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TCU manda aprofundar investigação sobre “Emendas Pix” em município do Piauí

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou o aprofundamento das investigações sobre o uso de recursos das chamadas “Emendas Pix” no município de Caridade do Piauí, localizada no Sul do estado. A decisão consta no Acórdão nº 1122/2026 do plenário da Corte e cita indícios de utilização irregular de verbas federais para pagamento de despesas com pessoal, prática proibida pela Constituição Federal.

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O volume de recursos recebidos por Caridade do Piauí chamou atenção dos órgãos de controle

A auditoria nacional foi realizada para fiscalizar transferências especiais feitas por parlamentares federais a estados e municípios. No caso de Caridade do Piauí, o TCU determinou que a Secretaria-Geral de Controle Externo aprofunde a análise das informações levantadas pelo Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI).

Segundo o relatório, há suspeitas de que recursos oriundos das transferências especiais tenham sido utilizados em despesas vedadas pela legislação, especialmente gastos com pessoal. O documento, no entanto, não aponta, neste momento, comprovação de desvio de recursos ou condenação do município, mas estabelece a continuidade das apurações.

As chamadas “Emendas Pix” foram criadas pela Emenda Constitucional 105/2019 e permitem que deputados e senadores destinem recursos diretamente para estados e municípios, sem necessidade de convênios prévios. O modelo vem sendo alvo de críticas em todo o país devido à dificuldade de rastreamento e fiscalização da aplicação do dinheiro público.

O volume de recursos recebidos por Caridade do Piauí chamou atenção dos órgãos de controle. Dados do TCE-PI apontam que o município recebeu R$ 9,4 milhões em emendas parlamentares até setembro de 2024. Na época citada pela auditoria, a cidade era administrada pelo então prefeito Toninho de Caridade (PSD), que também presidia a Associação Piauiense de Municípios (APPM).

Levantamentos divulgados anteriormente na imprensa nacional colocaram Caridade do Piauí entre os municípios brasileiros com maior volume per capita de recursos recebidos por meio das transferências especiais.

A Constituição Federal proíbe expressamente o uso de recursos das “Emendas Pix” para pagamento de pessoal ativo ou inativo, encargos da dívida pública e despesas incompatíveis com investimentos públicos.

No relatório, o TCU também aponta problemas estruturais relacionados às transferências especiais, como baixa rastreabilidade dos recursos, deficiência na transparência, fragilidade dos controles internos, dificuldades de fiscalização e risco elevado de uso político das verbas públicas.

Além de Caridade do Piauí, o tribunal também determinou aprofundamento de investigações em municípios de outros estados, como Miranda do Norte, no Maranhão, e Ouro Verde de Minas, em Minas Gerais, por suspeitas semelhantes envolvendo aplicação irregular de recursos federais.

Outro lado

A reportagem do PortalODia.com entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Caridade do Piauí. A gestão, por sua vez, informou que ainda não havia sido notificada sobre o assunto e que em breve divulgará um posicionamento oficial. O espaço segue aberto para esclarecimentos.


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