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Carlos Said, o “Magro de Aço”, tem trajetória revisitada em nova edição de biografia

Quinze anos após a primeira edição, a trajetória do radialista e cronista esportivo Carlos Said, conhecido como “Magro de Aço”, ganha uma nova versão em livro. Gustavo Said lança, nesta quinta-feira (10), a segunda edição de “Nos Bilinguinguins do Inferno: Eu, Carlos Said, o Magro de Aço”, no Cine Teatro da Universidade Federal do Piauí (UFPI), no Espaço Rosa dos Ventos, a partir das 18h30.

Publicada originalmente em 2011, a biografia teve os dois mil exemplares da primeira edição esgotados. Para a nova publicação, Gustavo retomou o material para aprofundar acontecimentos históricos e atualizar a trajetória do pai, acrescentando sete capítulos e nova fotografias.

Reprodução/Arquivo Pessoal
Carlos Said, o “Magro de Aço”, tem trajetória revisitada em nova edição de biografia

“Depois de 15 anos eu senti necessidade de não apenas aprofundar algumas temáticas contidas naquela edição, alguns fatos históricos, mas também atualizar um pouco da história de vida desse fascinante personagem”, explicou Gustavo.

A obra acompanha Carlos Said desde a história de seus pais, imigrantes sírios que chegaram ao Brasil durante o período de dominação do Império Turco-Otomano, até a infância, as primeiras experiências no jornalismo e a consolidação da carreira como jornalista, professor e cronista esportivo.

Mais do que reconstruir a trajetória profissional, Gustavo afirma que buscou compreender o homem por trás do personagem que se tornou parte do imaginário de Teresina. Para ele, o nome Carlos Said ultrapassou a própria figura do radialista e passou a carregar histórias e lembranças construídas coletivamente.

“É um personagem que não pertence mais. Ele é recriado pelo imaginário social. Onde você vai, se você citar o nome Carlos Said, uma pessoa tem algo a relatar. Então, na verdade, é um personagem sobre o qual ele não tem controle”, afirmou.

O “Magro de Aço” como personagem

O título da obra também resgata uma das expressões que ficaram associadas ao estilo irreverente de Carlos Said. Durante a carreira na Rádio Pioneira de Teresina, da qual foi um dos fundadores, o radialista criou o termo “bilinguinguins do inferno” como uma alternativa aos insultos que não poderia utilizar no ar.

Assis Fernandes/ O DIA
Gustavo Saíd, jornalista, professor e escritor

Segundo Gustavo, o pai trabalhava em uma emissora católica e enfrentava restrições de linguagem, em um período que também foi marcado pela censura militar. O radialista, conhecido pela personalidade polêmica, encontrou nas expressões próprias uma maneira de manter sua característica de comunicação.

O livro também aborda episódios marcantes da vida pessoal de Carlos Said, incluindo momentos de superação e situações dramáticas. Aos 95 anos, o radialista passou por problemas de saúde após uma queda no ano passado, mas, segundo o filho, permanece lúcido e bem-humorado.

Gustavo espera que o pai possa participar do lançamento. A presença, no entanto, dependerá da sua condição de saúde no dia do evento.

De pai para filho

Um dos aspectos particulares da obra é a relação entre biógrafo e biografado. Gustavo reconhece que ser filho lhe permitiu acompanhar de perto acontecimentos narrados no livro, mas também exigiu cuidado para evitar omissões ou uma visão excessivamente favorável.

“Esse livro tem um aspecto testemunhal, porque eu vivi grande parte das histórias que eu conto. Eu presenciei a vida do meu pai”, explicou. Ao mesmo tempo, ele afirma ter praticado uma espécie de “auto-vigilância” durante a escrita para não exagerar os aspectos positivos do personagem.

Segundo Gustavo, Carlos Said sempre lhe deu liberdade para contar sua história. Ao finalizar a primeira edição, o escritor chegou a perguntar ao pai se havia algum episódio pessoal que ele preferia retirar da publicação. A resposta, segundo ele, foi direta: “A vida do Magro de Aço é um livro aberto. Pode publicar o que você quiser.”

A liberdade, porém, não tornou o processo simples. Gustavo conta que escrever sobre acontecimentos dolorosos da família, como a morte da mãe e os problemas de saúde enfrentados pelo pai, exigiu um esforço emocional significativo.

A nova edição de “Nos Bilinguinguins do Inferno: Eu, Carlos Said, o Magro de Aço” será apresentada ao público nesta quinta-feira (10), a partir das 18h30, no Cine Teatro da UFPI, no Espaço Rosa dos Ventos. O acesso é livre para admiradores, colegas de profissão e demais interessados na trajetória do radialista e na história da comunicação piauiense.