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12 pessoas são denunciadas por fraude de combustíveis e lavagem de dinheiro no Piauí

O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) denunciou, na manhã desta quarta-feira (25), 12 pessoas investigadas na Operação Carbono Oculto 86, que apura um esquema de adulteração de combustíveis, fraudes contra consumidores e lavagem de dinheiro em postos de Teresina.

A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela 6ª Promotoria de Justiça e aguarda decisão do Judiciário sobre o recebimento.

Divulgação/SSP-PI
12 pessoas são denunciadas por fraude de combustíveis e lavagem de dinheiro no Piauí

Segundo a investigação, o grupo estaria ligado ao braço financeiro e operacional de uma organização criminosa com atuação nacional, inicialmente identificada no estado de São Paulo, mas com desdobramentos no Piauí.

As apurações apontam que os investigados atuavam por meio de redes de postos conhecidas como HD e Diamante, que já haviam sido alvo da Operação Carbono Oculto 86 em novembro de 2025. Na ocasião, a ação mirou um esquema de lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem econômica e resultou na interdição de diversas unidades das redes em todo o Piauí.

De acordo com a denúncia desta quarta-feira, os crimes incluem adulteração de combustíveis, fraude no abastecimento, falsidade ideológica e lavagem de capitais. Consumidores teriam percebido irregularidades ao longo do tempo e registrado boletins de ocorrência relatando prejuízos, especialmente relacionados a quantidade e a qualidade do combustível adquirido.

As práticas investigadas teriam ocorrido de forma contínua entre os anos de 2016 e 2025. Nesse período, autuações de órgãos de fiscalização contribuíram para identificar as irregularidades. De acordo com o promotor William Luz, as fraudes praticadas pelo grupo investigado se subdividiam em qualitativas e quantitativas. As quantitativas dizem respeito a rompimento dos lacres e manipulação dos sistemas de medição das bombas, algo que aconteceu com mais frequências entre 2021 e 2024. “Neste período, cerca de 70% das autuações foram feitas dentro da rede de postos investigada”, destacou.

Reprodução
Promotor de Justiça William Luz, titular do Gaeco do MPPI

Já as fraudes qualitativas foram constatadas pela Agência Nacional do Petróleo, que identificou fraude na composição dos combustíveis coletados. “A investigação mostrou que a fraude acontecia de forma planejada, existindo cálculos aritméticos a fim de operacional a execução dos crimes”, explica William Luz. O promotor acrescenta que foram oferecidas denúncias, quanto a estes casos específicos, por crimes contra a ordem econômica na área do sistema petrolífero e delitos contra as relações de consumo.

A investigação também aponta que os envolvidos teriam utilizado mecanismos para ocultar a origem de recursos, incluindo a criação de estruturas societárias com uso de terceiros, conhecidos como “laranjas”. A estratégia teria como objetivo dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido por meio das atividades ilícitas.

Além das acusações criminais, o órgão pede a condenação dos denunciados ao pagamento de indenização por dano moral coletivo, no valor de R$ 74,2 milhões. O processo ainda tramita sob sigilo parcial, e há pedido para liberação integral das informações.

A Justiça deverá decidir se recebe a denúncia e dá início à ação penal. Até que a decisão seja tomada, os investigados devem seguir sob as medidas cautelares já determinadas.


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