Portal O Dia

Outubro Rosa: histórias de superação e caminhos para vencer o câncer de mama

O mês de outubro é tingido de rosa para chamar atenção para o diagnóstico precoce e o cuidado contínuo com a saúde da mulher, duas das maiores armas contra o câncer de mama e atos que podem salvar vidas. No Brasil, a doença é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres, e campanhas como o Outubro Rosa reforçam a necessidade de prevenção, acompanhamento médico e fortalecimento emocional durante o tratamento.

Entre as inúmeras histórias que inspiram coragem e esperança, está a de Claize Martins, empreendedora e consultora de uma loja de lingeries. Diagnosticada com câncer de mama aos 29 anos, Claize afirma ser um “dado improvável”, já que poucas mulheres nessa faixa etária imaginam que podem enfrentar a doença. “Eu sou a prova viva de que isso acontece. Passei por todo o processo, a incerteza, os medos, mas também tive grandes apoios, da minha família e minhas amigas”, contou.

Reprodução/Freepik
Outubro Rosa: histórias de superação e caminhos para vencer o câncer de mama

O diagnóstico precoce e o tratamento adequado permitiram que Claize enfrentasse a retirada completa da mama esquerda com força e determinação. Ela lembra que, no início, a adaptação foi um desafio, mas que transformou a experiência em um ato de amor próprio e superação.

“Pedi às meninas da loja em que sou consultora que trouxessem um tipo de sutiã que que eu pudesse me adaptar, já que retirei a mama. Isso não é vergonhoso para nenhuma mulher. A lingerie pode abraçar tantas causas, inclusive o câncer, ajudando você a se amar novamente, mesmo faltando um pedacinho seu”, afirmou a empreendedora.

Hoje, Claize leva sua história para inspirar outras mulheres. “O maior desafio da vida é se manter vivo. Em qualquer momento, por mais difícil que pareça, é possível seguir e suavizar o que estamos vivendo. A gente consegue”, reforçou.

Superação e recomeço

A força de quem enfrenta o câncer vai além do corpo. Está, também, na mente, nas relações e nas pequenas conquistas diárias. Assim como Claize, Ana Paula, aluna e paciente em tratamento de hormonoterapia, descobriu o câncer de mama em 2024, após um exame de rotina.

Eu fazia ultrassonografia a cada seis meses. Em novembro de 2023, estava tudo normal, mas em junho de 2024 a médica viu algo diferente. Fiz a biópsia e descobri o câncer. Era muito pequeno, menos de um centímetro, e tão profundo que nem apareceu na mamografia”, revelou.

O caso de Ana Paula reforça a importância do acompanhamento médico constante e da atenção aos sinais do corpo. “Nenhum caso é igual ao outro. São mais de dez tipos diferentes de câncer de mama e cada medicação também é diferente. O que eu quero muito é que as mulheres entendam que têm que se cuidar antes, não só depois do diagnóstico”, alertou ela.

Após o tratamento cirúrgico e o início da hormonoterapia, Ana Paula encontrou na atividade física um remédio essencial para o corpo e a mente. “Eu acredito que a atividade física é importante em todos os momentos da vida. Ela ajuda durante o tratamento, fortalece e depois te dá ânimo, reduz a dor, melhora o humor. Costumo dizer que a academia é como se fosse outro comprimido do meu tratamento”, comparou Ana.

Movimento é prevenção

Segundo estudos citados pelos educadores físicos que acompanham Ana Paula, Suelene Ferreira e César Augusto, praticar exercícios ao menos três vezes por semana pode reduzir em até 38% o risco de desenvolvimento do câncer de mama. Isso porque a prática regular ajuda a equilibrar hormônios como estrogênio e insulina, que quando alterados podem favorecer o surgimento da doença.

A atividade física também contribui no processo da recuperação emocional. “Depois da quimio e da radioterapia, vem a fase mais difícil, que é lidar com as sequelas, o medo e as dores. O exercício me devolveu a confiança e a vontade de viver. É como se o corpo começasse a desestressar”, relatou Ana Paula.

Os profissionais que a acompanham explicam que cada caso exige um acompanhamento individualizado, especialmente para pacientes que passaram por cirurgias. “O importante é se movimentar. Mesmo com limitações, há exercícios leves, como agachamentos, caminhadas e movimentos de braço que ajudam na recuperação da musculatura e na autoestima”, destacam.

Tanto Claize, quanto Ana Paula mostram que o enfrentamento do câncer de mama vai muito além da medicina. O autocuidado, a fé e o amor (próprio e de quem está por perto) são forças indispensáveis.

Claize, que hoje ajuda outras mulheres a resgatar a feminilidade através de lingeries adaptadas, defende que “você não deixa de ser mulher por não ter uma mama, você se torna uma mulher muito mais forte e passa a dar valor às pequenas coisas”.

Já Ana Paula reforça a necessidade de equilíbrio emocional e espiritual. Para ela, a atividade física, a alimentação e o amor também ajudam no processo de cura. “Procure se fortalecer de todas as formas que puder. A fé ajuda muito”, conclui ela, emocionada por conseguir falar sobre sua história.

Lembrete que vale o ano inteiro

O Outubro Rosa se encerra, mas o cuidado deve continuar todos os meses e dias do ano. O câncer de mama, quando detectado ainda no início de seu desenvolvimento, tem altas chances de cura. Exames regulares, alimentação saudável, prática de exercícios e atenção ao próprio corpo são atitudes simples, mas que salvam vidas. Como diz Claize Martins, “não adiante ter sonhos se você não está se cuidando”.

A campanha é promovida anualmente em todo o país, com ações de conscientização sobre o câncer de mama e do colo de útero. O Ministério da Saúde recomenda que mulheres a partir dos 40 anos realizem o exame da mamografia regularmente e mantenham acompanhamento médico preventivo.


Você quer estar por dentro de todas as novidades do Piauí, do Brasil e do mundo? Siga o Instagram do Sistema O Dia e entre no nosso canal do WhatsApp se mantenha atualizado com as últimas notícias. Siga, curta e acompanhe o líder de credibilidade também na internet.