Portal O Dia

Empresa chinesa quer implantar usina de produção e armazenamento de energia solar no Piauí

O Piauí pode se tornar o primeiro estado brasileiro a receber uma usina de energia solar concentrada com capacidade de armazenamento térmico. A tecnologia é considerada estratégica para ampliar a estabilidade do sistema elétrico nacional e fortalecer a matriz energética limpa do país. O projeto está sendo desenvolvido pela empresa estatal chinesa CGN Brazil Energy em parceria com o Piauí Instituto de Tecnologia (PIT) com apoio do Governo do Estado e da Investe Piauí.

Nathalia Amaral/O Dia
Empresa chinesa quer implantar usina de produção e armazenamento de energia solar no Piauí

Nesta quinta-feira (28), foi lançado oficialmente em Teresina o Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento de Energia Solar Concentrada (CSP) com Armazenamento Térmico. O evento aconteceu no Senai e reuniu autoridades, pesquisadores, representantes institucionais e parceiros ligados ao setor de inovação e energias renováveis.

A proposta é avaliar a viabilidade técnica, econômica, regulatória e industrial para implantação de uma futura planta piloto de CSP no Piauí. A tecnologia, que já é utilizada pela CGN na China, permite gerar energia solar durante o dia e armazená-la para utilização durante a noite, funcionando como uma espécie de “bateria térmica” de grande escala.

Segundo o presidente do PIT, Rafael Jales, a iniciativa surgiu após missões internacionais do Governo do Piauí, que apresentaram o potencial do estado para investimentos em energia renováveis. “Pudemos mostrar o potencial de investimento no Piauí e a CGN acreditou nesse projeto e no PIT, que é uma instituição voltada à pesquisa aplicada para atender demandas do setor privado”, disse.

Nathalia Amaral/O Dia
Rafael Jales, presidente do Piauí Instituto de Tecnologia (PIT)

Rafael destacou que a estatal chinesa já atua no Piauí com usinas de energia solar convencional e agora pretende avançar com a tecnologia CSP. “A CGN implantou recentemente uma usina solar concentrada na China e identificou grandes potenciais de instalação aqui em Teresina. O PIT foi contratado para realizar a pesquisa de viabilidade técnica para implantação da primeira usina solar concentrada do Brasil aqui no Piauí”, explicou.

A expectativa é que a tecnologia traga um avanço significativo para o setor energético nacional ao permitir gerar energia solar também durante a noite. De acordo com o presidente do PIT, a usina solar concentrada vai fechar todo o ecossistema de inovação voltado para energia renováveis no Piauí. O projeto se chama Piauí HUB.

O Piauí foi escolhido por reunir as condições estratégicas para receber o empreendimento. Participando do evento no Senai, a diretora de Compliance da CGN Brazil Energy, Silvia Rocha, afirmou que, além da parceria já consolidada entre a empresa e o Piauí, a região possui um dos melhores índices de irradiação solar do mundo.

“O Piauí abre portas para novas ideias e novas tecnologias. Tem um perfil de inovação que também é o perfil da CGN. Além disso, o Estado concentra um dos melhores recursos solares do Brasil e do mundo, ou seja, é o melhor lugar para o projeto e para testar essa tecnologia da CSP”, explica.

O Dia
Silvia Rocha, diretora de Compliance da CGN Brazil Energy

O que é energia solar concentrada

A energia solar concentrada se diferencia da geração fotovoltaica tradicional pela capacidade de armazenamento térmico. Silvia Rocha, explica que a CSP basicamente gera energia durante o dia e armazena de forma despachável. “Ela funciona como bateria, mas de forma mais eficiente”, disse.

A representante da CGN destacou ainda que a tecnologia poderá reduzir a dependência de fontes térmicas convencionais nos horários de maior consumo de energia. “Hoje o Brasil é protagonista em energia solar e eólica, mas nos horários de pico ainda depende de fontes despacháveis, como as termelétricas. Essa tecnologia vem como mais uma opção para diversificar o sistema e, consequentemente, baratear a energia”, afirma.

A previsão é que os estudos técnicos e de viabilidade para implantação da planta piloto no Piauí seja entregue em seis meses. Os pesquisadores também vão elaborar uma base comparativa de dados climáticos entre o Piauí e a China, identificar tecnologias compatíveis, analisar fornecedores nacionais e propor recomendações regulatórias para integração da CSP ao mercado brasileiro de energia.

Além do PIT, da CGN Brazil Energy e da Investe Piauí, o projeto também recebe o apoio da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Universidade Estadual do Piauí (Uespi), Instituto Federal do Piauí (Ifpi), além do Senai-PI e da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos.


Você quer estar por dentro de todas as novidades do Piauí, do Brasil e do mundo? Siga o Instagram do Sistema O Dia e entre no nosso canal do WhatsApp se mantenha atualizado com as últimas notícias. Siga, curta e acompanhe o líder de credibilidade também na internet.