O candidato ao Senado pelo Piauí, Antônio Barros (NOVO) apresentou em entrevista ao O Dia nesta quarta-feira (19), a extinção das emendas parlamentares como uma das principais bandeiras de sua campanha. Médico e economista, defende que o modelo atual desvirtua o papel do Poder Legislativo, favorece práticas de clientelismo e distorce o equilíbrio da disputa eleitoral. Para o candidato, a gestão direta de recursos por deputados e senadores é incompatível com a função parlamentar.
"Eu defendo o fim das emendas parlamentares, eu vejo um grande desvio de função do Congresso, fim das emendas parlamentares. Um senador, um deputado ele pode através da sua do seu trabalho técnico indicar onde os recursos possam vir a ser usados, mas ele gerir recursos eu vejo que é um grande desvio da função legislativa."
Barros critica o uso político dessas verbas, que, segundo ele, muitas vezes ignoram as necessidades reais da população em favor da manutenção de currais eleitorais. "A pessoa usa as emendas parlamentares e às vezes no município onde ele tem voto, não necessariamente com critérios técnicos daquilo que o estado mais precisa, e usa o recurso como se fosse dele, isso desequilibra o jogo eleitoral", pontuou.
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O candidato relaciona ainda o sistema de emendas ao que chama de "presidencialismo de coalizão", modelo em que o apoio ao governo é negociado em troca de recursos, classificando como uma "banalização" e uma "vergonha". Para ele, a função primordial do parlamentar deveria ser a fiscalização rigorosa da execução orçamentária. "O senador deve fiscalizar para saber se o cumprimento daquelas verbas chega necessariamente no seu destino final, essa é a grande função do senador. Por isso que eu acho um grande desvio quando o senador gere recursos públicos", afirmou.
Além do aspecto ético, Barros defende que o fim das emendas liberaria recursos para investimentos estratégicos em áreas como a educação. Como exemplo, cita a possibilidade de garantir um piso salarial de R$ 10 mil para professores, com base em modelos internacionais que considera bem-sucedidos.
Renovação no Senado
Sobre a necessidade de novos perfis no Congresso, Antônio Barros apontou o que considera um grande desequilíbrio entre candidatos com mais recursos financeiros e os demais concorrentes. Ele defende que sua independência política e formação técnica garantem um olhar mais desprendido sobre as necessidades do país, e afirma que sua entrada na política é motivada pelo desejo de levar sua experiência em gestão de saúde e em trabalho voluntário para o campo legislativo.
"Candidatos considerados favoritos ao Senado têm em média 35 anos de exercício de cargo público eletivo, ou seja, uma pessoa que nasceu e que tem 40 anos, praticamente quando nasceu essas pessoas já estavam ocupando cargos. Então, de alguma forma, há algum nível de contaminação com a política com interesses econômicos.”