Cerca de 27 mil hectares foram atingidos por queimadas no Piauí entre janeiro e junho de 2026, segundo dados do Centro de Geotecnologia Fundiária e Ambiental (CGEO), da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh). Segundo o órgão, o número representa uma redução de 68,3% na área queimada em comparação com o mesmo período de 2025, quando mais de 84 mil hectares foram atingidos pelo fogo.
Com a redução, 57,5 mil hectares deixaram de ser consumidos pelas chamas, uma área equivalente a mais de 80 mil campos de futebol. O resultado coloca o Piauí como o Estado brasileiro que mais reduziu, proporcionalmente, a área queimada no primeiro semestre deste ano.
Os dados do CGEO são baseados em informações dos satélites do MapBiomas. O resultado é considerado o melhor registrado pelo Piauí desde 2022 e vem acompanhado de outra marca expressiva: uma redução de 45% no número de focos de incêndio registrados no Estado até o momento, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Além da redução na área atingida pelo fogo, os números representam vegetação preservada, biodiversidade protegida e menos pressão sobre o território piauiense.
O avanço é atribuído ao conjunto de ações do Pacto Piauí sem Queimadas, lançado este ano pelo Governo do Estado e coordenado pela Semarh. A iniciativa reúne estratégias de prevenção, monitoramento e resposta aos incêndios, com ações voltadas à redução da ocorrência e dos impactos das queimadas no território estadual.
Para o secretário Feliphe Araújo, o resultado demonstra que o planejamento e a atuação integrada podem contribuir para mudar o cenário dos incêndios no Estado. “O Piauí está mostrando que é possível enfrentar o fogo com planejamento, prevenção, monitoramento e resposta rápida. Ser o Estado que mais reduziu proporcionalmente a área queimada no país é um resultado importante, mas, principalmente, significa milhares de hectares de vegetação que permaneceram preservados. Vamos continuar trabalhando para ampliar esse resultado”, disse.
Segundo semestre requer atenção e prevenção
Apesar do resultado positivo no primeiro semestre, o desafio agora é manter a redução. O segundo semestre concentra historicamente os meses mais críticos para os incêndios no Piauí. A combinação de calor, baixa umidade do ar e vegetação seca favorece a propagação do fogo, principalmente entre setembro e novembro.
O período, conhecido popularmente como B-R-O-Bró, concentra as condições mais favoráveis para a ocorrência de queimadas no estado. Embora o período de estiagem se estenda até dezembro, setembro, outubro e novembro são apontados pela Defesa Civil como os meses de maior atenção. A Defesa Civil orienta que moradores evitem queimadas para limpeza de terrenos, monturos, palhadas e áreas de mato durante o período de maior risco.
O alerta está relacionado principalmente ao uso do fogo em locais onde a vegetação já está seca. Nessas condições, as chamas podem avançar para áreas próximas e atingir propriedades e estruturas. Incêndios iniciados em áreas rurais ou nas proximidades de rodovias também podem atingir propriedades vizinhas e redes elétricas. A fumaça pode ser levada pelo vento para outras áreas, afetando moradores que não tiveram participação no início da ocorrência.