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75 anos do Jornal O Dia: Monalysa Alcântara, a primeira piauiense com a coroa de Miss Brasil

No ano de 2017, o Piauí passou a ocupar um lugar inédito no cenário nacional dos concursos de beleza. Aos 18 anos, a teresinense Monalysa Alcântara conquistou o título de Miss Brasil e tornou-se a primeira piauiense a vencer a competição, além de representar o país no Miss Universe, onde alcançou o Top 10. A vitória marcou não apenas a trajetória pessoal da jovem, mas também um momento simbólico para a história do estado, ao romper barreiras e ampliar a visibilidade do Piauí no Brasil e no exterior.

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75 anos do Jornal O Dia: Monalysa Alcântara, a primeira piauiense com a coroa de Miss Brasil

Até então, o estado não tinha tradição de títulos nacionais no Miss Brasil, embora já tivesse revelado candidatas de destaque. A conquista de Monalysa foi vista como um ponto de virada. Mais do que a coroa da grande vitória, a modelo levou ao palco nacional um discurso associado à autoestima, à representatividade e à possibilidade de sonhar alto, mesmo partindo de um estado historicamente pouco representado nesse tipo de competição.

“Me tornar Miss Brasil foi a concretização de mostrar para muitas pessoas do Piauí que a gente tem essa capacidade e que podemos alcançar sonhos que pareciam impossíveis”, reflete Monalysa Alcântara em entrevista especial ao Jornal O Dia.

Natural de Teresina, capital piauiense, e nascida em 24 de janeiro de 1999, Monalysa teve contato com o universo da moda e dos concursos de beleza ainda cedo. Antes do seu grande título nacional, venceu etapas locais e estaduais, como Miss Teresina Teen e Miss Piauí Universitária. Sua trajetória foi marcada por preparação e persistência até a decisão de disputar o Miss Brasil, em 2017. Ao vencer, tornou-se também a terceira mulher negra a conquistar o título, ampliando o alcance simbólico da vitória em um país marcado por desigualdades raciais e regionais.

O retorno à terra natal

O impacto da vitória de Monalysa foi imediato. A repercussão extrapolou os limites do concurso e mobilizou a maior parte da sociedade piauiense. A modelo recorda que não imaginava a dimensão da recepção ao retomar ao estado após a conquista. “Eu achava que teria amigos, pessoas do meu bairro, da escola. Mas foi muito maior do que eu imaginava”, relatou.

A volta ao Piauí aconteceu poucos dias após a sua vitória, em um intervalo curto antes do início das preparações para o Miss Universo, por decisão conjunta entre a candidata e a sua equipe, diante da forte comoção gerada pelo título inédito.

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A chegada a Teresina foi marcada por homenagens, presença da imprensa e manifestações populares que, para Monalysa, simbolizaram um reconhecimento coletivo. Ela compara o momento à recepção feita à judoca Sarah Menezes após o ouro olímpico em 2012, uma cena que assistiu ainda adolescente e que ficou marcada em sua memória.

“Eu olhava aquilo e pensava que era um orgulho enorme para o estado. Nunca imaginei que um dia poderia provocar algo parecido”, disse. Para ela, viver uma recepção semelhante representou um ciclo que se fechava e, ao mesmo tempo, se renovava.

A cobertura da imprensa local teve papel central nesse processo de acolhimento. Segundo Monalysa, veículos de TV, rádio, jornais e portais acompanharam de perto o seu retorno, ajudando a registar o momento e a amplificar o significado da vitória. “A imprensa tem esse papel histórico de relembrar, informar e resgatar momentos importantes, para que a gente não esqueça da nossa própria história”, afirmou. Para ela, esse registro contribui para fortalecer a identidade cultural e a autoestima do povo piauiense.

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Após a vitória e o sucesso do concurso Miss Brasil, Monalysa representou o país no Miss Universo 2017, alcançando o Top 10 e reforçando sua projeção internacional. Com o fim de seu reinado, passou a diversificar sua atuação profissional. Graduada em Direito, ela mantém presença no meio da moda e utiliza plataformas digitais para falar sobre beleza, lifestyle e temas sociais. Ela também se envolve em pautas ligadas à igualdade de gênero e à educação, ampliando o alcance de sua voz para além dos concursos.

O tempo passou, mas, mesmo quase nove anos após a conquista da coroa nacional, a relação de Monalysa com o Piauí continua próxima. A modelo relata que, sempre que retorna ao estado (atualmente, mora no estado de São Paulo), é reconhecida nas ruas e procurada pela imprensa, especialmente em datas simbólicas. Para ela, esse vínculo demonstra que a conquista de 2017 ultrapassou o caráter individual. “Toda vez que vou (ao Piauí), ainda recebo muito carinho. Vejo isso como algo positivo para nós, como sociedade e como cultura”, afirma.

Ao revisitar a trajetória de Monalysa Alcântara, o jornalismo também cumpre o papel de preservar marcos que ajudaram a redefinir a forma como o Piauí é visto e como se vê. Em um estado onde muitas histórias precisaram vencer o silêncio e a invisibilidade, a vitória inédita de uma jovem piauiense no Miss Brasil permanece como símbolo de representatividade, memória e possibilidade, inscrita e marcada na história recente do Piauí e do país.

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