O Piauí poderá receber parte de um pacote de investimentos estimado em R$ 5,68 bilhões para ampliar a infraestrutura de transmissão de energia no Nordeste e viabilizar a instalação de grandes empreendimentos industriais e tecnológicos no estado. A proposta foi apresentada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em estudo divulgado nesta semana, que aponta a região de Parnaíba, na planície litorânea, como um dos principais polos estratégicos para a expansão de cargas eletrointensivas no país.
Segundo o levantamento, os recursos serão destinados à construção de novas linhas de transmissão e subestações capazes de atender projetos de grande consumo energético, como data centers e plantas voltadas à produção de hidrogênio verde. A iniciativa integra o Estudo Prospectivo para Inserção de Cargas Eletrointensivas na Região Nordeste, elaborado pela EPE para identificar soluções que permitam a conexão de novos empreendimentos ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 2032.
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De acordo com a EPE, o Piauí e o Ceará concentram mais da metade da demanda potencial por acesso à rede elétrica registrada atualmente no Nordeste. Dos 31,8 gigawatts (GW) de solicitações de conexão mapeadas pela empresa, 22,1 GW estão localizados nos dois estados. Grande parte dessa demanda está ligada à cadeia produtiva do hidrogênio verde, responsável por 23,5 GW dos pedidos, enquanto os data centers representam outros 8,3 GW.
O estudo destaca que Parnaíba ganhou protagonismo no planejamento energético nacional devido ao elevado interesse de investidores e à limitação da capacidade atual da rede de transmissão. Até janeiro de 2025, a região formada por Parnaíba e Pecém acumulava dez solicitações de acesso negadas por falta de infraestrutura disponível.
Para solucionar o problema, a EPE propõe a construção de aproximadamente 1.848 quilômetros de novas linhas de transmissão em 500 kV, interligando os estados do Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte.
O pacote também prevê a implantação da Subestação Pecém IV, no Ceará, considerada peça-chave para a conexão de futuros empreendimentos industriais. Além disso, o projeto eliminará gargalos existentes entre os sistemas de transmissão do Ceará e do Piauí, ampliando significativamente a capacidade de atendimento da região.
A expectativa é permitir a inserção de até 4 GW de novas cargas elétricas nas regiões de Parnaíba e Pecém, volume considerado suficiente para atrair grandes investimentos industriais e tecnológicos.
Investimentos serão realizados por etapas
O cronograma elaborado pela EPE prevê uma implantação gradual da infraestrutura. A primeira fase deverá entrar em operação até 2032, com investimentos estimados em R$ 1,09 bilhão. Os demais R$ 4,59 bilhões serão executados conforme a confirmação da demanda por energia dos empreendimentos interessados em se instalar na região.
No caso específico de Parnaíba, uma primeira linha dedicada de transmissão deverá ser construída quando a demanda local atingir 500 megawatts (MW). Uma segunda conexão ficará condicionada ao alcance de 2,5 GW de carga contratada.
Hidrogênio verde e data centers no radar
A ampliação da capacidade energética é considerada essencial para consolidar o Nordeste como um dos principais polos brasileiros de produção de hidrogênio verde e instalação de centros de processamento de dados.
Segundo a EPE, os testes realizados demonstraram que o Sistema Interligado Nacional possui condições de absorver até 4 GW adicionais de carga na região sem comprometer a estabilidade operacional da rede. Apesar disso, a empresa recomenda que futuros empreendimentos realizem estudos específicos durante o processo de conexão para avaliar eventuais impactos técnicos decorrentes da operação de grandes blocos de consumo.
Planejamento busca atrair novos investimentos
A estatal também avalia que a nova Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão deverá contribuir para um planejamento mais eficiente da expansão da rede elétrica, permitindo que os investimentos acompanhem a demanda real dos empreendimentos.
Para o Piauí, o estudo reforça a posição estratégica de Parnaíba no mapa energético nacional e abre caminho para a atração de novos projetos ligados à transição energética, tecnologia e industrialização, setores considerados prioritários para o desenvolvimento econômico da região nas próximas décadas.