A candidata ao governo do Piauí pelo PSDB, Lúcia Santos, defendeu, em entrevista ao O Dia nesta terça-feira (18), a manutenção de serviços públicos essenciais sob controle do Estado e criticou a atuação de empresas privadas sem a devida fiscalização na prestação desses serviços. Presidente do Sindicato dos Médicos, ela afirmou ser contrária à privatização apenas em áreas como abastecimento de água e saúde pública.
“Nós não somos contra a privatização, nós somos contra a privatização de serviços essenciais. Diga-se passagem, serviços essenciais, o próprio nome diz, o governo não pode entregar para terceiros isso”, afirmou Lúcia Santos.
Para a candidata, mesmo com seu partido tendo histórico de apoio a privatizações de estatais, conta que os governos do Partido dos Trabalhadores privatizaram a Agespisa e a administração de hospitais regionais por meio de Organizações Sociais (OS), sob a promessa de melhoria na qualidade dos serviços que, segundo ela, não se concretizou. “A água, por exemplo, está o estado do Piauí, várias cidades sem água, inclusive na zona rural de Teresina”, disse.
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Lúcia Santos avalia que o problema central da precariedade na prestação desses serviços está na falta de controle do Estado sobre as concessionárias. Para ilustrar sua visão sobre a gestão pública, recorreu a uma comparação doméstica: “Se você encomendar um serviço na sua casa, você vai simplesmente pagar e não fiscalizar? Do mesmo jeito, o estado do Piauí é a nossa casa. Ele representa a casa de cada piauiense”, defendeu.
Para os serviços já transferidos à iniciativa privada, a candidata defende fiscalização rigorosa e a verificação do cumprimento do que foi prometido nos contratos, com possibilidade de revisão dos termos firmados. “Tem que ser revisto, esses contratos têm que ser exigidos dessas empresas. Eu me pergunto, por que não é exigível dessas empresas?”, questionou, ao afirmar que é que empresas faturam no estado entregando serviços de baixa qualidade sem a devida prestação de contas.
Na saúde, Lúcia Santos aponta um processo de substituição de profissionais concursados por gestão privada. Segundo a candidata, ao ser questionado sobre a realização de novos concursos, o governo manifestou a “intenção de privatizar e ele fez isso mesmo, privatizou”. Em visitas a hospitais regionais, ela descreve um cenário de carência de profissionais e de degradação da estrutura física: “a estrutura física está caindo em cima da cabeça das pessoas que estão funcionando sem estrutura nenhuma, física nenhuma”, concluiu.