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Defensoria notifica nove municípios do sul do Piauí para criação de leis de cotas raciais em concursos públicos

A Defensoria Pública do Estado do Piauí (DPE-PI) notificou nove prefeituras do sul do estado, exigindo a criação de leis municipais de cotas raciais para concursos e processos seletivos públicos. O documento, assinado pelo defensor público Tales Araújo Silva, determina reserva mínima de 30% das vagas para candidatos negros, pretos e pardos, indígenas e quilombolas, com prazo de 90 dias para aprovação da legislação e apenas 20 dias para que as prefeituras informem as providências adotadas.

Reprodução
Defensoria notifica nove municípios do sul do Piauí para criação de leis de cotas raciais em concursos públicos

Os municípios notificados são: São Raimundo Nonato, Bonfim do Piauí, Coronel José Dias, Dirceu Arcoverde, Dom Inocêncio, Fartura do Piauí, São Braz do Piauí, São Lourenço do Piauí e Várzea Branca.

A recomendação nasceu do Procedimento para Apuração de Dano Coletivo (PADAC) nº 01/2025, aberto após a Defensoria identificar indícios de omissão legislativa generalizada na região. Das nove prefeituras consultadas, apenas Fartura do Piauí respondeu admitindo não ter a norma e prometendo criá-la. As demais sequer se manifestaram.

Para o defensor Tales Araújo Silva, o silêncio das prefeituras configura um dano coletivo contínuo e estrutural. "A omissão dos municípios em criar políticas de ação afirmativa é uma barreira que impede a construção de uma administração pública verdadeiramente representativa da diversidade do povo piauiense. Não basta não discriminar; é preciso promover a inclusão ativamente", afirmou.

A recomendação da Defensoria, tem como base a própria Constituição Federal, que trata do principal de igualdade material e de uma lei estadual sancionada em 2021, que garante a reserva de 25% das vagas no serviço público estadual e também da lei federal de 2025 que ampliou o percentual para 30% no âmbito nacional.

Enquanto a lei municipal não é aprovada, a Defensoria Pública recomendou que os municípios devem aplicar imediatamente a legislação federal em todos os editais publicados a partir de agora. O pedido exige ainda a criação de comissões de heteroidentificação para coibir fraudes no sistema de cotas.

O descumprimento, sem justificativa plausível, pode levar ao ajuizamento de uma Ação Civil Pública para obrigar judicialmente as prefeituras a cumprirem o dever constitucional de promover a igualdade racial.


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