O deputado estadual Fábio Novo (PT) voltou a criticar a situação do transporte público de Teresina após a Prefeitura anunciar um novo reajuste no subsídio destinado ao sistema. Segundo o parlamentar, mesmo com o aumento nos repasses financeiros, a população continua enfrentando um serviço considerado precário na capital.
Nessa terça-feira (26), o prefeito Silvio Mendes confirmou que a gestão municipal vai ampliar em 5% o valor do subsídio mensal pago ao Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina. Com isso, o repasse da Prefeitura sobe de R$ 6 milhões para R$ 6,3 milhões por mês.
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A decisão foi tomada após acordo mediado pela Justiça do Trabalho entre empresários e trabalhadores do setor, encerrando a ameaça de greve no transporte coletivo da capital.
Ao O Dia, Fábio Novo afirmou que o aumento no aporte financeiro não tem resultado em melhorias efetivas para os usuários do sistema.
“Nós tivemos na gestão do doutor Pessoa um subsídio de R$ 4 milhões. Subiu para R$ 6 milhões. E semana retrasada, o prefeito tinha dito publicamente que não daria nenhum aumento mais de subsídio. E hoje nós acordamos com um novo aumento para o subsídio. Agora mais R$ 300 mil, então já vai para R$ 6,3 milhões mês de subsídio. Detalhe, com R$ 4 milhões nós tínhamos 270 ônibus rodando em Teresina. Com R$ 6 milhões e 321 mil, que agora vai ser esse o subsídio, só são 213 ônibus rodando”, declarou.
O deputado também lembrou que o Governo do Estado reduziu em 50% a alíquota do ICMS sobre o óleo diesel para tentar ajudar o setor durante a crise enfrentada no transporte público da capital.
“Detalhe, aqui nesta casa, na Assembleia Legislativa, naquela crise muito forte que houve na gestão do doutor Pessoa, o governador mandou uma lei para cá e nós aprovamos. Eu fui relator, pedimos urgência. Para quê? Para reduzir em 50% o ICMS do óleo diesel. O Estado também está pagando por essa conta”, afirmou.
Segundo os cálculos apresentados pelo parlamentar, apenas a Prefeitura de Teresina deverá desembolsar mais de R$ 74 milhões em subsídios ao sistema de transporte coletivo ao longo deste ano.
“Então, nós vamos ter esse ano só a Prefeitura de Teresina pagando R$ 74.247.000 de subsídio para um sistema falido, que não funciona e que vive em eternamente crise. E só colocando mais dinheiro. E tenho repetido de forma reiterada como que você consegue continuar concedendo mais subsídios para o Setut que fiscaliza a própria linha. A prefeitura concede a linha e o Setut é quem fiscaliza a própria linha. Isso aqui é um poço sem fundo e quem paga a conta é a população de Teresina por um transporte de péssima qualidade, que é o que está acontecendo aqui na nossa capital”, criticou.
Durante a entrevista, Fábio Novo também sugeriu mudanças estruturais no modelo de gestão do transporte público da capital. Segundo ele, a criação de uma companhia municipal poderia reduzir custos e melhorar a qualidade do serviço prestado à população.
“Sairia muito mais barato a prefeitura hoje criar uma companhia municipal e ela começar a contratar empresas que lhe ofereçam ônibus novos. Se você botar R$ 6,3 milhões através de uma companhia municipal contratando diretamente os ônibus, nós vamos ter ônibus novos, mais baratos, mais aconchegantes e, com certeza, funcionando melhor o transporte público”, concluiu.
Outro lado
Por meio de nota, a Strans informou que o aumento do subsídio é mais uma das medidas do Poder Executivo municipal em tentar auxiliar na problemática do transporte publico de Teresina. Contudo, ressaltou que novos estudos estão sendo realizados para solucionar a crise do setor na capital.
NOTA À IMPRENSA
A Prefeitura de Teresina, por meio da STRANS, informa que o reajuste no subsídio do transporte público é mais uma medida adotada pela gestão municipal para atenuar os problemas enfrentados pelo sistema e garantir a continuidade da prestação do serviço à população.
A administração municipal reconhece que a medida, isoladamente, não solucionará todos os desafios do transporte coletivo, mas reforça que ela faz parte de um conjunto de ações voltadas à melhoria do sistema, aliado ao fortalecimento da fiscalização e da transparência na aplicação dos recursos públicos.
Paralelamente, a STRANS acompanha os estudos técnicos desenvolvidos com financiamento do BNDES para a construção de um novo plano diretor de reformulação do transporte público de Teresina, buscando soluções estruturantes, modernas e eficientes para a mobilidade urbana da capital.
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