Nos últimos três anos, 8.188 agressores de mulheres foram presos no Piauí, segundo levantamento da Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI). Os dados mostram o resultado de ações de repressão e investigação de casos de violência doméstica e de gênero em todo o estado.
De acordo com o levantamento, apenas nos casos de violência doméstica, o número de prisões em flagrante cresceu 78% entre 2023 e 2025, refletindo uma resposta mais rápida e efetiva das forças policiais diante das denúncias. No mesmo período, o estado também registrou queda de 5% nos feminicídios e, no recorte do segundo semestre de 2025, a redução chegou a 33%.
Para a delegada Nathalia Figueiredo, do Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), o feminicídio se diferencia de outros crimes pois é baseado na violência de gênero “O feminicídio é pautado na violência de gênero, quando o agressor enxerga a mulher em uma condição de submissão ou inferioridade. Ele se diferencia de outros homicídios justamente por essa motivação”,
LEIA TAMBÉM
- Piauí cria programa para detectar doenças renais em bebês e crianças ainda nos primeiros meses de vida
- Washington Bandeira intensifica articulação dentro do PT e base aliada após ser indicado por Rafael Fonteles para vice
- Listas de material escolar abusivas pesam no bolso e Procon inicia fiscalização
- Prefeitura de Teresina cria comitê de combate à evasão escolar
A delegada reforça que, na maior parte dos casos, as vítimas já conviviam com um histórico de agressões antes do crime fatal. “O feminicídio é a ponta da violência doméstica e familiar. Ele acontece quando não há o rompimento do ciclo de violência vivido pela vítima””, completa.
Denúncia ainda é o maior desafio
Apesar dos avanços, o silêncio das vítimas continua sendo um dos principais obstáculos no enfrentamento à violência de gênero. A delegada Eugênia Villa, que criou a primeira Delegacia de Feminicídios do Brasil, alerta que a falta de denúncia impede a ação preventiva das forças de segurança.
“O silêncio impede o conhecimento prévio dos cenários de risco e dificulta a aplicação de medidas preventivas, daí a importância dos canais de denúncia”,
As autoridades reforçam que a denúncia pode ser feita não apenas pela vítima, mas também por familiares, vizinhos ou qualquer pessoa que testemunhe casos de agressão. O objetivo é garantir a atuação imediata das forças de segurança e o encaminhamento das vítimas a redes de proteção e atendimento psicológico e jurídico.
Canais de denúncia e atendimento no Piauí
O Governo do Piauí mantém uma série de canais voltados ao enfrentamento da violência contra a mulher. As denúncias podem ser feitas de forma gratuita e sigilosa, funcionando 24 horas por dia em todo o estado.
“Ei, Mermã, Não se Cale” (24h): 0800 000 1673
Ligue 180 – Central Nacional (24h)
COPOM – Polícia Militar: 190
Guarda Municipal: 153
Casa da Mulher Brasileira (Teresina): (86) 99412-2719
BO Fácil: 0800 086 0190
Com exceção da Casa da Mulher Brasileira e da Guarda Municipal, todos os canais têm abrangência nos 224 municípios do Piauí.
Você quer estar por dentro de todas as novidades do Piauí, do Brasil e do mundo? Siga o Instagram do Sistema O Dia e entre no nosso canal do WhatsApp se mantenha atualizado com as últimas notícias. Siga, curta e acompanhe o líder de credibilidade também na internet.