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Dia Mundial da Fotografia: o tempo congelado em um clique

A primeira gravação de uma imagem em uma folha sensibilizada quimicamente ocorreu em 9 de maio de 1826. Feita pelo francês Joseph Nicéphore Niépce, a imagem é considerada a primeira fotografia do mundo. Quase dois séculos depois, a fotografia continua carregando o mesmo encanto: o de fazer o tempo parar por uma fração de segundo e transformar um instante em memória.

Nesta quarta-feira (19) é celebrado o Dia Mundial da Fotografia. Fotografar vai além de ter um olhar para aquilo que existe por detrás de uma imagem. É também escolher um instante, um enquadramento, a luz certa e uma maneira de contar uma história.

Paulo Barros
O fotógrafo Paulo Barros tem um olhar diferenciado para as paisagens do Piauí

Para o fotógrafo piauiense Paulo Barros, que há cerca de 40 anos transforma cenas em registros, a fotografia é uma forma de perpetuar aquilo que, de outra maneira, poderia desaparecer. A relação de Paulo com as câmeras começou ainda antes de ingressar no jornalismo.

Aos 17 anos, um “estalo” fez surgir a certeza de que queria ser fotógrafo. Quando entrou no curso de Comunicação Social, habilitação Jornalismo, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em 1973, Barros já tinha escolhido o caminho que pretendia seguir. “Eu comecei na fotografia analógica. Quando eu fiz o curso de comunicação, eu já imaginava ser fotógrafo, não queria outra profissão dentro da área do jornalismo”, conta, destacando que foi o primeiro fotógrafo com DRT do Piauí.

Foi na fotografia analógica que ele começou a construir sua trajetória, acompanhando uma das grandes transformações da comunicação: a passagem das imagens em preto e branco para as coloridas e, posteriormente, para o universo digital.

Arquivo pessoal
Para o fotógrafo piauiense Paulo Barros a fotografia é uma forma de perpetuar aquilo que, de outra maneira, poderia desaparecer

Mesmo com o advento do digital, as mudanças tecnológicas nunca foram capazes de retirar da fotografia aquilo que Paulo considerava sua essência. Para o fotógrafo, é o olhar de quem está por trás da câmera que transforma uma cena comum em algo capaz de atravessar décadas. “A fotografia é o instante congelado, a perpetuação de frações de segundo. Então, só com relação a isso, a fotografia já seria um fator de preservação da história”, explica.

Um olhar sobre as belezas do Piauí

Paulo Barros conta que desenvolve um projeto chamado “Imagens do Piauí", onde registra paisagens e riquezas naturais do estado, com o propósito de divulgar as potencialidades piauienses para o mundo.

“Eu tenho mais de 10 mil fotografias cadastradas sobre o Piauí, querendo quebrar o estereótipo de que o Piauí é o ‘patinho feio’ da nação, falado tão mal do nosso estado. O nosso estado é tão rico. Dentro do meu trabalho, eu tento aumentar a autoestima do povo piauiense”, afirma.

Paulo Barros
O fotógrafo Paulo Barros tem um projeto chamado “Imagens do Piauí", onde registra paisagens e riquezas naturais do estado

Para ele, uma fotografia pode cumprir diferentes papéis. Primeiro, existe o olhar do fotógrafo, que escolhe o que será registrado. Depois, há quem recebe a imagem e constrói, a partir dela, a própria percepção sobre aquele lugar. E, por fim, pode nascer o desejo de conhecer pessoalmente aquilo que antes só existia em uma fotografia.

Com dois livros publicados sobre o Piauí e outro projeto em vista, ele define seu trabalho como uma pequena tarefa diária para apresentar ao mundo aquilo que conhece tão bem. “Meu propósito principal, depois que eu me tornei um profissional, é divulgar este Piauí para o mundo. A cena é no Piauí, mas a visão é universal”, conclui Paulo Barros.

Mais de 50 anos entre imagens, arte e memória

A fotografia faz parte da vida de Antônio Quaresma há mais de 50 anos. Ao longo dessas cinco décadas, ele acompanhou as transformações da imagem, partindo das fotografias analógicas e chegando aos registros instantâneos feitos pelos celulares. Contudo, para quem construiu a vida por trás das câmeras, fotografar nunca foi apenas apertar um botão. Fotografar é uma forma de expressão, de documentação e, sobretudo, de preservar aquilo que o tempo insiste em consumir.

A relação de Quaresma com a fotografia começou ainda nos anos 1970, quando era estudante da Universidade Federal do Piauí. Em 1978, ao seguir para João Pessoa, na Paraíba, tornou-se fotógrafo profissional e passou a atuar no Núcleo de Arte Contemporânea. Formado em Educação Artística, com habilitação em Artes Plásticas, ele se considera, antes de tudo, um artista plástico.

Antônio Quaresma
A fotografia faz parte da vida de Antônio Quaresma há mais de 50 anos.

“Eu fotografo desde os anos 70 e a fotografia na minha vida sempre foi, antes de ser uma paixão, já era uma coisa que mexia muito comigo, porque eu estava sempre folheando os álbuns familiares”, lembra.

E foram essas fotografias que ajudaram Quaresma a construir esse vínculo com a fotografia. Entre 1994 e 1998, estudou fotografia como arte nos Estados Unidos, na New York University e no International Center of Photography (ICP), em Nova York. Ao longo dos anos, as técnicas mudaram e a tecnologia avançou, mas a capacidade da fotografia de guardar histórias permaneceu a mesma.

Mais do que registrar momentos pessoais, a fotografia também documenta a história e a evolução do mundo. Não à toa, Quaresma destaca a importância do fotojornalismo como testemunha do tempo.

Assis Fernandes/ODIA
Nesses registro de Assis Fernandes, o trama da enchente ganhou um toque de lirismo ao perceber as nuances que pasaram despercebidas aos olhos de muitos

“A fotografia sempre teve uma importância muito grande para o jornalismo. O fotojornalismo é de suma importância para registrar tudo o que acontece pelo mundo, ou tudo o que está à nossa frente”, destaca.

O digital não irá sobressair a fotografia profissional

Mesmo diante da popularização dos celulares e das redes sociais, Paulo Barros acredita que a fotografia profissional continua tendo seu espaço. Segundo ele, todos podem apertar o botão, mas apenas alguns têm o olhar apurado e sensível.

Já para Antônio Quaresma, a popularização das câmeras digitais e dos smartphones não diminuiu a importância da imagem. “Hoje em dia, a fotografia virou uma coisa muito boa, num certo sentido, porque todo mundo fotografa e isso é muito bom. Existe um lado positivo nisso, das pessoas revelarem o fotógrafo que tem dentro delas”, afirma.

Arquivo pessoal
Fotógrafo Assis Fernandes, fotógrafo há mais de 40 anos, eternizando momentos

Por acreditar no papel documental da fotografia, Quaresma acredita que a popularização da imagem, através da fotografia, contribui para a permanência e preservação dos fatos, independentemente da tecnologia utilizada. “O profissional, ele se credencia através do que ele estuda. A linguagem da fotografia continua a mesma. Não acho que a fotografia se banalizou por ter se popularizado. Existem e existirão sempre os grandes profissionais, seja de fotógrafos de rua ou de estúdio, como existirão sempre os amadores, pessoas sensíveis”, conclui o fotógrafo.