A Justiça Eleitoral do Piauí está integrando seus sistemas de inteligência para identificar, já durante o período de registro de candidaturas, possíveis vínculos de candidatos com facções criminosas. A medida faz parte da preparação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PI) para as eleições de 2026 e tem recebido reforço justamente porque, ainda nesta semana, encerra o prazo para partidos, federações e coligações apresentarem os pedidos de registro.
Os registros de candidatura serão recebidos até as 19h do sábado (15).
Segundo presidente do TRE-PI, desembargador José Wilson Ferreira de Araújo Júnior, a Corte ampliou a estrutura de segurança para o pleito e passou a reunir diferentes órgãos de inteligência. A intenção é cruzar informações e detectar eventuais candidaturas que tenham ligação com organizações criminosas antes que o processo eleitoral avance.
“Uma das primeiras providências que nós adotamos foi não só a instalação do Comitê Gestor de Segurança, mas também sua ampliação. Trouxemos novos atores, como a Abin, além daqueles que naturalmente já faziam parte em eleições anteriores, e ali nós já antecipamos os planos de segurança”, afirma.
De acordo com o desembargador, os planos de segurança já foram entregues às instituições envolvidas e existe atualmente uma integração completa entre os sistemas de inteligência.
O TRE-PI instituiu, em abril deste ano, o Comitê de Segurança das Eleições Gerais de 2026, com a finalidade de coordenar ações de segurança, gerenciar riscos relacionados ao processo eleitoral e monitorar candidaturas como possível vinculação a organizações criminosas. A estrutura reúne representantes de órgãos como Polícia Federal, Abin, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal e Ministério Público Eleitoral.
Facções se infiltrando na política preocupam a Justiça Eleitoral
A preocupação com a infiltração do crime organizado na política ganhou força no Piauí após as eleições municipais de 2024. O estado chegou a ser classificado pela Abin em “alerta amarelo” para a possibilidade de atuação de facções na política, com atenção especial à Região Norte. Em entrevista ao Portalodia.com em novembro de 2025, o então presidente do TRE-PI, desembargador Sebastião Ribeiro Martins, afirmou que as Câmaras Municipais eram uma das principais portas de entrada desses grupos na política.
O tema também passou a ser tratado como uma preocupação concreta pela Justiça Eleitoral após investigações envolvendo a vereadora Tatiana Medeiros (PSB), que foi investigada por suspeita de envolvimento com organizações criminosa e crimes relacionados a falsidade ideológica, corrupção eleitoral e lavagem de dinheiro.
Em março deste ano, o atual presidente do TRE-PI, desembargador José Wilson, já havia apontado as organizações criminosas, juntamente com as fake news e o uso de inteligência artificial, entre os principais desafios da Justiça Eleitoral para o pleito de outubro. Nesta quinta (13), o desembargador afirmou que, até o momento, não há nenhum caso identificado no Piauí de candidatura ligada a facção criminosa.
Ferramentas para os eleitores
Além da estrutura de segurança, o TRE-PI prepara novas tecnologias para as eleições. Uma delas é o Cajuina Lab, laboratório de inovação do Tribunal, que terá entre suas funcionalidades o Eleições Mais, o Kiwi e um novo canal de denúncias integrado ao Whatsapp. Segundo José Wilson, o Eleições Mais permitirá que o eleitor faça consultas sobre a Justiça Eleitoral diretamente pelo Whatsapp.
A ferramenta contará com a inteligência artificial Cristal, que poderá responder perguntas sobre a Justiça Eleitoral no Piauí e disponibilizar informações referentes às eleições desde o pleito de 2002.
Já o Kiwi permitirá ao eleitor consultar a situação das filas nos locais de votação. Basta que o eleitor informe sua zona eleitoral e sua seção de votação. O serviço mostrará como está o movimento naquele momento, permitindo que o eleitor tenha uma estimativa e escolha o melhor horário para votar.
O Cajuína Lab terá, ainda, um novo canal de denúncias pelo Whatsapp. As informações poderão ser encaminhadas por texto, áudio ou imagem e serão direcionadas ao Pardal, plataforma oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para recebimento de denúncias de propaganda irregular. “Todas as denúncias recebidas serão encaminhadas para análise da Justiça Eleitoral. Tudo aquilo que estiver fora do que a legislação permite será devidamente apurado”, finaliza o desembargador José Wilson.