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Raimundo Júnior aponta "involução institucional" gerada pela polarização no país

Em análise sobre os desafios da advocacia piauiense e brasileira, o presidente da OAB-PI, Raimundo Júnior, alertou, em entrevista ao O Dia nesta quarta-feira (12), para os riscos que a polarização ideológica e o enfraquecimento das garantias profissionais representam para a democracia. Segundo o gestor, o país atravessa um momento de "involução" que exige uma retomada do equilíbrio institucional.

Assis Fernandes / O Dia
Raimundo Júnior defende prerrogativas dos advogados e de demais profissionais, como jornalistas.

O presidente da OAB-PI avalia que o cenário de forte divisão política no país tem gerado visões distorcidas, capazes de dificultar o avanço de pautas fundamentais, como a garantia e a proteção do exercício profissional dos advogados e de diversas outras carreiras.

“Hoje nós temos um estado ou um país dividido, com uma ideologia muito forte e opiniões que às vezes são enviesadas e não construtivas a partir das suas próprias ideologias. Eu digo sempre que um lado ou outro está certo dentro da sua ótica, sem fazer uma análise racional e sobre aquele contexto, isso às vezes termina interferindo em diversas situações”, defendeu.

Raimundo Júnior defende que as prerrogativas da advocacia não são um tema isolado, mas algo diretamente afetado por movimentos institucionais que atingem também outras áreas da sociedade, como o jornalismo. Ele descreve o fenômeno como uma perda de garantias básicas:

“A partir dessa divisão e dessa irracionalidade nós temos uma involução institucional de todos os players, seja do poder executivo, legislativo, do poder judiciário e isso termina afetando, seja às vezes na liberdade de expressão do jornalista, seja afetando às vezes nas prerrogativas da advocacia, seja às vezes afetando nas garantias e direitos de outras carreiras”.

Ele reforçou que o desrespeito ao advogado é, na prática, também um desrespeito ao cidadão que busca justiça, e exemplificou que, quando uma autoridade impede o trabalho de um advogado, é o direito do constituinte que está sendo violado.

“Quando um advogado ou uma advogada ele não é recebido numa agência do INSS ou tem dificuldade quem está sendo prejudicado não é o advogado e advogada, é aquele segurado que está buscando o seu direito”, concluiu.