A Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma no calendário litúrgico da Igreja Católica. Celebrada 46 dias antes da Páscoa, contando os domingos, a data sucede o Carnaval e abre um período de preparação espiritual para a celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, a Semana Santa. A data convida os fiéis ao jejum, à abstinência, à oração e à penitência como caminho de conversão e renovação interior.
A Quaresma propõe três práticas fundamentais:
- Oração, para fortalecer a relação com Deus;
- Jejum, como exercício de domínio próprio;
- Esmola, como expressão concreta de caridade.
Origem
A prática de iniciar a Quaresma com um gesto penitencial remonta aos primeiros séculos do cristianismo. No entanto, a imposição das cinzas tornou-se comum na Igreja latina a partir da Idade Média. A celebração abre oficialmente o tempo quaresmal, que culmina no Tríduo Pascal.
Durante a Missa, o sacerdote impõe cinzas na testa dos fiéis, traçando o sinal da cruz e pronunciando uma das fórmulas tradicionais: “Lembra-te que és pó e ao pó hás de voltar” (cf. Gn 3,19)”. As cinzas utilizadas são tradicionalmente obtidas da queima dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior, estabelecendo uma ligação simbólica entre a entrada triunfal de Cristo em Jerusalém e o caminho da cruz.
Simbolismo das cinzas
Na Sagrada Escritura, as cinzas representam penitência, humildade e reconhecimento da fragilidade humana:
1 - Sinal de arrependimento
No Antigo Testamento, vestir-se de saco e cobrir-se de cinzas era expressão pública de dor e conversão. No Livro de Jonas (3,6), o rei de Nínive, ao ouvir a pregação do profeta, cobre-se de saco e senta-se sobre cinzas, demonstrando arrependimento. Já em Daniel (9,3), o profeta volta-se para Deus “com jejuns, saco e cinza”, pedindo perdão pelos pecados do povo.
2 - Reconhecimento da condição humana
A expressão “és pó e ao pó hás de voltar”, retirada do Gênesis, recorda a condição mortal do ser humano. A cinza, resto do que foi consumido pelo fogo, simboliza o que é transitório e passageiro, convidando o fiel a olhar para os bens eternos.
3 - Humildade diante de Deus
No Livro de Jó (42,6), o patriarca afirma: “Retracto-me e faço penitência no pó e na cinza.” O gesto expressa reconhecimento da grandeza divina e da dependência humana diante do Criador.
Significado para a Igreja Católica
Na tradição católica, a imposição das cinzas é considerada um sinal sacramental, um rito que prepara o coração para acolher a graça de Deus.
- Chamado à conversão
A palavra “conversão” significa mudança de direção, retorno a Deus. Ao receber as cinzas, o cristão reconhece suas fragilidades e renova o compromisso de viver segundo o Evangelho.
- Consciência da mortalidade
O gesto não busca provocar medo, mas despertar sabedoria espiritual: recordar que a vida terrena é passageira e que a plenitude se encontra na eternidade.
- Testemunho público de fé
A cruz traçada na testa é também um sinal visível de pertença e identidade cristã, expressando adesão a Cristo e à vida de fé.
O período também é propício para crescimento espiritual e da importância da participação na celebração da Santa Missa, buscando a Palavra de Deus. Esse é um tempo de reflexão e esperança. Instituída há séculos, a Quarta-feira de Cinzas permanece atual ao recordar que a vida é passageira e que a verdadeira felicidade não se encontra apenas nas realidades terrenas.
O sacramental das cinzas convida ao arrependimento sincero e à esperança na misericórdia divina. Ao reconhecer que “somos pó e ao pó voltaremos”, o cristão reafirma sua confiança de que a vida, transformada por Deus, é chamada à plenitude eterna.
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