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Piauí ganha uma nova academia ou assessoria esportiva a cada dois dias

A busca por um estilo de vida mais ativo tem impulsionado o setor de saúde e bem-estar no Piauí. Dados da Junta Comercial do Estado (Jucepi) apontam um crescimento acelerado no número de estabelecimentos voltados à prática esportiva. Atualmente, o estado soma 1.912 empresas ativas no segmento. Somente entre janeiro e abril de 2026, foram abertas 84 novas empresas, o que representa a média de uma academia ou assessoria esportiva inaugurada a cada dois dias no Piauí.

Arquivo O Dia
Piauí ganha uma nova academia ou assessoria esportiva a cada dois dias

O número já corresponde a mais de 36% de todas as empresas abertas no segmento durante o ano de 2025, quando foram registrados 231 novos empreendimentos. Para efeito de comparação, em todo o ano de 2024 foram constituídos 216 novos negócios ligados à área de saúde e bem-estar no estado.

Os dados são vistos com otimismo por quem atua no setor, principalmente por causa do aumento da concorrência e da ampliação da oferta de espaços voltados a públicos cada vez mais diversos. Teresina, por exemplo, concentra 793 empresas ativas no segmento de atividades físicas e registrou um boom na expansão das academias de rede nos últimos anos, especialmente após a pandemia.

A chegada das academias de rede também tem impulsionado a diversificação dos espaços destinados às práticas esportivas. É o que explica Danys Marques, presidente do Conselho Regional de Educação Física (CREF-PI).

A tendência é que as academias que entram no mercado hoje sejam cada vez mais especializadas, porque as academias de rede não têm espaço para atividades específicas, apenas musculação e, no máximo, aulas coletivas. As academias menores podem desenvolver um trabalho diferenciado e oferecer serviços voltados para práticas específicas.

Danys Marquespresidente do CREF-PI

O CREF tem observado o retorno de uma antiga tendência do setor: os espaços voltados para modalidades específicas, como corrida e lutas. Os clubes de luta — hoje chamados de arenas — eram bastante comuns na década de 1970, mas perderam força à medida que academias maiores passaram a oferecer ambientes mais diversificados.

No caso das corridas, a modalidade tem conquistado cada vez mais adeptos, especialmente em Teresina. Segundo Danys, a tradição da capital como polo de saúde ajuda a explicar esse movimento. “Uma coisa puxa a outra. A Medicina recomenda a prática esportiva como forma de promoção da saúde, e isso fez o setor aquecer economicamente”, explica.

Arquivo/ José Cruz/ Agência Brasil
Piauí ganha uma nova academia ou assessoria esportiva a cada dois dias

Até maio de 2026, o CREF contabilizava mais de 9 mil profissionais de Educação Física cadastrados no Piauí, atuando em academias, assessorias e escolas. Outro ponto que chama atenção é o avanço da especialização profissional, com educadores físicos atuando junto a públicos específicos, como idosos, neurodivergentes, gestantes e pessoas com comorbidades.

Outro aspecto destacado por Danys é a facilidade do processo para abertura de empresas no setor esportivo. Basta apresentar a documentação exigida pelo Conselho, solicitar os alvarás da Prefeitura, do Corpo de Bombeiros e da Vigilância Sanitária, além de registrar o CNPJ da empresa junto à Jucepi.

Crescimento das empresas e atuação profissional

A expansão do setor tem ampliado as oportunidades para profissionais de Educação Física, embora ainda exista discrepância salarial conforme a área de atuação e o nível de qualificação. A Associação dos Profissionais de Educação Física do Piauí (Apef) destaca que o aumento no número de estabelecimentos abriu novas portas, mas ressalta que os melhores rendimentos continuam concentrados entre profissionais mais qualificados, especializados e com perfil empreendedor.

O crescimento das academias e assessorias esportivas também trouxe o aumento da informalidade e da atuação irregular de pessoas sem formação completa ou registro profissional. A Apef faz o alerta, enquanto o CREF-PI intensifica a fiscalização. Apenas no primeiro trimestre de 2026, o Conselho fiscalizou 538 estabelecimentos em 67 municípios piauienses. Ao todo, foram identificados 23 casos de exercício ilegal da profissão e 101 empresas em situação irregular.

Arquivo Pessoal
Atividades físicas devem ser acompanhadas por profissionais regulamentados

Um dos pontos que mais preocupa as entidades representativas do setor é a expansão das academias “low cost”, que trabalham com mensalidades mais baratas e acabam concentrando um grande número de alunos. Demóstenes Ribeiro, presidente da Apef, afirma que o modelo é financeiramente viável, mas provoca impactos negativos sobre a mão de obra.

“Em muitas academias desse modelo, um único profissional precisa supervisionar dezenas ou até centenas de alunos ao mesmo tempo. Isso transforma o professor em um simples ‘fiscal de salão’, reduzindo a essência do trabalho da Educação Física, que deveria envolver avaliação, orientação individualizada, correção técnica e promoção da saúde”, pontua Demóstenes.

Arquivo Pessoal
Demóstenes Ribeiro, presidente da Associação dos Profissionais de Educação Física do Piauí

Apesar do crescimento expressivo no número de estabelecimentos de atividades físicas no Piauí, o mercado ainda não demonstra sinais de saturação. Profissionais do setor afirmam que há espaço para diferentes modelos de negócio, mas ressaltam que, em um segmento cada vez mais competitivo, é essencial investir em qualidade e em atendimentos especializados.

“Tem que haver qualidade no serviço. Se houver qualidade, existe espaço para crescer e se manter. A prova disso está na adesão do público, na quantidade de academias lotadas e no número de pessoas praticando atividades físicas com acompanhamento especializado”, finaliza Danys Marques, presidente do CREF-PI.


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