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Setembro Amarelo: desacelerar quando o corpo pede pausa não é sinônimo de fraqueza

O Setembro Amarelo coloca em evidência a importância de falar sobre saúde mental e prevenção do suicídio. Durante o mês, temas como depressão, ansiedade e sofrimento psíquico ganham espaço para que a sociedade possa discutir formas de identificar sinais, oferecer acolhimento e incentivar a busca por ajuda.

No entanto, é importante lembrar que o sofrimento mental nem sempre está associado a uma pessoa que não consegue levantar da cama, vive isolada ou deixa de cumprir suas obrigações. Muitas vezes, quem está sofrendo continua trabalhando, estudando, cuidando da família, cumprindo compromissos e até sendo a pessoa mais brincalhona da turma, enquanto enfrenta, por dentro, uma intensa dor e solidão.

Manter a rotina, portanto, nem sempre significa que a pessoa está bem. O medo, a vergonha e o receio de ser julgada podem fazer com que alguém esconda o que sente e deixe de buscar ajuda. A psicóloga Maria Clara de Brito explica que a depressão e outros problemas relacionados à saúde mental nem sempre apresentam sinais evidentes e que mudanças sutis no comportamento podem ser percebidas por pessoas próximas.

Depressão não tem cara. Muitas das vezes, a gente não consegue identificar logo de cara que essa pessoa está passando por problemas internos, que são problemas mais específicos dessa pessoa

Maria Clara de Britopsicóloga

Segundo a profissional, alterações no comportamento podem ser percebidas no dia a dia. Entre elas, estão a redução da produtividade, a apatia, o afastamento das relações sociais e uma mudança na forma como a pessoa participa das atividades cotidianas.

“A pessoa tem uma falta de produtividade, está mais apática dentro da empresa, não participa mais tanto das relações profissionais, conversa pouco, não divide essa responsabilidade. Muitas vezes é uma pessoa que entra, faz o seu trabalho e vai embora. Ela não engaja mais as demandas. É uma pessoa que fica mais silenciosa”, afirma.

Esses sinais podem ser percebidos tanto no ambiente corporativo quanto em outras situações. Uma mãe sobrecarregada, um pai que acumula jornadas, um estudante pressionado ou qualquer pessoa que mantenha suas responsabilidades enquanto enfrenta dificuldades emocionais pode estar passando por uma situação semelhante.

O primeiro passo para ajudar é estar aberto para o diálogo

Para Maria Clara, o primeiro passo para ajudar alguém que demonstra mudanças é abrir espaço para o diálogo, sem julgamentos. Segundo a psicóloga, é preciso escutar de forma sensível e se colocar nesse lugar de entendimento. A especialista também destaca que ainda existem tabus que fazem com que muitas pessoas escondam o sofrimento.

Segundo ela, alguém que continua realizando suas atividades normalmente pode ter sua dor questionada justamente por aparentar estar bem. A sobrecarga também pode contribuir para que a pessoa deixe suas próprias necessidades em segundo plano.

“Muitas vezes é uma pessoa que está sorrindo, mas por dentro está passando por questões interiores, que não está se sentindo bem, que não está conseguindo sorrir para vida. Se não houver cuidado de si mesmo, não tem como ela cuidar do outro. É preciso reservar um tempo para si, para que possa entender quais são os seus sentimentos, aquilo que está carregando, as suas dificuldades, para tratar isso da forma mais assertiva”, destaca a psicóloga.

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Setembro Amarelo: desacelerar quando o corpo pede pausa não é sinônimo de fraqueza

Maria Clara de Brito lembra ainda que as campanhas, a exemplo do Setembro Amarelo, são importantes para ampliar a conversa, mas o cuidado com a saúde mental precisa acontecer durante todo o ano.

“O Setembro Amarelo vem justamente para isso, para que a gente possa conversar e orientar. Precisamos falar sobre depressão, saúde mental, ansiedade, de outros problemas, mas não podemos esquecer que é durante todo o ano que a gente faz essas observações”, pontua.

Sinais de sofrimento no ambiente de trabalho

No ambiente corporativo, algumas mudanças de comportamento podem servir como sinais de alerta. A redução da produtividade, o isolamento, a apatia, o silêncio excessivo e a diminuição do envolvimento com as atividades podem indicar que o trabalhador está enfrentando algum tipo de dificuldade.

“É nesse momento em que conversamos com esse colaborador para saber se existe alguma coisa, interna ou externa, que esteja atrapalhando o desenvolvimento dele, a produtividade, e se a gente pode fazer alguma coisa”, explica a psicóloga Maria Clara de Brito.

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Setembro Amarelo: desacelerar quando o corpo pede pausa não é sinônimo de fraqueza

Porém, a profissional ressalta que o ambiente de trabalho não deve assumir sozinho a responsabilidade pelo cuidado com a saúde mental do colaborador. O papel da empresa deve ser de acolher, oferecer abertura para o diálogo e, quando necessário, realizar os encaminhamentos adequados.

As pausas durante a jornada de trabalho, como levantar, caminhar, beber água, tomar um café ou simplesmente se afastar por alguns minutos das atividades também são importantes e podem contribuir para o bem-estar do colaborador.

“Hoje nós temos, inclusive, sistemas que acusam no computador quando a pessoa precisa fazer uma pausa. Esse horário do cafezinho pode parecer bobagem, mas é importante para que a pessoa consiga cuidar um pouco do corpo, da mente, respirar, caminhar, sair um pouco daquele foco para que ela possa realmente conseguir produzir mais”, conclui a psicóloga.