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Entenda como atuava policial do Piauí suspeito de fraudar concurso do TJ de Pernambuco

Um policial militar do Piauí está entre os presos da Operação Kyma, deflagrada nesta quinta-feira (26) pela Polícia Civil para desarticular um esquema de fraude a um concurso do Judiciário de Pernambuco. O militar é lotado no interior do Piauí, no município de Paulistana, e foi alvo de um mandado de prisão.

A Operação Kyma investiga fraudes no concurso do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco (TJPE), realizado em 2025. Além do PM piauiense, entre os alvos também estão militares, guardas municipais e policiais penais pernambucanos. Foram expedidos 11 mandados de prisão e 37 mandados de busca e apreensão.

Divulgação/TJPE
Sede do Tribunal de Justiça de Pernambuco

O delegado Júlio César Pinheiro, titular da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção (DECCOR) de Pernambuco, deu detalhes da ação. De acordo com ele, os candidatos aprovados nos concursos por meio das fraudes pagavam até R$ 70 mil pelos gabaritos das provas às lideranças e demais membros da organização criminosa.

“O valor variava um pouco, dependendo do nível de intimidade e proximidade com a liderança da organização. Mas, normalmente, era pago a título de entrada um valor para cobrir todos o custo de logística e equipamento, que variava de R$ 2 mil a R$ 5 mil. E, caso o candidato conseguisse ingressar na carreira pública, pagaria algo em torno de R$ 50 mil a R$ 70 mil, a depender do cargo. Quando maior a remuneração inicial do cargo, maior o valor a ser pago para a organização”, explicou.

Divulgação/PCPE
O delegado Júlio César Pinheiro (à direita) é o coordenador da Operação Kyma

Os pagamentos eram feitos aos líderes da organização por meio da conta de terceiros utilizando PIX ou dinheiro em espécie.

O policial militar piauiense alvo do mandado de prisão na Operação Kyma havia ingressado na PMPI em 2015, tendo sua nomeação publicada no dia 05 de janeiro daquele ano. Na ocasião, ele foi lotado no 7º BPM de Corrente. De acordo com a investigação da polícia, ele e o policial pernambucano atuavam na logística do grupo, auxiliando na distribuição de equipamentos eletrônicos para comunicação com os candidatos na hora da prova e também na aquisição do gabarito fraudado.

Como atuava a organização criminosa

A investigação que culminou na prisão do policial piauiense começou em novembro de 2025 pela Polícia Civil de Pernambuco após o recebimento de denúncias. A ação contou com o apoio da Polícia Federal. A parir da análise do material coletado, a polícia identificou o vazamento da prova do concurso do TJPE e de onde ele partiu.

Conforme detalhou o delegado Júlio Pinheiro, uma pessoa da organização criminosa se infiltrava na banca organizadora do certame para acessar antecipadamente a prova. “Essa pessoa já tinha prática neste tipo de crime e se infiltrava nos locais de aplicação de prova, capturava imagens do conteúdo e repassava para o líder da organização”, explicou.

Divulgação/PCPE
Polícia cumpriu 11 mandados de prisão e 37 de busca e apreensão

Cabia ao líder organizar as informações e coordenar a execução do esquema, repassando o material para os responsáveis por resolver a questões. Em seguida, o grupo distribuía o gabarito aos candidatos que pagavam pelo serviço. A polícia constatou que parte dos candidatos utilizava pontos eletrônicos intra-auriculares conectados a celulares que transmitiam o áudio do gabarito via Bluetooth. Outros ainda entravam nos locais de prova com anotações escondidas nas roupas.

A polícia identificou, ainda, a participação de um guarda municipal do Rio Grande do Norte no esquema e de um policial penal.

“Eles vão responder por organização criminosa, por lavagem de dinheiro, fraude majorada a concurso público, porque alguns são agentes públicos, e fraude qualificada, porque a prova do certame acabou sendo anulada”, finaliza o delegado Júlio Pinheiro.

O outro lado

A reportagem do Portalodia.com entrou em contato com a Polícia Militar do Piauí para se manifestar sobre a prisão do PM. A Corporação admitiu que a situação procede, mas que ainda não tem um posicionamento oficial. O espaço permanece aberto para esclarecimentos futuros.


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