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Agricultura familiar sustenta metade da população em pequenos municípios do Piauí

A agricultura familiar continua sendo uma das bases da economia e da segurança alimentar no Piauí. Dados do IBGE indicam que, nos municípios com menos de 15 mil habitantes, cerca de metade da população depende diretamente das atividades desenvolvidas no campo. No estado como um todo, aproximadamente 30% das famílias vivem da produção rural.

O cenário reforça a importância do setor para o desenvolvimento econômico e social do estado. A relevância da agricultura familiar foi destacada durante a solenidade de posse da nova diretoria da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Piauí (Fetag-PI), evento realizado nesta segunda-feira (9) e que reuniu representantes de entidades sindicais, autoridades políticas e trabalhadores ligados ao segmento rural.

Para o deputado estadual Francisco Limma (PT), a economia agrária continua tendo papel decisivo na realidade piauiense. Segundo ele, o estado possui cerca de 200 mil estabelecimentos de produção familiar, responsáveis por aproximadamente 70% de todos os alimentos produzidos no Piauí.

Assis Fernandes/ODIA
Para o deputado estadual Francisco Limma (PT), a economia agrária continua tendo papel decisivo na realidade piauiense

“O campo ainda tem um peso muito forte na economia do estado. Quando observamos os municípios menores, vemos que metade da população vive e depende diretamente dessa atividade, que gera emprego, renda e alimentos de qualidade”, destacou o parlamentar.

Ele também defendeu o fortalecimento de cooperativas, o aumento da comercialização e do beneficiamento dos produtos da agricultura familiar como estratégias para promover desenvolvimento econômico com inclusão social e sustentabilidade.

A nova presidente da Fetag-PI, a deputada estadual Elisangela Moura (PCdoB), inicia o terceiro mandato à frente da entidade e afirma que o momento exige organização e fortalecimento das entidades sindicais do campo. Segundo ela, um dos principais desafios será superar as dificuldades enfrentadas nos últimos anos e ampliar o acesso de agricultores a políticas públicas, como crédito e assistência técnica.

Assis Fernandes/ODIA
Nova presidente da Fetag-PI, a deputada estadual Elisangela Moura (PCdoB)

“Sabemos dos desafios que as entidades sindicais estão enfrentando, mas é preciso seguir fortalecendo os sindicatos dos trabalhadores rurais e reafirmando as nossas bandeiras de luta, como a reforma agrária e o acesso a incentivos para que agricultores e agricultoras possam continuar produzindo”, afirmou.

A vice-presidente da federação, Maria Barros, também demonstrou expectativa positiva em relação ao novo mandato da diretoria, destacando a importância de ampliar as ações já desenvolvidas nos últimos anos em defesa da agricultura familiar.

“A expectativa é que nesses próximos quatro anos a gente consiga continuar na luta das pautas que fortalecem a agricultura familiar. As nossas pautas é sobre o fortalecimento da agricultura, com a questão dos créditos, com as tecnologias que chegam no campo, através também de cisternas, que não é só a cisterna, mas ela vem no conjunto da tecnologia produtiva, que a cisterna, tanto você captura a água da chuva para beber, como captura também a água para o plantio”, relatou.

Dados da Secretaria da Agricultura Familiar do Piauí (SAF) mostram que as políticas públicas voltadas ao setor vêm apresentando crescimento recente. Em 2023, o estado contabilizava 7.634 famílias atendidas por programas de apoio. Em 2025, esse número chegou a 17.638 famílias beneficiadas por ações do Governo Federal e do Governo do Estado, um aumento de 131% no período.

Reprodução/Governo do Piauí
Agricultura familiar sustenta metade da população em pequenos municípios do Piauí

Entre 2023 e 2025, mais de 7 mil agricultores familiares participaram dessas iniciativas, comercializando mais de 5 mil toneladas de alimentos. O investimento ultrapassou R$ 35 milhões, com produtos destinados a mais de 357 mil famílias em situação de vulnerabilidade social.

Além disso, o governo estadual anunciou a execução de dois editais de chamamento público que somam R$ 100 milhões. Os recursos serão destinados a associações de produtores rurais para investimentos em assistência técnica, profissionalização da produção e fortalecimento das organizações do campo.


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