O número de denúncias de possíveis irregularidades na propaganda eleitoral registradas pelo aplicativo Pardal no Piauí aumentou 40% em apenas quatro dias. O sistema contabilizava 25 ocorrências até domingo (23) e chegou a 35 nesta quinta-feira (27), segundo dados da Justiça Eleitoral.
Os novos registros foram feitos por eleitores de dez municípios piauienses. Teresina concentra a maior parte das denúncias, com 23 ocorrências. Também aparecem na lista Parnaíba, Barras, Piripiri, Campo Maior, Monsenhor Gil, Picos, Uruçuí, Canto do Buriti e São Raimundo Nonato.
Entre os 35 registros, os tipos de irregularidade mais frequentes são relacionados à adesivagem de veículos e ao uso de carros de som, minitrios ou trios elétricos, com seis denúncias cada. O cargo mais citado nas ocorrências é o de deputado estadual, com 18 registros.
Também foram contabilizadas seis denúncias envolvendo candidatos a deputado federal, duas relacionadas a candidatos ao governo do Estado e uma referente à disputa pelo Senado. O sistema registra ainda ocorrências envolvendo diferentes formas de propaganda eleitoral.
Até esta quinta-feira (27), oito das 35 denúncias, o equivalente a 22,86%, já haviam sido autuadas e transformadas em processos que tramitam no Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI).
Outras 11 ocorrências, correspondentes a 31,43% do total, permaneciam em análise. Nessa etapa, os registros podem resultar na abertura de processos ou ser arquivados após a apuração.
Ao todo, 16 denúncias, ou 45,71% dos registros, já haviam sido arquivadas. Os dados do Pardal são públicos e permitem acompanhar a quantidade de ocorrências, os municípios envolvidos e a situação dos registros.
O aplicativo começou a receber denúncias para as Eleições 2026 em 16 de agosto. Desde então, eleitores podem utilizar a ferramenta para comunicar à Justiça Eleitoral situações relacionadas especificamente à propaganda eleitoral irregular.
Como denunciar
Para registrar uma ocorrência, o usuário precisa se identificar por meio do e-Título ou da plataforma Gov.br. Apesar da necessidade de identificação para o envio, a identidade do denunciante é mantida sob sigilo.
A denúncia pode ser acompanhada de fotos, vídeos, áudios, endereços eletrônicos ou outros elementos que possam ajudar na apuração da suposta irregularidade. Depois do envio, o sistema fornece um número de protocolo para acompanhamento.
O Pardal, porém, não é o canal destinado a todos os tipos de crimes ou irregularidades eleitorais. Situações como compra de votos, uso indevido de bens públicos e doações irregulares devem ser comunicadas ao Ministério Público Eleitoral.
O sistema possui uma versão móvel, disponível para celulares e tablets, além do Pardal Web, que permite consultar estatísticas públicas das denúncias. Há ainda um ambiente administrativo utilizado pela própria Justiça Eleitoral para gerenciar os registros recebidos.