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Exclusiva: atriz piauiense Ana Costa fala sobre “Emergência Radioativa” e trajetória dos palcos às telas

A atriz Ana Costa vive um dos momentos mais visíveis de sua carreira com a série “Emergência Radioativa”, que alcançou o topo global entre produções de língua não inglesa no streaming Netflix. Em entrevista exclusiva ao Sistema O Dia, a artista falou sobre a repercussão do trabalho, sua trajetória até o audiovisual e o peso de representar uma história inspirada no acidente com Césio-137.

Natural de São Raimundo Nonato, na região Sul do Piauí, a atriz relembrou o início distante dos grandes centros e com pouco acesso à televisão. “Eu fui ter energia elétrica em casa bem depois. O pouco que eu via na TV dos vizinhos já fazia meu olho brilhar. Eu dizia que queria ser atriz, mas ainda no campo do sonho”, conto

Reprodução/ Instagram
Exclusiva: atriz piauiense Ana Costa fala sobre “Emergência Radioativa” e trajetória dos palcos às telas

A mudança para São Paulo, aos 18 anos, marcou o início de um percurso gradual. Antes de chegar à TV, vieram o rádio, a formação em outras áreas, a maternidade e, principalmente, o teatro.

“Eu comecei a estudar teatro em 2006, trabalhei muitos anos nos palcos e só em 2018 fiz meu primeiro trabalho para a televisão”, disse. Segundo ela, o processo foi guiado mais pela realização pessoal do que pela busca por fama. “Era sobre sentir o corpo vibrar quando eu estava em cena”.

Na série, Ana interpreta Antônia, personagem inspirada em vítimas reais da tragédia radiológica em Goiânia. A produção dramatiza a disseminação do material radioativo e a corrida contra o tempo para conter a contaminação. “É mais que uma obra audiovisual. É um ato de respeito à memória dessas pessoas”, afirmou. “A gente traz uma história que não pode ser esquecida”, diz.

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Ana Costa, atriz piauiense.

A atriz destacou que o sucesso da série, com milhões de visualizações e presença no Top 10 de dezenas de países, amplia o alcance de um episódio ainda pouco conhecido por parte do público. “Tem gente que nunca tinha ouvido falar do Césio-137. A série desperta interesse, faz as pessoas pesquisarem, entenderem o que aconteceu”, ressalta.

Ela também comentou o desafio de atuar em uma narrativa baseada em fatos reais. “Você sente grande, mas na câmera precisa ser contido. É o olhar que comunica tudo. É muito visceral”, explicou, ao comparar as linguagens do teatro e da televisão.

Além da repercussão internacional, Ana ressaltou o retorno vindo do Piauí. “O estado está me abraçando. As pessoas compartilham, comentam, acompanham. Isso é muito especial”. Para ela, a visibilidade também abre espaço para discutir a valorização de talentos fora do eixo tradicional. “O Piauí é cheio de artistas. O que a gente precisa é de oportunidade”, destaca.

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Ana Costa nos bastidores da série "Emergência Radioativa",

Ao falar com jovens que desejam seguir na arte, a atriz defendeu movimento e persistência. “Acredita no que você deseja e se movimenta. Não é só sonhar. Eu busquei cursos, fui atrás, construí aos poucos”, afirmou a atriz.

A repercussão de “Emergência Radioativa” reforça um movimento mais amplo do audiovisual brasileiro, que vem conquistando espaço em plataformas globais ao investir em narrativas locais com alcance universal. Ao revisitar um dos episódios mais traumáticos do país, a série exemplifica como memória, entretenimento e reflexão podem caminhar juntos.

“Um povo que não conhece sua história não sabe para onde vai”, disse Ana. “Se a arte consegue levar isso para mais gente, então ela já cumpriu um papel enorme”, concluiu a atriz piauiense.


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