O segundo bloco do debate entre os candidatos ao Governo do Piauí foi marcado por fortes críticas à atual gestão estadual e pela discussão de temas como educação, geração de emprego e renda, segurança pública, abastecimento, transição energética e saúde.
As perguntas foram feitas por jornalistas do Sistema O Dia a candidatos sorteados para responder e também para apresentar réplicas e tréplicas
Na primeira pergunta, o jornalista Ezequiel Araújo questionou o candidato Elizeu Aguiar (NOVO) sobre como utilizar as escolas de tempo integral para contribuir com a geração de emprego e renda, principalmente para os jovens.
Elizeu afirmou que o Piauí não possui atualmente um programa de geração de emprego e renda capaz de atender à demanda e defendeu a inclusão de formação técnica nas escolas. “Vamos inserir nas escolas de tempo integral a parte técnica para incentivar o aluno a empreender e ter perspectiva da saída da escola para uma profissão”, declarou.
O candidato também defendeu a industrialização do Estado e a redução da máquina administrativa. Segundo Elizeu, existem mais de 40 secretarias e o Estado estaria “engessado”. O candidato também criticou a política de empréstimos e defendeu a redução do ICMS como forma de atrair empresas.
Na réplica, o candidato do Progressistas, Joel Rodrigues, defendeu escolas de tempo integral com estrutura adequada. “É necessário termos, de fato, a escola de tempo integral de verdade, não de fachada. Uma escola atrativa, com os investimentos necessários”, afirmou.
Joel também defendeu uma rede regionalizada de qualificação profissional. “Temos que casar uma rede de qualificação por cada região, a geração de renda, de emprego focada para cada região para que nossos jovens tenham qualificação e emprego”, disse.
Na tréplica, Elizeu voltou a atacar a gestão estadual: “A única vitória é na mídia do atual governo. Temos que acordar. É a eleição mais importante e essas escolas de fachada têm que acabar”, afirmou.
Segurança pública
Na segunda pergunta, a jornalista Maria Clara Estrêla questionou a candidata Dra. Lúcia Santos (PSDB) sobre segurança pública e as estratégias para retirar crianças e adolescentes da criminalidade. A candidata defendeu uma política que vá além da ampliação da jornada escolar para ocupar os jovens.
“Não adianta ter só escola de tempo integral. Para dar qualidade, temos que ter um ensino bom, de qualidade, professores valorizados, cursos de capacitação desses professores, colocar cultura, lazer, esporte para fixar este jovem na escola”, declarou.
Dra. Lúcia também defendeu cursos profissionalizantes ligados à administração e ao empreendedorismo. Para ela, atividades culturais e esportivas também são fundamentais para manter os estudantes nas escolas.
Na réplica, Rafael Fonteles (PT) relacionou educação e segurança pública. “Para nós, bandido bom é bandido preso. Temos que repreender de forma firme a criminalidade, prendendo os criminosos, usando a inteligência, operações integradas e fortalecendo a integração das polícias e do Poder Judiciário”, afirmou.
Ao mesmo tempo, Rafael defendeu ações preventivas para evitar que jovens ingressem no crime. “É fundamental o remédio de longo prazo, que é impedir que novas gerações de jovens entrem no mundo do crime. E, para isso, a escola de tempo integral é fundamental. Oportunizar cultura, lazer e educação é fundamental”, disse.
Dra. Lúcia rebateu e criticou os índices de segurança pública do Estado. “Nunca tivemos tão ruins em termos de segurança pública. A polícia diz que prende e a justiça solta. Temos PMs mal pagos. É tudo uma fantasia”, finalizou.
Abastecimento
O abastecimento de água foi o tema da terceira pergunta, feita pelo jornalista Natanael Souza ao candidato Joel Rodrigues (PP). O candidato afirmou que pretende priorizar a construção de adutoras e rever contratos de concessão.
“Pertenço ao time do povo do Piauí e a missão da minha vida será colocar o povo em primeiro lugar”, afirmou Joel. Ele criticou a situação de municípios que ainda enfrentam problemas de abastecimento e disse conhecer “a dor” de quem não consegue abrir uma torneira e encontrar água.
“As adutoras não foram concluídas, os investimentos não chegaram. O Estado está endividado, triplicou a dívida e não resolveu o problema mais importante”, declarou. Joel afirmou que pretende priorizar os recursos destinados ao abastecimento.
Na réplica, o candidato do PSOL, Professor Gisvaldo, responsabilizou a privatização da Agespisa pelos problemas do setor. “A solução é retomar o controle da Agespisa para o Estado e reordenar o orçamento para a empresa ser reestruturada”, afirmou. Gisvaldo também criticou Joel: “Joel não tem moral para criticar a privatização da Agespisa, porque é parte de um partido privatista”, declarou.
Na tréplica, Joel afirmou que decidiu disputar o Governo após percorrer o interior do Estado e disse que o atual governo não tem sensibilidade para resolver o problema do abastecimento.
Terras raras e energia
A transição energética e o potencial do Piauí na exploração de terras raras foram abordados na quarta pergunta, feita pelo jornalista João Magalhães a Rafael Fonteles. Rafael destacou os potencial mineral, energético, agropecuário, turístico e de economia digital do Estado.
“Temos dois grandes ativos na energia limpa: somos o terceiro maior produtor de energia solar e o terceiro de energia eólica do país”, disse.
O candidato também citou as reservas de minerais críticos e terras raras. “A questão mineral é uma atribuição da União, mas o Estado tem gerado ambiente favorável para que as empresas processem essas riquezas. Queremos que essas riquezas fiquem aqui e não sejam apenas commodities”, afirmou Rafael.
Na réplica, Dra. Lúcia Santos criticou a política de cobranças para a energia solar e voltou a citar problemas em áreas como saneamento e educação. O candidato petista rebateu dizendo que a cobrança sobre a energia solar decorre da Lei Federal nº 14.300/2022. E que, a pedido seu, a bancada federal piauiense apresentou proposta para revogar a legislação.
Saúde no interior
A saúde foi o último tema do bloco, em pergunta feita pelo jornalista Luís Carlos Oliveira ao Professor Gisvaldo. O candidato do PSOL criticou a gestão dos hospitais reginais e defendeu a retomada do controle estadual sobre as unidades. “Da mesma forma que aconteceu com o setor de água e saneamento, os problemas graves na saúde se devem a outro crime político, que foi a privatização da gestão dos hospitais regionais”, afirmou.
Gisvaldo citou como exemplo os atendimento no Hospital Tibério Nunes, em Floriano, e também em unidades de Picos e Campo Maior. Segundo ele, há enfermarias sem climatização e profissionais com salários baixos e contratos precarizados. “Vamos retomar o controle dos hospitais regionais para o Estado e organizar uma gestão compartilhada com o profissional, o usuário para sobrar dinheiro no orçamento e garantir um atendimento de qualidade”, declarou.
Na réplica, Elizeu Aguiar criticou os gastos com o modelo de Saúde Digital. “São R$ 15 milhões por mês, e resolutividade na ponta não tem nenhuma”, afirmou. Ele defendeu a economia de recursos para ampliar investimentos nos hospitais regionais e propôs a criação de policlínicas.
Na tréplica, Gisvaldo voltou a criticar a participação do setor privado na saúde. “Falta dinheiro para investir no SUS porque a gestão quer encher o bolso do setor privado. Por isso que falta dinheiro para o atendimento nos hospitais regionais”, afirmou.
O candidato defendeu o rompimento com a política de privatização e a utilização dos recursos para investimentos em tecnologia e equipamentos na rede pública.