O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Timon suspendeu temporariamente a concessão de entrevistas e o repasse de informações operacionais à imprensa. A medida ocorre em meio a um cenário de violência crescente no município, que já registrou nove homicídios em 2026, e integra um movimento mais amplo de mobilização dos delegados de polícia do Maranhão contra o Governo do Estado.
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A informação é de que a decisão não partiu da diretoria ou da presidência da entidade, mas foi deliberada de forma soberana em Assembleia Geral, instância máxima de decisão da categoria. Segundo a associação, a suspensão da divulgação de ações policiais é uma prática adotada em todo o país como forma legítima de mobilização diante de impasses institucionais.
Para a ADEPOL-MA, a ampla divulgação de operações policiais tem sido utilizada para sustentar uma narrativa oficial de normalidade na segurança pública, que não condiz com a realidade enfrentada pelos delegados. A entidade também ressalta que os delegados de polícia foram a única carreira do sistema de segurança pública estadual excluída dos reajustes concedidos pelo governo, permanecendo sem qualquer recomposição salarial.
Em nota, a entidade destacou: “A Adepol-MA reafirma seu respeito à imprensa e reconhece a histórica parceria construída ao longo dos anos. A medida adotada não se dirige contra os profissionais de comunicação, mas se insere em um contexto de grave desacordo institucional com o Governo do Estado, que vem ignorando reiteradas tentativas de diálogo com os delegados de polícia- carreira que preside as investigações criminais e sustenta o sistema de justiça criminal“, diz nota.
Mobilização pode afetar serviços durante o Carnaval no MA
A mobilização dos delegados de polícia no Maranhão segue em estado permanente desde o início do ano. Outras mobilizações que podem acontecer são a realização de passeatas no centro da cidade, uso de outdoors para informar a população sobre a situação enfrentada pelos delegados e, especificamente, a suspensão temporária do atendimento durante o período do Carnaval.
Segundo os delegados, a sociedade não ficará totalmente desassistida, mas poderá enfrentar transtornos, como a lentidão nos serviços, especialmente em um período de alta demanda. A categoria recomenda que a população evite locais de grande aglomeração durante o Carnaval, já que o atendimento poderá ocorrer de forma mais lenta.
Os representantes destacam ainda que a Polícia Civil do Maranhão possui um dos menores percentuais de policiais civis por habitante do país, situação que tende a se agravar em um cenário de mobilização e suspensão parcial de atividades. Apesar disso, afirmam que o objetivo não é prejudicar a população, mas chamar a atenção para a falta de valorização da carreira.
De acordo com os delegados, a mobilização é consequência direta da postura do governo, que se recusa a estabelecer um diálogo efetivo com a categoria. Eles reforçam que foram a única carreira do sistema de segurança pública estadual a não receber reajustes ou medidas concretas de valorização, mesmo sendo responsáveis por presidir as investigações criminais e sustentar o funcionamento do sistema de justiça criminal.
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