Portal O Dia

Golpe do falso advogado: profissionais da advocacia também eram vítimas dos criminosos

Os falsos advogados que foram presos durante operação nesta manhã (04) pelas polícias civis do Piauí e Ceará fizeram outros advogados de vítimas. Isso, porque eles usavam fotos de perfis dos profissionais para se passar por eles em contas de Whatsapp e abordar as vítimas. A polícia estima que o grupo tenha causado um prejuízo de quase meio milhão de reais às vítimas.

Foram efetuadas 14 prisões e bloqueados uma série de bens que ainda serão calculados. Ao todo, a justiça expediu 62 mandados, sendo 31 só de prisão temporária. Foram efetuadas prisões no Ceará, Amazonas, goiás, Pernambuco, São Paulo e no Piauí. Entre os 14 presos, há pelo menos cinco lideranças da quadrilha que desempenhavam papel de coordenar as ações criminosas. Os demais seriam laranjas do grupo. O delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Lucy Keikko, deu detalhes do modus operandi do grupo.

Assis Fernandes/O Dia
Delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Lucy Keikko

De acordo com ele, os criminosos pesquisavam processos judiciais no sistema Jus Brasil e colhiam ali informações das vítimas, que, em geral, eram pessoas movendo ações para receber indenizações e valores judiciais. De posse dos dados das partes e do processo, eles entravam em contato com a vítima se passando pelo advogado legalmente constituído, informando que uma sentença de liberação dos valores havia sido expedida.

“Eles diziam que as ações tinham sido julgadas procedentes, que a pessoa tinha um certo valor a receber, mas que precisava pagar um tanto em custas processuais. Por exemplo, uma sentença liberando o pagamento de R$ 50 mil, eles pediam que a vítima pagasse custas processuais de até R$ 10 mil. A pessoa caía no golpe, pagava e depois não recebia nada. Então ela ia atrás de seu advogado e ficava sabendo que, na verdade, a pessoa que falou com ela não era seu representante, mas um criminoso se passando por ele”, diz.

Somados os valores repassados pelas vítimas aos criminosos, a polícia estima que ele chegue a cerca de R$ 500 mil. Os valores em bens bloqueados da quadrilha ainda estão sendo computados.

Advogados também eram vítimas

Além das partes envolvidas nos processos judiciais, os advogados legalmente constituídos como representantes nestes processos também se tornavam vítimas dos criminosos. É que eles se apropriavam das fotos de perfis destes profissionais, inclusive dos dados advocatícios deles, para abordar as vítimas e dar mais credibilidade ao golpe.

Vários profissionais que viram seus clientes serem lesados pelo grupo procuraram a OAB-PI para denunciar a situação. A própria OAB, junto com os profissionais, acionou a Polícia Civil, que deu início à investigação. Noélia Sampaio, secretária-geral da OAB-PI, destacou que este é um crime que incomoda bastante a advocacia, porque afeta a credibilidade entre, sociedade e advogados.

Assis Fernandes/O Dia
Golpe do falso advogado: profissionais da advocacia também eram vítimas dos criminosos

“Alguns clientes chegam a pensar que realmente é o escritório que está cobrando. Temos notícias de advogados que são provocados judicialmente porque as vítimas acreditam realmente que é a advocacia que está fazendo isso. Por isso essa parceria é tão importante para dar uma certa serenidade e certeza de que o trabalho está sendo feito no caminho correto”, disse.

A OAB-PI não tem número de quantos advogados no Piauí foram vítimas dos criminosos ao terem seus perfis apropriados indevidamente, mas diz que são muitos os casos.

Criminosos não tinham um perfil de vítima específico

Os alvos da operação Falso Advogado não tinham, a princípio, qualquer ligação com membros do Judiciário. Mas a polícia não descarta que o esquema possa ter a participação de advogados e servidores públicos. Esta é uma informação que será averiguada na segunda fase da investigação. Mas o que chamou a atenção dos investigadores no momento foi o fato de que os criminosos não escolhiam um perfil específico de vítima.

“Tivemos idosos que tomaram prejuízos de R$ 32 mil, R$ 50 mil, até R$ 100 mil. Mas também temos jovens entre 25 e 30 anos que também tiveram prejuízos menores na casa dos R$ 2 mil, por exemplo. Não existe uma faixa etária de atuação por parte do grupo. E nem tempo de andamento do processo. Eles escolhiam processos antigos que ainda tramitavam ou processos cujas petições iniciais foram feitas há poucos dias”, explicou o delegado Humberto Mácola, coordenador da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC).

Assis Fernandes/O Dia
Delegado Humberto Mácola, coordenador da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC)

Como se prevenir

O delegado orientou às pessoas que possuem processos pendentes na justiça e que tratam frequentemente com advogados para que não atendam ligações nem respondam mensagens de contatos que não estejam salvos em suas agendas.

“Já ficou claro que os criminosos roubam os dados de perfil dos advogados legalmente constituídos. Então, se seu advogado entrou em contato por um número diferente do que geralmente usa, chegou informando que saiu alguma sentença e pedindo transferência em dinheiro, não faça. Nem atenda. Busque imediatamente falar com ele pelo contato que tem salvo no celular. Se certifique de que quem está falando com você é mesmo o seu representante legal. Procure o escritório de advocacia dele”, orienta o delegado.


Você quer estar por dentro de todas as novidades do Piauí, do Brasil e do mundo? Siga o Instagram do Sistema O Dia e entre no nosso canal do WhatsApp se mantenha atualizado com as últimas notícias. Siga, curta e acompanhe o líder de credibilidade também na internet.