Portal O Dia

Piauí entra no período crítico para queimadas com alerta para os próximos três meses

O Piauí entra nas semanas que antecedem o período mais crítico para queimadas com parte da vegetação já ressecada e registros de novos focos de incêndio. A combinação de calor, baixa umidade do ar e vegetação seca favorece a propagação do fogo, principalmente entre setembro e novembro.

Divulgação/Corpo de Bombeiros do Piauí
Piauí entra no período crítico para queimadas com alerta para os próximos três meses

O período, conhecido popularmente como B-R-O-Bró, concentra as condições mais favoráveis para a ocorrência de queimadas no estado. Embora o período de estiagem se estenda até dezembro, setembro, outubro e novembro são apontados pela Defesa Civil como os meses de maior atenção.

Segundo Werton Costa, diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, o calor intenso, a baixa umidade e o excesso de radiação tornam esses meses mais propícios à propagação das chamas. “Realmente, vamos ter que atravessar esse deserto que é setembro, outubro e novembro, que são os três piores meses. É inevitável, teremos muito calor, baixa umidade, excesso de radiação e altíssimo risco de fogo”, destaca.

A mudança nas condições da vegetação já pode ser percebida em diferentes regiões do estado. Áreas que antes apresentavam cobertura verde começam a ficar acinzentadas, indicando perda de umidade e aumento da quantidade de material seco disponível para alimentar incêndios.

A Defesa Civil já recebe notificações sobre queimadas e incêndios florestais e mantém o monitoramento de áreas consideradas mais vulneráveis. A atuação faz parte do Pacto Piauí Sem Queimadas, lançado pelo Governo do Estado em junho, com ações de prevenção, fiscalização e orientação, além de medidas relacionadas à segurança hídrica.

O DIA
Vegetação seca favorece avanço das chamas

Com a perda de umidade, a vegetação passa a oferecer mais material para alimentar o fogo. Por isso, a Defesa Civil orienta que moradores evitem queimadas para limpeza de terrenos, monturos, palhadas e áreas de mato durante o período de maior risco.

O alerta está relacionado principalmente ao uso do fogo em locais onde a vegetação já está seca. Nessas condições, as chamas podem avançar para áreas próximas e atingir propriedades e estruturas.

“A gente tem hoje a biomassa ressecada, a vegetação está seca. Isso aí é combustível puro, é como jogar gasolina no fogo. Então, a gente recomenda muito que as pessoas evitem o famoso ‘fogo no monturo’, fogo na palhada, fogo no mato. Há pessoas que têm essa cultura, mas não se produz nada com isso”, destaca.

Incêndios iniciados em áreas rurais ou nas proximidades de rodovias também podem atingir propriedades vizinhas e redes elétricas. A fumaça pode ser levada pelo vento para outras áreas, afetando moradores que não tiveram participação no início da ocorrência.

Descarte de cigarro e lixo aumenta risco nas rodovias

O comportamento de motoristas e passageiros também entra no conjunto de medidas preventivas para o período. Em áreas com vegetação seca, o descarte de objetos às margens das rodovias pode contribuir para o início de incêndios.

Werton Costa chama atenção para bitucas de cigarro e  resíduos inflamáveis  nas estradas. Além do risco de provocar fogo, o descarte pode resultar em responsabilização pelas consequências. “Ali, você tem duas infrações: uma ao Código de Trânsito Brasileiro, por lançar um objeto para fora do veículo, e outra que configura crime ambiental.”

A prevenção também envolve a manutenção das margens das rodovias. A redução da vegetação rasteira diminui a quantidade de material seco disponível e pode limitar a propagação das chamas.

Segundo Werton, DNIT e DER iniciaram o roço lateral das rodovias. “Essas duas instituições estão iniciando o roço lateral de rodovias, porque quando a gente diminui essa vegetação rasteira, essa grama ressecada e esse mato, a gente diminui o combustível que permite a propagação do fogo", explica Werton Costa.