O Corso de Teresina é um dos símbolos mais marcantes da cultura piauiense. Criado na década de 1930, o desfile de carros enfeitados se tornou uma das maiores manifestações populares do país e, em 2012, ganhou reconhecimento internacional ao ser registrado pelo Guinness World Records como o maior desfile de carros do mundo.
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Durante seus 75 anos de história, o Jornal O Dia acompanhou de perto a evolução da festa, narrando os momentos que fizeram do Corso um ícone do Carnaval de rua e um marco na identidade cultural de Teresina.
O evento surgiu quando os primeiros automóveis começaram a circular pela capital em 1930. Na década de 1950, o Corso ganhou um caráter mais familiar, amigos e parentes se reuniam para enfeitar os carros e desfilar pelas ruas. Com o tempo, o formato se transformou, perdeu força nos anos 1980, com a ascensão dos desfiles das escolas de samba, mas voltou com força em 1997, quando a Prefeitura de Teresina decidiu resgatar a tradição, fixando o evento aos sábados de Zé Pereira.
Nos anos seguintes, o Corso cresceu e se consolidou como o principal evento do Carnaval piauiense, atraindo foliões de várias regiões do estado e de outras partes do Brasil. Na gestão do então prefeito Elmano Férrer, o evento atingiu seu auge, quando entrou para o livro dos recordes.
“Houve uma participação muito grande da coletividade. Nós brasileiros, principalmente, somos apaixonados por Carnaval. O Corso é uma festa pré-carnavalesca e já havia o entusiasmo. Nós aproveitamos aquele momento, houve uma mobilização, com gastos da prefeitura reduzidos, mas com o envolvimento da comunidade de Teresina. Foi uma apoteose, que combinou com o reconhecimento do Guinness”, disse o ex-prefeito.
Segundo Elmano Férrer, a conquista foi resultado de um esforço conjunto entre o poder público, a população e a imprensa. O ex-gestor afirmou que o Jornal O Dia teve papel essencial na mobilização popular, ampliando a visibilidade do evento e fortalecendo o sentimento de pertencimento entre os teresinenses.
“O trabalho fundamental da imprensa tem uma função fantástica, que garantiu o sucesso da cobertura, como o Jornal O Dia. Foi uma boa festa, bonita, com os gastos da prefeitura pequenos naquela época. Houve uma mobilização, uma integração não só com os órgãos da prefeitura, mas com a sociedade civil e especialmente com o estado, que enviou mais de 1 mil policiais para segurança do evento”, declarou o ex-prefeito.
De acordo com Elmano, quando a prefeitura percebeu o tamanho que o Corso havia alcançado, a Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves (FMC) entrou em contato com o Guinness World Records para oficializar a dimensão do evento. A organização já acompanhava a repercussão do Corso teresinense e enviou um juiz, Michael Janela, para confirmar o recorde.
Em 2012, Teresina recebeu o certificado que a colocava no mapa mundial do Carnaval de rua. Naquele ano, mais de 400 caminhões decorados desfilaram pela Avenida Raul Lopes, transformando a cidade em um imenso palco a céu aberto.
“Houve uma comoção da sociedade, e o Guinness reconheceu oficialmente. O Corso foi crescendo a cada ano, mas o principal responsável sempre foi o povo, que se envolveu e fez da festa um patrimônio de Teresina”, relembrou Elmano Férrer.
Com o passar dos anos, no entanto, os altos custos com o aluguel de caminhões e a mudança no formato do evento, que passou a incluir palcos e atrações musicais, alteraram a dinâmica da festa. Em 2025, no primeiro ano da gestão do prefeito Silvio Mendes (União Brasil), a prefeitura anunciou o cancelamento do Corso, alegando dificuldades financeiras diante de um déficit de R$ 3 bilhões. A decisão foi mantida em 2026.
Elmano avalia que o fim do evento também reflete a falta de mobilização popular. “Isso é um sentimento da própria sociedade, da própria comunidade. Eu creio que ela pressiona não só a prefeitura, como o estado. O Corso tem que ter uma mobilização da própria comunidade, e eu não vi isso, essa mobilização, esse sentimento”, declarou.
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O ex-prefeito destacou que o resgate do Corso deve nascer novamente da vontade coletiva dos teresinenses, que guardam na memória a importância histórica e cultural do evento. Ele lembrou ainda o apoio do Jornal O Dia, que participou ativamente da divulgação e cobertura da festa ao longo das décadas.
“O Jornal O Dia sempre esteve presente em todos os momentos de destaque da nossa história em Teresina e no estado do Piauí. A cobertura total do Jornal O Dia teve uma participação importante na mobilização da sociedade. E como o maior jornal em circulação, com 75 anos de história e credibilidade, teve um destaque fundamental”, finalizou.
O Corso de Teresina é, até hoje, uma das marcas mais fortes da identidade cultural piauiense. E, ao longo de sete décadas e meia, o Jornal O Dia acompanhou e registrou cada capítulo dessa trajetória do desfile de automóveis que transformaram o evento em patrimônio dos teresinenses.
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