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Acusado de homofobia, homem é preso por ameaçar e perseguir juíza do TJPI que julgava o caso

Um homem identificado como Cassimiro Neto foi preso na manhã desta terça-feira (22) no bairro Dirceu após ser investigado por ameaçar, perseguir e difamar uma juíza do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) que atua em um processo no qual ele responde por crime de homofobia.

Segundo o delegado Tales Gomes, que efetuou a prisão, Cassimiro teria ido ao Fórum Criminal onde a juíza trabalha para procurar a magistrada. Na ocasião, diante de servidores, ele teria feito acusações contra ela e questionado sua condução do processo. Ele chegou a conseguir o número pessoal da juíza através de um Boletim de Ocorrência e passou a enviar mensagens de áudio com ameaças, calúnias e difamações.

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Acusado de homofobia, homem é preso por ameaçar e perseguir juíza do TJPI que julgava o caso

O inquérito foi instaurado para apurar os crimes contra a honra e stalking, tendo a juíza como vítima. A magistrada não teve o nome informado.

O que chamou a atenção, segundo o delegado Tales, é que o processo por homofobia ao qual Cassmiro responde tem como vítima o próprio irmão dele, que também não teve o nome revelado. “Ele e o irmão estavam disputando uma herança de família, ao que consta, um imóvel. E durante a divisão, o Cassimiro proferiu ofensas de cunho homofóbico contra o irmão, motivo pelo qual foi denunciado e passou a ser investigado”, explicou.

Delegada pediu para deixar o caso porque não se sentia segura perto de Cassimiro

O irmão de Cassimiro registrou um boletim de ocorrência contra ele na Delegacia de Direitos Humanos, presidida pela delegada Syglia Brito Silva. No entanto, no decorrer do inquérito, coordenado por ela, Cassmiro teria lhe feito ameaças e coagido policiais. Por conta disso, a delegada pediu ao delegado-geral que nomeasse outro agente para continuar a investigação.

“Ela não se sentiu segura de continuar o andamento do inquérito contra ele, então pediu ao delegado-geral permissão para deixar o caso e ele nomeou a mim para assumir. E no decorrer dessa primeira investigação, descobrimos que ele [Cassimiro] vinha ameaçando a juíza responsável pelo processo que o irmão movia contra ele na justiça”, detalhou o delegado Tales Gomes.

Assis Fernandes/O Dia
Delegado Tales Gomes, diretor de Operações Especializadas da Polícia Civil

Cassimiro foi preso preventivamente hoje (22) e conduzido para a Delegacia de Proteção à Mulher do Centro. No entanto, ele se recusou a prestar depoimento à delegada titular da divisão, alegando que não falaria com uma delegada mulher. O delegado Tales, então, solicitou a ela que enviasse as perguntas a serem feitas e conduziu, ele mesmo, o interrogatório na Delegacia-Geral.

“Durante o interrogatório, ele confirmou que enviou mensagens à magistrada e disse ainda que esteve no local de trabalho dela e fez acusações de tráfico de influência e prevaricação contra a juíza. E ele ainda fez questão de que essas declarações fossem registradas no depoimento”, disse o delegado Tales.

O celular de Cassimiro também foi apreendido e será periciado.

Cassimiro já havia sido preso e condenado por atentado violento ao pudor

Além dos processos por homofobia contra o irmão e, agora, por calúnia e perseguição contra uma juíza, Cassimiro já tinha antecedentes criminais. Em 2009, segundo a polícia, ele foi preso e condenado por atentado violento ao pudor no Estado do Ceará. Na ocasião, ele teria praticado ou tentado praticar ato libidinoso na frente de uma criança a quem tinha acesso.

O delegado Tales não precisou exatamente qual caso foi e nem em que circunstâncias o crime ocorreu, mas afirmou que Cassimiro já tem passagem pelo sistema prisional. Ele ressaltou a agressividade do preso, que precisou inclusive ser contido com algemas na chegada da Delegacia-Geral por tentar atacar a imprensa.

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Acusado de homofobia, homem é preso por ameaçar e perseguir juíza do TJPI que julgava o caso

“Ela já tinha todo um histórico e extrapolou ao atingir uma magistrada que precisa ter a tranquilidade e a serenidade para julgar um caso que é bastante delicado, como o de homofobia. Ele é sim muito agressivo, rude. As pessoas da Delegacia de Direitos Humanos não se sentiram seguras em lidar com ele, tanto que eu tive que assumir o inquérito. Ele tentou ir para cima da imprensa quando chegou aqui e isso vai implicar no uso de algema. É o jeito”, afirmou Tales.

Cassimiro foi autuado por perseguição, ameaça, calúnia e difamação contra a juíza, mas o fato de ter se recusado a falar com uma delegada mulher reforça o que o delegado chamou de “traços claros de misoginia”, o que também terá peso no inquérito e na análise da manutenção da prisão preventiva. Cassimiro passará ainda nesta terça (22) por audiência de custódia.