Em dezembro de 2025, dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelaram que o Piauí contava com apenas 366 estabelecimentos com 100 ou mais empregados, responsáveis por 113,2 mil dos vínculos empregatícios do estado. Segundo o Caged, o Piauí encerrou o ano passado com 352.054 vínculos ativos no mercado formal, o que significa que apenas 29,6% dos empregos estão ligados às grandes empresas, enquanto as pequenas e microempresas respondem por expressivos 70,4% da força de trabalho piauiense.
Os dados integram o Painel do Relatório de Transparência Salarial, divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pelo Ministério das Mulheres, em conjunto com o 5º Relatório Nacional de Igualdade Salarial.
Os números reforçam uma tendência já apontada pela Junta Comercial do Piauí (Jucepi) em seu Painel de Dados Empresariais: das 328 mil empresas ativas no estado, 43% são microempresas, 43% são microempreendedores individuais, 4,42% são de pequeno porte e as demais representam 9,68% do total, confirmando o papel central dos empreendimentos de menor porte na geração de emprego e renda no Piauí.
Emprego por sexo e etnia nas grandes empresas
Nas empresas com 100 ou mais empregados no Piauí, os homens ocupam a maior fatia dos vínculos, com 67,3 mil trabalhadores — dos quais 57,7 mil eram negros (85,7%) e 9,5 mil não negros (14,2%). As mulheres representam 40,5% dos vínculos nesse recorte, totalizando 45,8 mil ocupações: 37,8 mil por mulheres negras (82,5%) e 8 mil por mulheres não negras (17,5%). O relatório não traz dados de gênero e etnia para as empresas com menos de 100 funcionários.
Desigualdade salarial persiste
No Piauí, a remuneração média das mulheres nos estabelecimentos com 100 ou mais empregados em dezembro de 2025 foi de R$ 2.680,35, ante R$ 2.911,49 dos homens. Entre as mulheres, a disparidade racial também é evidente: mulheres negras receberam, em média, R$ 2.505,01, enquanto mulheres não negras chegaram a R$ 3.501,35. Entre os homens, negros tiveram rendimento médio de R$ 2.734,27, ao passo que homens não negros alcançaram R$ 3.980,96.
Em âmbito nacional, o 5º Relatório de Transparência Salarial aponta avanços significativos no mercado de trabalho formal em 2025, com destaque para a ampliação da participação feminina, em especial o crescimento da contratação de mulheres negras em grandes empresas.
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O número de mulheres pretas e pardas empregadas em estabelecimentos com 100 ou mais trabalhadores cresceu 29% entre 2023 e 2025, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões, mais de 1 milhão de novas contratações formais. O total de mulheres empregadas nesse segmento cresceu 11%, saltando de 7,2 milhões para 8,0 milhões no período.
Políticas de igualdade
O Painel do Relatório de Transparência Salarial também traz um panorama atualizado para o primeiro semestre de 2026 sobre o percentual de estabelecimentos que adotam políticas de incentivo à contratação de mulheres.
No Piauí, 21,5% dos estabelecimentos contam com esse tipo de iniciativa. Nas empresas com 100 ou mais empregados, 5% têm políticas voltadas à contratação de mulheres vítimas de violência doméstica; 12,2% incentivam a contratação de mulheres LGBTQIAP+; 14,9% contemplam mulheres com deficiência; e 15,2% possuem políticas específicas para a contratação de mulheres negras.
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