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Piauí registra 415 desaparecimentos no primeiro semestre de 2026

O Piauí registrou 415 pessoas desaparecidas nos seis primeiros meses de 2026, uma média de mais de dois casos por dia. O número representa aumento de 16,57% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 356 desaparecimentos. Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Nathalia Amaral/O Dia
Piauí registra 415 desaparecimentos no primeiro semestre de 2026

Entre as pessoas desaparecidas nesse ano, 280 eram homens, 119 mulheres e 16 registros não informavam o sexo. Quanto à faixa etária, 336 pessoas tinham mais de 18 anos, 67 tinham até 17 anos e 12 registros não informavam a idade.

O especialista em Segurança Pública, Otoniel Prado, afirmou que, apesar do aumento dos casos, ainda há uma subnotificação dos desaparecimentos no estado, já que muitas famílias não buscam as autoridades para registrar as ocorrências. Segundo o pesquisador, a limitação de efetivo também se revela como um desafio tanto para o Piauí quanto para o restante do país.

"Chama bastante a atenção que as famílias das vítimas ainda tenham medo por razões diversas (vulnerabilidade financeira e social) ou preferem recorrer a outros meios para solucionar o caso de desaparecimento. O Estado ainda tem dificuldades para investigar os casos, seja porque não dispõe de efetivo compatível com as exigências investigativas, seja porque também não toma conhecimento dos casos", disse.

Em relação ao fato de que homens adultos representam a maioria dos casos de desaparecimentos, o especialista destaca que a explicação pode ser social, como o peso da exigência de ser o provedor financeiro da família, que pode acarretar um maior envolvimento com a criminalidade ou conflitos urbanos, além de problemas com drogas, álcool e sofrimento mental.

Um dos mitos relacionados aos desaparecimentos e que podem dificultar a investigação é a necessidade de esperar 24 horas para registrar um boletim de ocorrência. No entanto, segundo a Polícia Civil, a orientação é procurar a delegacia mais próxima e registrar o boletim assim que a ausência incomum da pessoa for percebida.

"A família deve registrar imediatamente o Boletim de Ocorrência policial (sem prazo de espera) e, no âmbito cível, acionar a Justiça para requerer a curatela dos bens do ausente, a declaração de ausência (após um ano sem notícias) e, se houver perigo de vida evidente, a morte presumida para garantir direitos previdenciários e sucessórios", disse.

Apesar do número elevado de casos, o Piauí não está entre os estados nordestinos com as maiores taxas de desaparecimento. O estado registrou 20,97 casos a cada 100 mil habitantes, ficando atrás de Sergipe (24,67), Pernambuco (23,97), Bahia (23,00), Alagoas (22,67) e Ceará (21,67). Na outra ponta, a taxa piauiense foi superior à registrada na Paraíba (20,82), no Rio Grande do Norte (19,45) e no Maranhão (17,50).

No Nordeste, 7.305 pessoas desapareceram entre janeiro e junho de 2026, uma média de cerca de 40 casos por dia. O número representa alta de 1,53% em relação ao mesmo período do ano passado. Bahia, com 1.998 casos, Pernambuco, com 1.340, e Ceará, com 1.176, aparecem com os maiores números absolutos da região.

Em todo o Brasil, foram registrados 43.910 desaparecimentos no primeiro semestre de 2026, uma média de aproximadamente 243 casos por dia. Em comparação com os 41.888 registros do mesmo período de 2025, houve aumento de 4,83%.

São Paulo lidera o número absoluto de desaparecimentos, com 10.414 registros nos seis primeiros meses do ano. Minas Gerais aparece em segundo, com 4.864 casos, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 4.037.

Com 415 casos, o Piauí ocupa a 21ª posição no ranking nacional em números absolutos. O estado fica à frente apenas de Rio Grande do Norte, Sergipe, Tocantins, Amapá, Roraima e Acre.

Tânia Rêgo/Agência Brasil
Piauí registra 415 desaparecimentos no primeiro semestre de 2026

Coleta de DNA busca ajudar na identificação de desaparecidos

Entre os dias 24 e 28 de agosto, familiares de pessoas desaparecidas poderão participar de uma mobilização nacional para coleta de material genético. A ação busca reunir amostras que possam ser comparadas com perfis genéticos de pessoas não identificadas.

No Piauí, a coleta será realizada pelo Instituto de DNA Forense, em Teresina. Familiares poderão fornecer amostras biológicas para a criação de perfis genéticos e posterior inclusão no Banco Nacional de Perfis Genéticos.

Também poderão ser entregues objetos de uso pessoal da pessoa desaparecida que contenham material biológico, como escova de dentes e aparelho de barbear. Esse material pode servir como referência para a identificação.

Ascom/SSP-PI
Instituto de DNA Forense da Polícia Científica do Piauí

Dia D

A principal ação da mobilização no Piauí será realizada em 26 de agosto, a partir das 7h30, no Instituto de DNA Forense da Polícia Científica, localizado na Rua Francisca de Melo Lobo, no bairro Saci, zona Sul de Teresina. A participação é gratuita e voluntária. A coleta pode ajudar a estabelecer vínculos entre pessoas desaparecidas e familiares e contribuir para esclarecer casos que permanecem sem identificação.

Além do Instituto de DNA Forense, a ação contará com a participação da Delegacia Especializada em Pessoas Desaparecidas, vinculada à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e dos 12 Núcleos Regionais de Polícia Científica espalhados pelo estado.

Otoniel Prado destaca que a coleta de DNA é uma poderosa e ágil ferramenta para identificar pessoas desaparecidas, isso porque o material coletado pode ser cruzado com perfis de pessoas não identificadas, por meio do Banco Nacional de Perfis Genéticos. "A coleta de DNA de familiares é uma ferramenta poderosa para identificar pessoas desaparecidas. O material genético recolhido dos parentes é inserido em bancos de dados forenses nacionais e comparado de forma contínua com perfis de corpos ou pessoas encontradas sem identificação, permitindo solucionar casos antigos ou recentes com alta precisão científica", explicou.