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Piauí tem em média um bombeiro para cada 495 km²; segundo menor efetivo do país

O Piauí tem o segundo menor efetivo de bombeiros militares do Brasil, segundo levantamento do Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil, com dados extraídos das corporações estaduais em maio de 2025. De acordo com o estudo, o estado conta com 509 bombeiros militares na ativa, número superior apenas ao registrado por Roraima, que possui um efetivo de 503 profissionais.

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Piauí tem em média um bombeiro para cada 495 km²; segundo menor efetivo do país

Na prática, isso significa uma taxa de apenas 0,2 bombeiro para cada mil habitantes, a menor do país, empatando com Ceará, Maranhão e Pernambuco, os quatro estados nordestinos com pior cobertura da corporação.

A escassez de efetivo se reflete diretamente na área que cada bombeiro precisa cobrir: no Piauí, são cerca de 495 km² de território para cada profissional, uma das piores relações do país e bem acima da média nacional, que é de 135 km² por bombeiro militar.

Segundo o documento, o serviço de bombeiros opera sob a lógica do tempo de resposta: cada minuto adicional entre o acionamento e a chegada da equipe ao local da emergência traduz-se diretamente em maior risco de morte em ocorrências cardíacas, em maior perda patrimonial em incêndios, em menor probabilidade de resgate em situações de soterramento e afogamento, e em maior letalidade em acidentes de trânsito. 

“A ampla cobertura territorial por profissional, portanto, não é apenas um indicador de eficiência institucional, mas um determinante direto da capacidade do Estado brasileiro em salvar vidas em emergências”, aponta o levantamento.

Déficit se repete nas demais forças de segurança

O problema do efetivo reduzido não é exclusividade do Corpo de Bombeiros. Levantamento mostra que a Polícia Militar do Piauí também opera com defasagem significativa: dos 12.284 cargos previstos, apenas 6.951 estão preenchidos, uma relação de 56,6%, abaixo da média nacional, de 65,7%.

Na Polícia Civil, o cenário é semelhante. O estado conta com apenas 49,6% do efetivo previsto em atividade, ficando entre os seis estados brasileiros com o pior índice de preenchimento de vagas na corporação.

Já a Polícia Penal piauiense enfrenta a situação mais crítica entre as três instituições. De 2.100 cargos previstos, só 824 estão ocupados, uma taxa de ocupação de 39,2%. O Piauí integra, ao lado de Paraná, Rondônia, Rio Grande do Sul e Goiás, o grupo de estados com taxa de ocupação inferior a 50% na categoria, cenário que o relatório classifica como "particularmente preocupante" diante do crescimento da população carcerária.

Remunerações entre as mais baixas do país

Os dados salariais reforçam o quadro de fragilidade das corporações no estado. Entre os soldados da Polícia Militar, o Piauí paga em média R$ 5.462,74, uma das três menores remunerações do país nesse posto, atrás apenas de Paraíba e Maranhão.

Entre os oficiais, a situação é ainda mais grave: o salário médio de R$ 14.851,44 é o menor do Brasil na carreira. No topo da hierarquia, o cenário se repete, a remuneração média de um coronel da Polícia Militar no Piauí é de R$ 25.871,66, também a menor do país entre todos os estados, valor bastante inferior ao observado no Paraná, estado com a maior remuneração na patente.

O relatório destaca que remunerações baixas, especialmente na base da carreira, "indicam um cenário preocupante, com impactos diretos sobre a atratividade da profissão, a permanência dos profissionais e as condições de trabalho".

Avanços na legislação

Apesar dos indicadores de efetivo e remuneração, o Piauí aparece em posição de destaque em um ponto: a adequação da legislação estadual à Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis (Lei nº 14.735/2023). Segundo o levantamento, o estado é citado como um dos mais explícitos do país ao declarar formalmente, em sua legislação complementar, a conformidade com a norma federal, à frente de unidades que ainda não atualizaram sua legislação após a lei nacional.

Contratações após maio de 2025

Em julho deste ano, o Governo do Estado nomeou 200 novos soldados para compor o efetivo do Corpo de Bombeiros Militar do Piauí. Os novos militares reforçaram as equipes de busca e salvamento nas novas sedes dos Bombeiros nas cidades de Uruçuí, Bom Jesus, Corrente, Campo Maior, Valença e Paulistana.

O Portal O Dia entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI) para comentar os dados, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.

O que diz o Corpo de Bombeiros do Piauí

Em nota encaminhada ao Portal O Dia, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Piauí (CBMEPI) informou que tem ampliado a capacidade operacional da corporação por meio do reforço do efetivo, da expansão da estrutura física e da aquisição de novas viaturas, equipamentos e tecnologias. Segundo a instituição, as medidas buscam fortalecer o atendimento à população em ocorrências de incêndios, salvamentos e demais emergências.

A corporação destacou que, entre julho de 2024 e julho de 2025, foram nomeados 260 novos bombeiros militares para reforçar o efetivo. No mesmo período, também foram realizadas mais de 88 promoções. Em 2026, outros 77 oficiais ascenderam na carreira.

"Entre os principais avanços está a nomeação de 260 novos bombeiros militares, reforçando o efetivo da corporação. No período entre julho de 2024 e julho de 2025, também foram realizadas mais de 88 promoções. Em 2026, 77 oficiais ascenderam na carreira, em reconhecimento ao desempenho e à dedicação dos profissionais", informou a corporação.

Confira a nota na íntegra:

"O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Piauí (CBMEPI) ampliou sua capacidade operacional com o reforço do efetivo, a expansão da estrutura no interior e a aquisição de novas viaturas, equipamentos e tecnologias. As medidas fortalecem o atendimento à população em ocorrências de incêndios, salvamentos e atendimentos de emergência.

Entre os principais avanços está a nomeação de 260 novos bombeiros militares, reforçando o efetivo da corporação. No período entre julho de 2024 e julho de 2025, também foram realizadas mais de 88 promoções. Em 2026, 77 oficiais ascenderam na carreira, em reconhecimento ao desempenho e à dedicação dos profissionais.

A estrutura física do CBMEPI também está sendo ampliada. Foram investidos R$ 781.205,83 na implantação de novas unidades, levando a presença da corporação para regiões que anteriormente não contavam com quartéis. Para agosto, estão previstas inaugurações em Água Branca, Luís Correia, Campo Maior, Paulistana, Valença, Corrente, Bom Jesus e Uruçuí.

Além da expansão da rede de atendimento, o CBMEPI recebeu mais de R$ 10 milhões em investimentos em viaturas, equipamentos e tecnologia. Entre as aquisições estão quatro caminhões Auto Bomba Tanque para combate a incêndios, uma viatura operacional, duas ambulâncias para atendimento pré-hospitalar, equipamentos de mergulho e drones para apoio em operações estratégicas."