A Polícia Civil do Piauí perdeu nesta quarta-feira (30) uma de suas principais agentes. Trata-se da cadela K9 Catrina, que atuava no Núcleo de Operações com Cães, da Força Estadual Integrada de Segurança Pública (Feisp). Catrina era conhecida pelos teresinenses por participar das operações do Denarc (Departamento de Repressão ao Narcotráfico), como farejadora.
Mas a trajetória da cadela não se resume só ao combate ao crime. Catrina foi pioneira no Piauí no uso de cães farejadores pelas forças de segurança. Vinda de um canil em Goiás, de início, ela foi criada na casa de sua operadora, Adriana Sousa, que criou com a cadela um forte vínculo afetivo.
“Como era no começo e aqui ainda não tinha canil, ela foi para minha casa. A Catrina era a dona da casa, mesmo com o tamanho dela. Ela dormia com minhas filhas, me acompanhava nos treinos, me ajudou a amadurecer como pessoa e como profissional e mudou minha vida”, disse Adriana.
A policial participou do cortejo realizado nesta manhã (20) em homenagem a Catrina. O corpo da cadela saiu em escolta policial da sede do Denarc, no Parque Ideal, até o Cemitério Bom Descanso Pet, no bairro Angelim, passando em frente aos canis da Polícia Militar do Piauí, do NOC/FEISP e da Guarda Municipal, onde foram prestadas as últimas homenagens.
O cortejo foi uma forma de reconhecimento pelos serviços prestados por Catrina não só à Polícia Civil, mas à sociedade piauiense.
“Através dela, muitos que não acreditavam no trabalho de detecção com cães passaram a acreditar. Ela achava droga onde ninguém mais achava. As pessoas começaram a entender a importância do que ela fazia e não só isso. Começaram a criar carinho por ela. E ela própria adquiriu confiança, o que fez com que outras instituições começassem a investir no trabalho com cães”, pontuou Adriana.
Em uma homenagem final, a policial chamou Catrina de “incansável” e destacou que ela era uma cadela bastante ativa, mesmo depois que concluía seu trabalho. Ela recebia a recompensa dela, que era a bolinha, mas sempre continuava ali, a postos para trabalhar de novo. Ela ajudou no fortalecimento da nossa polícia e de mim mesma, como pessoa. A palavra que tenho para ela depois desses cinco anos juntas é só uma: gratidão”, finalizou Adriana.
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Quem também participou do cortejo foram os delegados Matheus Zanatta, superintendente de Operações Integradas da SSP-PI, e o delegado Samuel Silveira, coordenador do Drnarc, onde Catrina atuava. Zanatta disse que hoje o dia é triste e se referiu à cadela como “a primogênita” da Polícia Civil.
“Catrina foi nossa primogênita, foi o primeiro cão farejador da nossa Polícia Civil. Só criando o NOC [Núcleo de Operações com Cães] em 2023, porque nos espelhamos no trabalho dela. Nós vimos através dela a importância que o cão tem nas operações”, afirmou Zanatta, acrescentando que o NOC será batizado a partir de agora com o nome de K9 Catrina.
Já o delegado Samuel Silveira destacou o legado e a contribuição de Catrina para a Polícia Civil do Piauí. De acordo com ele, durante os seis em que atuou, a cadela auxiliou na apreensão de 226 armas de fogo e ajudou a diagnosticar espaços tomados pela criminalidade.
“Uma das armas que ela ajudou a apreender estava relacionada com até seis homicídios. Então imaginem quantas vidas não foram salvas a partir do trabalho da Catrina. Ela era uma cadela extremamente cativante. É um duplo prejuízo: o sentimental e o da excelência do trabalho dela para a segurança do Piauí”, finalizou o delegado.