sábado (5), um ato foi realizado no local com o objetivo de chamar atenção para a situação da edificação, considerada parte importante da memória e da história de Teresina.

Assis Fernandes/ODIA
Casa da Cultura aguarda restauração e deve voltar a receber intervenções em 2027

Segundo Ismael Júnior, gerente de Patrimônio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), existe interesse tanto da secretaria quanto da Arquidiocese de Teresina na restauração do prédio. Como órgão responsável pela proteção legal do patrimônio tombado pelo Estado, a Secult acompanha a situação do imóvel, fiscaliza suas condições e busca, junto aos proprietários, soluções para a recuperação da estrutura.

No caso da Casa Barão de Gurgueia, a Arquidiocese encaminha semestralmente à secretaria relatórios sobre as condições do imóvel. De acordo com Ismael, a instituição religiosa informa que não dispõe, atualmente, de recursos suficientes para realizar uma restauração completa ou garantir a manutenção necessária.

“Temos feito medidas paliativas. No momento, tem uma pessoa limpando e as esquadrias estão abertas para tentar evitar patologias que podem acontecer por ela estar fechada, permitindo a ventilação e iluminação. As paredes são de adobe, materiais utilizados na época, e absorvem muito calor e umidade. Se a edificação estiver toda fechada, pode acontecer mofo ou infiltração”, disse o gerente de Patrimônio da Secult.

Diante da necessidade de recuperação, foi elaborado um relatório detalhado sobre as condições atuais do imóvel. Segundo Ismael, a avaliação técnica aponta que, apesar dos danos existentes, a edificação não apresenta risco de desmoronamento.

Há vários danos que são perceptíveis, como a queda do guarda-corpo, mas a edificação tem um coração, que é a cobertura. Se ela chegar a ruir, todos os outros elementos, como esquadrias, alvenaria, serão danificadas ainda mais, pois não terá a proteção superior. Mas comprovamos que a cobertura está estável, apesar de danificada, mas é normal para uma edificação que não está tendo manutenção

Ismael Júniorgerente de Patrimônio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult)

Um dos elementos que chamam atenção na construção está na fachada principal. O lado direito apresenta características diferentes do restante do casarão, como uma espécie de anexo. A parede é formada por platibanda, que esconde a cobertura, enquanto os desenhos das esquadrias, com arcos ogivais, também diferem das almofadas das janelas do restante da edificação.

“Isso a gente considera como se fosse um anexo de ligação com o Casarão, não é da construção original. E essa parte é a mais comprometida, tanto que está isolada por conta do dano que teve na cobertura, ocasionando estragos na laje, que é de madeira. As demais partes do casarão são apenas restaurações”, comenta.

Edificação passará por completa restauração

Entre as intervenções previstas estão a restauração das esquadrias de madeira de lei, a recuperação das fechaduras e o tratamento dos pisos. Apesar dos danos e da necessidade de manutenção, a avaliação técnica aponta que a estrutura principal do casarão não está comprometida.

Outro aspecto que torna a Casa Barão de Gurgueia singular é sua arquitetura colonial, com características ecléticas observadas principalmente na quantidade de esquadrias e na composição das alvenarias. O imóvel também possui elementos estruturais de madeira que diferenciam a construção de outros casarões históricos da capital, como o Museu do Piauí.

“Ela é toda em madeira, então isso ressalta um pouco da edificação. O telhado, ou caibro, como chamamos, é de madeira, feito com troncos carnaúba, um elemento característico muito importante do Piauí desde as casas de fazenda até a construção da capital. Quando falamos desse casarão, ele é um marco da cultura”, comenta.

Assis Fernandes/ODIA
Casa da Cultura aguarda restauração e deve voltar a receber intervenções em 2027

De acordo com Ismael Júnior, a Secult recebeu a Casa da Cultura da Arquidiocese em julho deste ano. A partir disso, foi elaborado um projeto de restauração com o levantamento das patologias existentes e das intervenções necessárias. A previsão é de que o projeto e o orçamento sejam apresentados à Arquidiocese de Teresina ainda em setembro. Depois dessa etapa, deverão ser definidas as fontes de recursos para a execução da obra.

Apesar da importância histórica e da localização privilegiada, o imóvel ainda deve permanecer fechado até que as etapas necessárias para a restauração sejam concluídas.

“O ponto negativo é que é uma edificação bem localizada, tão importante para a história de Teresina, e que está fechada. Essa é uma obra somente para o primeiro trimestre de 2027, pois existe um processo de licitação, mas vamos tentar formalizar os recursos ainda este ano. Já o processo de restauração dura em torno de cinco meses, uma vez que precisamos identificar os materiais utilizados na época e as técnicas de restauração, que é algo muito demorado”, concluiu Ismael Júnior.