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Após prisão de Maduro, mulher pede que imigrantes venezuelanos deixem Teresina; OAB-PI vê xenofobia

Um vídeo que circula nas redes sociais nesta segunda-feira (5) gerou grande repercussão. Nas imagens, uma mulher aparece abordando imigrantes venezuelanos em Teresina, da etnia Warao, pedindo que eles retornem para a Venezuela após a prisão do presidente Nicolás Maduro, anunciada pelos Estados Unidos no último sábado (3).

Reprodução
Mulher pede que imigrantes venezuelanos retornem ao seu país, após prisão de Maduro.

O vídeo foi publicado pela filha da mulher, que não teve a identidade revelada. Nas imagens, a autora da abordagem diz aos refugiados: “Volta para o país de vocês, vocês estão livres, Maduro foi preso.” Os imigrantes, aparentemente confusos ou indiferentes, não respondem às falas. Diante do silêncio, a mulher insiste: “Vão voltar para o país de vocês não? Ele foi preso, agora a Venezuela está livre, tem que ficar feliz, voltar para o país de vocês.”

O conteúdo rapidamente repercutiu nas redes, com críticas ao tom xenofóbico da abordagem. Usuários criticaram a abordagem aos refugiados que vivem no Brasil em razão de uma crise humanitária e econômica que há anos atinge o país vizinho.

Os primeiros venezuelanos da etnia Warao chegaram a Teresina em março de 2019, fugindo da crise que deixou famílias sem renda e em situação de insegurança alimentar. Desde então, a capital piauiense tem se tornado um dos destinos de acolhimento de refugiados no Nordeste.

OAB Piauí vê xenofobia

A presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PI, Jéssica Lima Rocha, classificou o episódio como um ato de violação à dignidade humana, alertando que imigrantes e refugiados não podem ser expostos publicamente ou tratados como objeto de entretenimento.

“Independente do acontecimento político que a gente vive, essas pessoas têm o direito livre de estar no Brasil e ainda estão em condição de refugiadas. Não podem, em hipótese alguma, serem motivadas a retornar ao seu país. Isso tem que vir com um plano de acolhimento, de inclusão e autonomia. Migrar para os refugiados não é uma escolha simples, não é um capricho, e não se encerra também com uma suposta mudança de cenário político”, declarou.

A advogada também destacou que crianças foram filmadas e expostas, o que configura uma violação dos direitos de imagem e de proteção integral, garantidos pela legislação brasileira.

Prefeitura de Teresina reforça apoio à comunidade venezuelana

O secretário executivo do SUAS, da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semcaspi), Douglas Cipriano, informou que 323 refugiados venezuelanos vivem atualmente em Teresina. Eles recebem alimentação completa e apoio financeiro, em cinco abrigos na capital, além de estarem incluídos em programas sociais como o Bolsa Família.

Segundo o gestor, cerca de R$ 1 milhão foi investido em 2025 em ações de assistência, em parceria com o Governo Federal. Cipriano afirmou ainda que a prefeitura continuará garantindo suporte à comunidade, independentemente do cenário político na Venezuela.

“A gente não pode expulsar nenhum imigrante. A luz do direito internacional, o Brasil é signatário de vários tratados. A gente não pode, porque mudou o regime lá, agora botar todo mundo na aeronave e deportar. Isso não existe”, disse o secretário.


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