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Na ONU, Wellington Dias defende Bolsa Família e políticas de segurança alimentar do Brasil

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, tratou nesta terça (22), em Nova York, da ampliação da cooperação internacional e do fortalecimento de políticas integradas de proteção social, segurança alimentar e desenvolvimento rural. A posição brasileira foi apresentada em uma série de agendas durante a Semana de Alto Nível da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

Divulgação
Ministro Wellington Dias na ONU

Na sede da ONU, Wellington Dias participou do encontro “Da eliminação da fome à sustentabilidade dessa conquista na América Latina e no Caribe”, promovido pela República Dominicana e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O ministro falou sobre a experiência brasileira na combinação de transferência de renda (como o Bolsa Família, dentre outros), agricultura familiar, alimentação escolar e políticas de segurança alimentar.

Segundo o MDS, o Brasil mantém a prevalência de subalimentação abaixo de 2,5%, patamar utilizado pela FAO como referência para a saída do Mapa da Fome. Dias também detalhou a situação da América Latina e do Caribe, onde a prevalência da fome caiu para 4,8% em 2025, e defendeu que os resultados alcançados sejam protegidos com políticas permanentes, financiamento e cooperação entre os países.

O ministro falou sobre a importância de experiências ganharem escala internacional por meio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, aproximando países, organismos internacionais e parceiros em torno de soluções para redução da fome e da pobreza.

Proteção e incentivo ao meio rural

O desenvolvimento rural também esteve no centro das agendas do dia. Na Missão Permanente da Irlanda junto às Nações Unidas, Wellington Dias participou da mesa-redonda ministerial “Investindo na Primeira Milha: Segurança Alimentar e Resiliência das Economias Rurais”, com discussões sobre investimentos direcionados a pequenos produtores, agricultores familiares e comunidades rurais.

À noite, o ministro participou do Jantar Estratégico sobre o IFAD14 e o futuro da transformação rural, promovido no contexto da Assembleia Geral. O encontro debateu novas formas de financiamento e parcerias para ampliar investimentos na chamada “primeira milha”, com atenção especial a pequenos produtores, mulheres, jovens e empreendedores rurais.

Nas três agendas, o Brasil defendeu uma estratégia que possa unir combate à fome, proteção social, geração de renda e desenvolvimento rural, além da mobilização de investimentos públicos e privados. A posição brasileira é de que, diante de um cenário global em que cerca de 645 milhões de pessoas ainda enfrentam a fome, o desafio não é apenas avançar na redução desses números, mas garantir que as conquistas sejam sustentáveis e cheguem às populações mais vulneráveis.

"Brasil não cabe no quintal de ninguém”, diz Lula em discurso na ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a soberania dos países, citando especificamente os cenários da América Latina e do Brasil, onde, segundo o presidente, há tentativas de influência estrangeira sobre processos políticos nacionais. Lula disse que a região da América Latina e do Caribe convive com pressões decorrentes da proximidade com grandes potências.

“Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo no contexto do recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou durante discurso na cerimônia de abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça (22) em Nova York.

Ricardo Stuckert/PR
Lula, em discurso na ONU

“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais com recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, destacou, ao citar contextos recentes registrados na Venezuela, na Nicarágua, no Haiti e em Cuba.

Segundo o presidente, a região percorreu um longo caminho para consolidar regimes democráticos após períodos de ditadura e autoritarismo. Nesse contexto, ele defendeu maior integração regional e o respeito à autodeterminação dos povos.

"Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para uma maior integração entre vizinhos. Os países da região reconheceram os horrores dos regimes de exceção. Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular", disse.