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Barulho de carreatas e comícios durante a campanha eleitoral afeta crianças com TEA

Durante o período de campanha eleitoral, é comum que os candidatos realizem comícios, carreatas, motociatas e outros eventos para reunir seu eleitorado e angariar mais votos. No entanto, o que é para ser só mais um momento do calendário eleitoral pode se transformar em um verdadeiro transtorno para algumas pessoas. É que o barulho que estes eventos produzem, com caixas de som, buzinas e até fogos de artifício, provocam desconforto e sobrecarga sensorial em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), crianças de colo, idosos e animais.

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Barulho de carreatas e comícios durante a campanha eleitoral afeta crianças com TEA

A psicopedagoga Janaína Ribeiro dos Santos explica que um som considerado apenas alto para a maioria das pessoas pode ser extremamente doloroso para uma criança com maior sensibilidade auditiva. Em eventos políticos, a quantidade de estímulos simultâneos pode tornar a situação ainda mais difícil.

“Em um comício, por exemplo, além do volume do som, temos microfone, caixas de som, música, fogos, buzinas, gritos. É uma quantidade muito grande de estímulos acontecendo ao mesmo tempo. Para uma criança que já tem dificuldade em processar estímulos, isso pode ser muito difícil”, afirma. Durante o período eleitoral, o problema fica ainda maior por conta do horário das carreatas, que geralmente acontecem aos finais de semana e à noite, quando muitas famílias já estão recolhidas em casa.

Segundo Janaína, entre as possíveis reações estão irritabilidade, choro, ansiedade, tentativa de fugir ou se esconder, colocar as mãos nos ouvidos, gritar, aumento da agitação ou, em alguns casos, isolamento e silêncio. “Algumas crianças podem ter uma crise, aquilo que muitas pessoas chamam de ‘birra’, mas que não deve ser confundido com isso. Em muitos casos, é a resposta à sobrecarga sensorial”, explica.

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Barulho de carreatas e comícios durante a campanha eleitoral afeta crianças com TEA

Fisicamente, a criança também pode apresentar tensão, aumento da agitação, dificuldade para se regular e até relatar dor ou desconforto nos ouvidos. Depois de uma exposição intensa, pode ficar mais casa e precisar de mais tempo para se reorganizar.

Janaína Ribeiro ressalta que o autismo é um espectro e que não existe uma reação única aos estímulos sonoros. Duas crianças com o mesmo diagnóstico podem responder de maneiras completamente diferentes ao mesmo barulho. Por isso, segundo ela, não é adequado relacionar diretamente a reação ao nível de suporte. O mais importante é conhecer o perfil sensorial de cada criança, saber quais sons provocam desconforto, como ela demonstra que não está bem e quais estratégias ajudam na regulação.

“Também tem crianças com o diagnóstico que se adaptam rapidamente ao estímulo, por isso a importância de reconhecer individualmente”, afirma. Entre os sinais que podem ser observados por pais, responsáveis e professores estão mudanças repentinas no comportamento habitual, como tampar os ouvidos, tentar deixar o ambiente, ficar agitada, chorar, gritar, ficar mais irritada o apresentar movimentos repetitivos com maior intensidade.

A atenção deve ser ainda maior no caso de crianças que não conseguem verbalizar o incômodo. “Às vezes o comportamento é uma forma que ela encontra de comunicar ‘isso está demais para mim’”, explica a psicopedagoga.

Roberto Suguino/Agência Senado
Barulho de carreatas e comícios durante a campanha eleitoral afeta crianças com TEA

Legislação estabelece limites de barulho

Além dos impactos para pessoas com sensibilidade auditiva, o excesso de ruído característico dos eventos de campanha eleitoral também pode representar uma infração à lei. Em Teresina, a Lei do Silêncio estabelece as regras para a emissão de sons e ruídos na capital. O objetivo é garantir a saúde, segurança, sossego e bem-estar público. O texto estabelece os limites de ruídos e de horário para barulhos em zonas residenciais e zonas sensíveis.

Os limites máximos de ruído em zonas residenciais são:

Nas chamadas zonas sensíveis, o limite máximo permitido é de 45dB em qualquer horário do dia ou da noite. São zonas sensíveis tudo que estiver localizado em um raio de 200 metros de hospitais, escolas, creches, bibliotecas e teatros.

No Piauí não há uma lei estadual do silêncio, já que cada cidade tem suas próprias regras, regidas por lei municipal.

Reprodução/Pinterest
Barulho de carreatas e comícios durante a campanha eleitoral afeta crianças com TEA

Fogos de artifício com barulho também são regulados por lei

Em julho de 2026, foi sancionada em Teresina uma nova lei que proíbe a fabricação, comercialização, manuseio, utilização, queima e soltura de fogos de artifício que produzam barulho superior a 70dB. A proibição vale passa pessoas físicas e empresas, eventos públicos e privados, e também para estabelecimentos comerciais e promotores de espetáculos. A lei inclui as carreatas e comícios políticos.

Se houver descumprimento da lei, a pessoa ou empresa poderá pagar multa de R$ 1 mil e o valor será dobrado em caso de reincidência, podendo chegar a R$ 8 mil.

A nível de Piauí, também há uma lei estadual, sancionada em 2021, que proíbe soltar fogos de artifício com barulho, seja em que altura for, em áreas públicas e privadas. A multa para quem descumprir a lei varia de R$ 1.500 a R$ 8 mil.

Como denunciar

Casos de poluição sonora e perturbação do sossego podem ser denunciados através dos seguintes canais: