O candidato ao Senado pela federação PSOL-Rede, Francinaldo Leão, defendeu, em entrevista ao O Dia nesta segunda-feira (17), uma mudança na forma como os recursos federais são aplicados no Piauí. O candidato criticou o modelo atual de distribuição de emendas parlamentares, que, segundo ele, beneficia mais as alianças políticas entre senadores, deputados e prefeitos do que a população na ponta.
Francinaldo afirmou que, se eleito, pretende promover o que chamou de uma "desintermediação" política dos recursos. Segundo o candidato, o papel de um senador deveria ser de aproximação com a população, direcionando obras às necessidades reais das comunidades, o que garantiria que o dinheiro chegasse aos municípios sem passar pela gestão dos prefeitos, evitando, segundo ele, possíveis desvios para interesses pessoais.
Questionado sobre como essa proposta funcionaria na prática, já que os recursos tecnicamente precisam tramitar pelas prefeituras, Francinaldo Leão afirmou que o controle social seria a base de sua atuação.
"A gente tem que fazer essa fiscalização. O que acontece hoje é que o dinheiro é destinado para o prefeito, o prefeito faz o que quer, tem todos os vereadores da prefeitura lá para aprovar as contas mesmo sabendo que está irregular. Eu pretendo colocar a emenda, mas também fiscalizar para saber o que está acontecendo com o dinheiro público, a gente pode colocar um comitê para poder acompanhar essas obras".
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Ao defender a proposta, o candidato denunciou supostos desvios de recursos de emendas parlamentares no estado. Segundo ele, existiria uma taxa informal de desvio na execução de obras financiadas por emendas. Francinaldo Leão não apresentou provas sobre a acusação.
"A gente sabe muito bem, a partir do momento que o dinheiro vai para lá, a gente já sabe o que rola. Cada político tem 10% daquilo que é construído. Mandou R$ 500 mil, tem 50 mil. Mandou 10 milhões, tem quanto? Basicamente, nos bastidores se conversa isso".
O candidato também apontou o que classificou como uma disparidade entre o que é declarado à Justiça Eleitoral e o que é efetivamente gasto nas campanhas, chamando o fenômeno de uma "matemática que não fecha". "Nós sabemos do poder aquisitivo de determinados políticos. Se o deputado federal ou estadual não tiver 50 milhões, não se elege".