A participação de mulheres nas forças de segurança pública do Piauí permanece abaixo da média nacional, segundo a segunda edição do estudo Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os dados mais recentes, referentes a 2025, mostram que elas representam 9,9% do efetivo da Polícia Militar, 9,2% do Corpo de Bombeiros Militar e 22,4% da Polícia Civil no estado.
O levantamento reúne informações das corporações estaduais de todo o país e aponta que a presença feminina continua reduzida em praticamente todas as instituições de segurança pública brasileiras. O cenário é observado tanto nas polícias quanto nos corpos de bombeiros e, segundo o estudo, reflete fatores históricos, organizacionais, culturais e sociais que dificultam o avanço da diversidade de gênero.
Na Polícia Militar, as mulheres correspondem a 13,3% do efetivo nacional. No Piauí, porém, esse percentual é de 9,9%, abaixo da média brasileira. Apesar de o índice nacional ter aumentado em relação aos 12,8% registrados em 2023, o estudo considera que o crescimento ainda é tímido e insuficiente para reduzir a desigualdade de gênero na corporação.
Entre os estados, o Amapá lidera a participação feminina na Polícia Militar, com 31% do efetivo composto por mulheres. Na sequência aparecem Roraima, com 21,6%, e Rio Grande do Sul, com 20,4%. O Ceará registra o menor percentual do país, com 6,9%.
O cenário também se repete no Corpo de Bombeiros Militar. Nacionalmente, as mulheres representam 15% do efetivo, enquanto no Piauí elas correspondem a 9,2%. O Amapá novamente aparece na liderança, com 33,4%, seguido pelo Amazonas, com 32,9%, e pelo Distrito Federal, com 23,5%.
Na Polícia Civil, a participação feminina é maior, mas ainda inferior a um terço do efetivo. Em todo o Brasil, as mulheres representam 28,4% dos policiais civis. No Piauí, o índice é de 22,4%, um dos menores do país, à frente apenas de Tocantins, com 22,5%, e São Paulo, com 23,3%.
Desigualdade nos cargos de comando
Além das diferenças entre os estados, o estudo mostra que a participação feminina também varia conforme a função ocupada. Na Polícia Civil, as mulheres representam 46,1% dos escrivães, mas a presença cai para 24,8% entre delegados e 23,2% entre investigadores.
Na Polícia Militar, a desigualdade é ainda mais evidente nos postos de comando. Apenas 6,9% dos cargos de coronel são ocupados por mulheres em todo o país. As maiores participações femininas aparecem entre os postos de major, com 18,8%, e capitão, com 18,6%.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a baixa representatividade feminina não é uma realidade exclusiva do Brasil. O estudo destaca que, mesmo em países onde mulheres ingressaram nas corporações policiais há décadas e foram adotadas políticas de incentivo, a participação feminina costuma variar entre 20% e 25% do efetivo, superando 30% apenas em casos específicos.
A publicação também aponta que a entrada das mulheres nas forças policiais ocorreu de forma tardia e, por muitos anos, ficou restrita a atividades administrativas ou de atendimento a mulheres e crianças. Para os pesquisadores, esse histórico contribui para explicar a permanência da desigualdade de gênero nas corporações, especialmente nas funções operacionais e nos cargos de liderança.