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Trilha Caminhos da Ibiapaba fortalece o turismo sustentável entre o Piauí e o Ceará

Com cerca de 190 quilômetros de extensão, a Trilha Caminhos da Ibiapaba, que foi inaugurada em fevereiro deste ano, atravessa a região da Ibiapaba conectando diferentes paisagens e ecossistemas. Reconhecida pela Rede Brasileira de Trilhas, é a primeira de longo curso do Nordeste e do bioma Caatinga, e liga dois importantes parques nacionais: o Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí, e o Parque Nacional de Ubajara, no Ceará, atravessando a Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra da Ibiapaba.

Além de ser uma referência para o Parque de Ubajara, na região de Ibiapaba, e para os municípios do Piauí, como São João da Fronteira, Brasileira, entre outros, a trilha tornou-se um espelho para outros estados, como Minas Gerais, que tem se inspirado na sinalização e na logística do parque para implantar em seus pontos turísticos.

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Trilha Caminhos da Ibiapaba fortalece o turismo sustentável entre o Piauí e o Ceará

Durante a trilha, o visitante percorre trechos que passam por áreas de Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado, além de mirantes, cachoeiras e sítios arqueológicos, vivenciando também experiências culturais e gastronômicas nas comunidades locais. Essa combinação permite uma imersão que vai além da paisagem, integrando natureza, cultura e modos de vida do interior do Ceará e do Piauí. É algo que vai muito além do visual.

Inspirada em caminhos históricos da região, a Ibiapaba se consolida como um modelo de turismo de base comunitária, promovendo experiências autênticas e incentivando a valorização do território. Ao mesmo tempo, reforça o papel estratégico dos parques naturais brasileiros e evidencia como o trabalho dos guias pode transformar territórios, conectar pessoas e gerar impacto positivo.

Mais do que um percurso, a rota é um convite para vivenciar o território de forma consciente, e reconhecer que, por trás de cada paisagem, há histórias, pessoas e saberes que dão sentido à experiência. Nascido e criado em Ubajara (CE), o guia Maicon Manso do Nascimento (23) conta que o parque está há três anos seguidos entre os top 10 dos parques mais visitados do país. Em 2023 e 2024, ficou em 8º lugar, e em 2025, ficou em 9º lugar.

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“Nosso turismo é mais região, com pessoas que residem nos estados do Ceará, Piauí, Maranhão. E essa é uma trilha que engloba tanto os produtores locais como as comunidades que já existem há muitos anos e, agora, estão ganhando visibilidade por conta da trilha.

O trajeto realizado pelos condutores locais parte da comunidade Sítio Acarape, às margens da BR-222, e segue até o Parque Nacional de Ubajara, somando cerca de 42 quilômetros, geralmente percorridos em dois dias. “A gente faz esse percurso em dois dias. Dá uma variação de 20 a 25 quilômetros por dia”, explicou.

Apesar da longa distância, Maicon afirma que a vegetação e as paisagens tornam a caminhada mais agradável. “A própria paisagem faz você esquecer a dor, o sofrimento e o cansaço. Ali você encontra a cura de várias coisas, principalmente psicológicas”, destacou.

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Ao longo do percurso, os turistas também têm contato com comunidades locais, engenhos de rapadura, floriculturas e empreendimentos parceiros da trilha. “Todo empreendimento parceiro recebe uma placa de identificação. Assim, o visitante consegue procurar esses locais e valorizar o trabalho da comunidade”, afirmou.

A trilha pode ser iniciada tanto pelo Ceará quanto pelo Piauí, contando com guias dos dois estados. Além disso, o percurso pode ser adaptado conforme o perfil do visitante. “Você não precisa fazer os 180 quilômetros completos. Pode fazer apenas 15, 20 ou 40 quilômetros para sentir a experiência da trilha”, explicou Maicon.

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Segundo ele, a atividade pode ser feita por diferentes públicos, desde que haja uma avaliação prévia sobre o preparo físico do participante. “Quando você procura esse passeio, você está procurando a história do local, conhecer a cultura e viver aquela experiência”, concluiu.

Presença dos guias impulsionam experiências mais autênticas

O turismo de natureza segue em expansão no Brasil, impulsionando experiências cada vez mais autênticas, imersivas e conectadas aos territórios locais. Nesse cenário, os guias de turismo têm papel fundamental: mais do que conduzir visitantes, são eles que traduzem o ambiente, compartilham saberes e garantem que a experiência aconteça de forma segura, responsável e enriquecedora.

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Em muitas regiões, a atividade sustenta famílias inteiras, também contribuindo diretamente para a conservação dos ecossistemas e para a valorização das comunidades onde atuam. Mariana Haddad, gerente de políticas públicas do Instituto Semeia, organização que atua para incentivar a visitação nos parques do Brasil, fortalecer a gestão dessas unidades e apoiar o desenvolvimento socioeconômico das regiões onde estão inseridas.

“Os guias de turismo são peças-chave para uma visita memorável, e ver os benefícios do turismo de natureza chegando na ponta, impactando positivamente a vida dessas pessoas, é o que dá sentido a todo esse nosso esforço por mais pessoas, mais conservação, mais infraestrutura e mais inclusão nos Parques do Brasil. Quando o turismo é bem conduzido, ele gera, além de saúde e bem-estar às pessoas e à conservação da nossa biodiversidade, oportunidades de emprego e renda para os moradores locais”, afirma

Guias locais: histórias de quem fortalece o turismo de natureza na trilha

O guia Maicon Manso do Nascimento encontrou no turismo de natureza não apenas uma profissão, mas um caminho de realização pessoal. “Hoje me vejo com um sonho realizado: atuar com pessoas e com a natureza”, afirma.

A relação com o meio ambiente vem desde a infância, vivida no interior, e se fortaleceu durante a formação técnica e a experiência dentro do Parque Nacional de Ubajara. Atualmente, o turismo é sua principal fonte de renda, atividade que também contribui para o sustento da família. “Por meio da minha profissão, consigo investir na minha vida pessoal e profissional e melhorar a qualidade do meu serviço. E sigo buscando capacitação para oferecer experiências cada vez melhores aos visitantes”, conta.

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Além da condução, Maicon destaca o papel educativo do seu trabalho. “Utilizo o turismo como forma de conscientizar os visitantes e a comunidade local sobre o cuidado com a natureza, desde o descarte correto do lixo até o respeito aos animais e à vegetação”, explica.

Para ele, a trilha representa o potencial da região. “A trilha Caminhos da Ibiapaba veio como a vitrine principal daquilo que nós, guias, já vivenciamos e apresentamos. É um convite para a pessoa se conectar com a natureza e entender o significado de cada lugar, o cuidado com o ambiente e o valor da cultura local.”

Também atuando na região, o condutor José Olímpio Fontes Sampaio (31) compartilha uma trajetória marcada pela vivência comunitária e pela conexão com a natureza desde cedo. Há oito anos no turismo, ele vê na atividade uma missão que vai além da geração de renda.

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“A gente trabalha para conectar as pessoas com a natureza, promover um resgate de valores e proporcionar experiências de superação e aprendizado”, afirma. Para ele, embora a remuneração seja importante, o impacto gerado na vida das pessoas é o principal motivador. “Os valores que a gente agrega na vida dos visitantes é o que realmente impulsiona o nosso trabalho.”

O impacto do turismo também se estende às comunidades. Segundo Olímpio, a presença dos visitantes estimula o desenvolvimento local e fortalece o sentimento de pertencimento e de valorização. “Quando a comunidade se apropria do turismo, ela passa a cuidar mais do território, entende que a natureza é um patrimônio que precisa ser conservado para as próximas gerações”, explica.

Histórias de impacto são frequentes. Entre elas, experiências de visitantes que têm o primeiro contato com a natureza ou superam desafios pessoais durante o percurso, momentos que reforçam o papel transformador do turismo. “Ver a emoção das pessoas, principalmente aquelas que nunca tiveram essa vivência é algo que marca profundamente. São experiências que ficam para a vida toda”, diz Maicon.

Conheça o Instituto Semeia

O Instituto Semeia é uma organização sem fins lucrativos que atua desde 2011 com a missão de inspirar brasileiros e brasileiras a visitar e se orgulhar dos Parques do Brasil. Acreditamos que o turismo sustentável nos parques cria um ciclo virtuoso, funcionando como instrumento que contribui positivamente para a conservação ambiental, para a transformação social e para o desenvolvimento econômico local e regional, além de ser peça fundamental na formação de uma maior conscientização ambiental da população. Desde 2011, oferecemos suporte técnico a mais de 20 governos estaduais, municipais e governo federal, e contribuímos para a conservação de mais de 6.000 km² em 39 parques no Brasil.


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