Em sete meses, os piauienses vão às urnas para escolher presidente, governador, senadores, deputados federais e estaduais, e algumas dúvidas ainda permeiam a cabeça dos eleitores. Para além das escolhas dos candidatos, coligação cruzada, federação e apoio informal são termos recorrentes em textos e entrevistas sobre o período. Nesta reportagem, você vai entender um pouco sobre cada um deles e o cenário político dentro desse campo no Piauí.
A que talvez traga mais dúvidas, e que tem sido recorrente no noticiário local, é a coligação cruzada, possível apenas para os cargos proporcionais, que envolvem deputados estaduais e federais. Nesse modelo, dois ou mais partidos podem fazer acordos para montar uma lista única em cada partido para a disputa à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa.
Em tese, funciona assim: as duas siglas decidem quais delas vão disputar cada cargo. No Piauí, em 2022, foi realizado um acordo entre MDB e PSD nesse formato. Para deputado estadual, os candidatos dos dois partidos se concentraram e se filiaram apenas no MDB. Já para deputado federal, os candidatos disputaram pelo PSD.
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Mas esse acordo caminha para não se repetir este ano. Os dois partidos chegaram a discutir a possibilidade de repetir a dobradinha, mas nomes, principalmente do MDB, avaliaram que estavam sendo prejudicados por não ter maior influência no partido nacionalmente, além de menor participação no fundo eleitoral por não ter presença nas vagas para deputado federal.
O cientista político Vitor Sandes explica que esse tipo de acordo fortalece uma lista de candidaturas para a disputa, com a concentração de nomes fortes em um único partido, algo difícil de ocorrer de forma natural sem um entendimento prévio. “Todos os candidatos da lista colaboram com a eleição e às vezes um partido quando ele tem uma lista fraca por mais que tenha um ou dois candidatos fortes na lista ele pode não conseguir eleger esse candidato”, disse.
Para ele, quanto mais fragmentadas são as candidaturas, maior é a disputa pelos votos e também a competição interna dentro dos próprios partidos. Nesse cenário, quando um dos partidos decide romper o acordo, é porque avaliou que a estratégia não estava sendo vantajosa.
“Na estratégia nacional do MDB do Piauí em buscar mais recursos e de também de ter mais força dentro do MDB nacional, pois se você tem um diretório estadual que não tem deputados federais dentro do MDB nacional, certamente esse partido, esse diretório estadual passa a ter menos menos poder”, disse.
Em 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vetou o uso das coligações cruzadas para Senado e Governo, mantendo a possibilidade apenas para deputados federais e estaduais. Isso permitiu ao Piauí o acordo entre MDB e PSD. Mesmo com os dois partidos estudando não repetir o modelo, o TSE ainda analisa a possibilidade desse tipo de acordo nas eleições de 2026.
Federações
Recentemente, o União Brasil criou uma federação com o Progressistas, que nacionalmente se tornou a maior bancada da Câmara e juntos somam cerca de 1,8 mil prefeitos. No parlamento piauiense, porém, o impacto não foi tão grande, já que o estado não possui deputados estaduais do União Brasil.
Nesse modelo, dois ou mais partidos podem formalizar junto ao TSE uma união que dura quatro anos, atuando juntos tanto no período eleitoral quanto fora dele.
A Justiça Eleitoral precisa aprovar a federação até seis meses antes das eleições. Neste ano, o prazo termina em 4 de abril. Os partidos passam a atuar em bloco em todo o país e somam tanto os fundos eleitorais quanto o tempo de rádio e TV, sendo obrigados também a lançar candidatos para presidente, governador, senadores, deputados federais e estaduais de forma conjunta enquanto a federação estiver ativa.
Segundo Vitor Sandes, essa medida surgiu como forma de amenizar os efeitos do fim das coligações nas disputas proporcionais, após a última reforma eleitoral. A ideia é estimular que partidos se unam para cumprir as chamadas cláusulas de barreira, que podem reduzir recursos e acesso à propaganda eleitoral gratuita.
Mesmo assim, a formação de federações exige planejamento. Os partidos precisam compartilhar um programa nacional comum, o que pode gerar conflitos em estados onde há rivalidades políticas históricas. Um exemplo é a tentativa de federação entre PT e PSOL, que em alguns estados, como o Piauí, possuem diferenças políticas.
“Existem muitas particularidades regionais, estaduais, às vezes é muito difícil, todos os partidos do nosso sistema partidário se federar porque existem interesses que às vezes são antagônicos aos estados e aí não tem a capacidade de gerar esse consenso nacional, só partidos que tenham proximidade ideológica e objetivos políticos muito claros que conseguem se federar”, disse.
Sandes explica ainda que o União Brasil, que surgiu da fusão entre DEM e PSL, tem crescido desde as eleições de 2018. No entanto, diferenças regionais podem gerar dificuldades de alinhamento político, como ocorre no estado vizinho do Ceará, onde existem disputas internas sobre posicionamento eleitoral.
“São visões distintas dentro do partido, como no Ceará que há um conflito nesse sentido, em que Ciro Gomes tenta atrair o União Brasil para ser candidato, mas por outro lado se tem um movimento oscilante que talvez possa optar por apoiar o grupo que está no poder. Essas particularidades estaduais são distintas principalmente se comparando o Sul, Sudeste com o Nordeste”, disse.
Coligação eleitoral
No Piauí, a composição que elegeu o governador Rafael Fonteles reuniu seis partidos e a federação PT/PCdoB/PV, exemplo de como duas ou mais siglas podem se unir durante uma eleição como se fossem um só bloco político.
Nesse caso, a união ocorre apenas para a disputa do Executivo, envolvendo cargos como prefeito, governador, senador e presidente. Diferentemente das federações, essa aliança é formalizada apenas para a eleição e não impõe obrigações de atuação conjunta após o pleito.
Nesse modelo, os partidos somam recursos e tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. A coligação precisa ser oficializada nas convenções partidárias, realizadas entre julho e agosto, e vale apenas para aquela eleição.
Sandes avalia que essas coligações são importantes para fortalecer alianças políticas no interior do estado, especialmente pela influência dos prefeitos e lideranças locais.
“Você tem esse aglomerado de partidos que pode ter peso no processo de articulação política junto aos prefeitos e aos próprios deputados, pois os candidatos a deputado estadual e federal também possuem um papel de puxar voto para essas grandes disputas majoritárias, é importante que esse parque dos desses de dados aí mais fortes, cargos proporcionais eles eles estejam ali em em coligações nas disputas majoritárias.” disse.
Com a aproximação dos prazos eleitorais, como as janelas partidárias, períodos de desincompatibilização e a realização das convenções partidárias, o cenário político no estado e no país ainda deve passar por diversas movimentações. As convenções, previstas entre junho e julho, definirão oficialmente os nomes que disputarão os cargos na próxima legislatura e os rumos políticos do estado e do país.
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