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Orelhões devem ser extintos até 2028, diz Anatel; Piauí conta com 481 unidades

Os últimos telefones de uso público, conhecidos como orelhões, em funcionamento no Piauí e no Brasil já têm data marcada para serem de retirados. Até 31 de dezembro de 2028, as unidades remanescentes no país deverão ser desativadas, conforme o processo de extinção gradual desse serviço no Brasil, após o encerramento das concessões da telefonia no fim de 2025.

Atualmente, o Piauí conta com 481 orelhões ativos, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A manutenção dessas unidades ocorre apenas em localidades onde não há, pelo menos, cobertura de telefonia móvel com tecnologia 4G, critério adotado para garantir acesso mínimo ao serviço de voz.

Reprodução/Agência Brasil
Orelhões devem ser extintos até 2028, diz Anatel; Piauí conta com 481 unidades

Teresina, capital e maior cidade do estado, possui apenas quatro telefones públicos em funcionamento. Parnaíba, segunda maior cidade, conta com apenas uma unidade. Em contrapartida, municípios do interior ainda concentram um número maior de equipamentos, como Palmeirais, com 18, Barras, com 15, União, com 14, Esperantina, com 11, Piripiri, com 10, e José de Freitas, com nove orelhões ativos.

Os orelhões foram lançados no Brasil em 1972 e se tornaram um dos principais símbolos do acesso público à comunicação por décadas. O modelo, criado pela arquiteta Chu Ming Silveira, chegou a formar uma rede nacional com mais de 1,5 milhão de terminais, mantidos pelas concessionárias de telefonia fixa como obrigação contratual.

Esses contratos foram firmados em 1998 durante o processo de privatização do setor, e expiraram em dezembro de 2025. A partir daí, iniciou-se a adaptação do regime de concessão para o modelo de autorização, regido pelo setor privado, o que abriu caminho para a retirada progressiva dos telefones públicos.

Através de nota, a Anatel informou que, com o fim das concessões, tornou-se necessária uma revisão do modelo para estimular investimentos em infraestrutura de telecomunicações, especialmente em redes de banda larga. Segundo a Agência, as empresas assumiram o compromisso de manter a oferta de serviços de voz, incluindo os orelhões, em regime privado e por qualquer tecnologia disponível apenas em localidades onde sejam as únicas prestadoras, até o limite de 2028.

A mudança ocorreu em meio a dificuldades enfrentadas por parte do setor, como a crise financeira da Oi, que responde pela maior base de orelhões ainda ativos no país com 6.707 unidades. No Piauí, a empresa também concentra a maior parte dos terminais remanescentes. Outras operadoras, como Vivo, Claro e Algar, já iniciaram o desligamento de suas redes de telefones públicos.

A Anatel acrescenta que, além da manutenção temporária dos orelhões, as operadoras se comprometeram a investir em alternativas de conectividade, incluindo expansão da fibra óptica, implantação de antenas de telefonia celular, conexão de escolas públicas e ampliação da cobertura móvel em municípios sem infraestrutura adequada.

Há, ainda, telefones públicos cuja manutenção não é mais obrigatória. A localização dos telefones públicos em cada município brasileiro pode ser conferida através do site da Anatel. Nessas situações, a retirada pode ser solicitada diretamente às operadoras ou à Anatel, por meio da central de atendimento 1331 ou do portal oficial da agência.


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