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Piauiense ganha Prêmio Nacional de Literatura Infantojuvenil

O Piauí celebra mais uma conquista no meio acadêmico. Um aluno do Doutorado em História do Brasil da Universidade Federal do Piauí (Ufpi) foi contemplado com o Prêmio Nacional de Literatura Infantojuvenil para quilombolas e ciganos, do Ministério da Igualdade Racial do Governo Federal em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

Lenilson Rocha Portela ganhou o prêmio com seu livro “O Ciganinho de Jatobá”, publicado este ano. A obra adapta para a linguagem infantil a narrativa sobre o assassinato do cigano Roldão, que foi morto com 12 anos pela Polícia Militar do Piauí em 1913, a mando do então governador Miguel Rosa.

Lenilson contou que durante o processo de escrita, se debruçou em pesquisas sobre a figura história de Roldão e o local dos acontecimentos. “Fiz uma busca por aprofundamento, não só na persona do Roldão, mas também na história em si, uma vez que ela está atrelada ao massacre. Durante o processo de elaboração, tive a oportunidade de ter contato com o local onde existe um culto de maneira mais concreta, que é a cidade de Esperantina”, disse.

Divulgação/UFPI
Lenilson Rocha Portela escreveu o livro que ganhou o Prêmio Nacional de Literatura Infantojuvenil

O doutorando, que também é cigano da etnia Calon, definiu suas origens como algo impactante para a escolha do personagem central da narrativa. “O tema me interessa de modo muito particular, não só na dimensão acadêmica. Existe aí uma correlação a partir desse elemento pessoal, que eu vi despertar para o desenvolvimento de pesquisas sobre o conteúdo na academia”, explicou Lenilson.

A obra “O Ciganinho de Jatobá” apresenta uma narrativa que adequa a história de luta para uma linguagem própria para o público infantojuvenil. Lenilson explica que as criações que existem sobre o massacre não estão em linguagem acessível para crianças ou adolescentes e que a novidade de sua obra reside nisso. De acordo com ele, a narrativa visa chamar a atenção das crianças que sofrem o preconceito, mas sobretudo, das crianças, que promovem o preconceito aprendido em outros espaços.

Prêmio Nacional de Literatura Infantojuvenil para quilombolas e ciganos

O Ministério da Igualdade Racial (MIR), em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), promoveu a premiação com o intuito de reconhecer e premiar obras literárias infanto-juvenis que promovam, valorizem e preservem as tradições, conhecimentos e a diversidade cultural dos povos e comunidades tradicionais. Mais do que uma premiação em dinheiro, o prêmio representa um incentivo à continuidade de práticas ancestrais de oralidade e memória, e à criação de registros que assegurem a preservação das culturas quilombola e cigana para as futuras gerações.

O concurso ofertou três categorias distintas para as obras submetidas, sendo elas: Obra finalizada e que poderia ser republicada, Obra inédita finalizada e Obra inédita em finalização. A última modalidade foi a que Lenilson Portela concorreu e saiu vitorioso.

“Ele é muito relevante porque consegue dar visibilidade para um conjunto de experiências que muitas vezes ficam circunscritos a um espaço muito limitado. Essa divulgação permite uma circulação mais ampla do livro e ajuda no fortalecimento da própria lembrança do massacre, mas também na memória coletiva dos ciganos, no sentido de gerar algum tipo de empoderamento”, apontou Lenilson sobre a importância da premiação.

“A entrega do prêmio aconteceu em dezembro do ano passado, com uma premiação no valor de R$15.000 e houve uma solenidade, mas de modo remoto, uma vez que abrangia pessoas em diversas partes do país”, completou.

“O mérito do Prêmio foi todo dele, é um pesquisador excelente, muito estudioso e dedicado”, parabenizou o professor do PPGHB, Francisco de Assis do Nascimento.


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