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Piauí registra 177% a mais em tentativas de feminicídio no primeiro trimestre de 2026

O Piauí registrou um aumento alarmante de tentativas de feminicídio no primeiro trimestre de 2026: um crescimento de 177,78% em relação ao mesmo período do ano anterior, entre os meses de janeiro e março. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) nesta semana, por meio do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).

Tânia Rêgo/Agência Brasil
Feminicídios no Piauí expõem avanço de casos no interior e falhas no enfrentamento à violência.

Em 2026, o estado contabilizou 25 casos de tentativa de feminicídio, contra 9 registrados em 2025. A maioria das ocorrências se deu no interior do estado; Teresina chegou a registrar três casos. O mês de março foi o de maior incidência, com 15 tentativas, um dado que, somado aos 3 casos de janeiro e aos 7 de fevereiro, revela um escalonamento crítico e progressivo da violência contra a mulher no estado.

O aumento das tentativas reflete, em parte, uma redução dos feminicídios consumados: os casos diminuíram 75% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025. Foram 5 casos em 2026, contra 20 no ano anterior. O dado atual revela que todas as vítimas de feminicídio eram do interior do estado, nos municípios de São Lourenço do Piauí, Uruçuí, Dom Expedito Lopes, Dom Inocêncio e Alvorada do Gurgueia.

Janeiro foi o mês com o maior número de vítimas (3 casos), enquanto fevereiro e março registraram um caso cada. De janeiro a dezembro de 2025, foram contabilizados 37 casos de feminicídio no Piauí; a maioria, 29, concentrou-se no interior do estado, e Teresina registrou 8 ocorrências.

Os números reforçam que a violência letal contra mulheres em território piauiense avança, sobretudo, fora da capital, onde o acesso à rede de proteção é mais limitado, apesar das políticas públicas e da atuação das forças de segurança.

Em entrevista concedida no início do ano ao Portal O Dia, a delegada Eugênia Villa apontou que as principais motivações para o feminicídio têm ligação com uma masculinidade fragilizada e uma tentativa de reafirmação de poder, em que o agressor sente que perdeu o controle sobre a mulher e reage com violência extrema. "O que está em jogo é a masculinidade dele, colocada em xeque", afirmou, relacionando o crime a uma cultura patriarcal que naturaliza a violência contra as mulheres.

Assis Fernandes/O Dia
Eugênia Villa, delegada e sub-secretária da SSP-PI

A delegada defendeu que deve existir um enfrentamento conjunto: com o Estado reforçando a punição e a proteção das mulheres, e a sociedade rejeitando qualquer forma de tolerância à violência. "É preciso dizer basta. Não é natural que mulheres sofram agressões", concluiu Villa.

Canais de atendimento e denúncia

– "Ei, Mermã, Não se Cale" (24h): 0800 000 1673

– Ligue 180: Central Nacional (24h)

– COPOM – Polícia Militar: 190

– Guarda Municipal: 153

– Casa da Mulher Brasileira (Teresina): (86) 99412-2719

– BO Fácil: 0800 086 0190


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